Grêmio enfrenta o Bolívar na repescagem da Sul-Americana
O destino do Grêmio no segundo semestre ganhou nome e endereço — ou quase isso. Após os resultados da última rodada da fase de grupos, o Tricolor Gaúcho sabe que vai cruzar o caminho do Bolívar, da Bolívia, na repescagem da Copa CONMEBOL Sul-Americana. As datas já estão marcadas no calendário: 22 e 29 de julho, logo depois que a Copa do Mundo fechar as cortinas. O que ainda está em aberto é onde o jogo de ida vai acontecer — e a resposta para essa pergunta passa pelas ruas de La Paz, onde protestos e conflitos com as forças de segurança seguem ditando o ritmo da política boliviana e, por consequência, da logística do futebol sul-americano.
Como o confronto foi definido
O Grêmio encerrou a fase de grupos na terça-feira (26) com um empate contra o City Torque, na Arena do Grêmio, terminando na segunda colocação do seu grupo com 11 pontos. A posição garante presença na repescagem, mas impede o avanço direto às oitavas de final — esse privilégio fica reservado apenas aos líderes de grupo.
Por ter feito a melhor campanha entre todos os segundos colocados da Sul-Americana, o Tricolor ficou com o direito de enfrentar o pior terceiro colocado que caiu da fase de grupos da Libertadores. Esse papel coube ao Bolívar, que terminou o Grupo C da Libertadores com cinco pontos, atrás do Independiente Rivadavia, da Argentina, e do Fluminense. A confirmação veio com os resultados desta quarta-feira (27), que não alteraram mais as posições de nenhum dos dois clubes na tabela geral.
A instabilidade boliviana entra em campo
Em condições normais, o sorteio que colocou o Bolívar como mandante do jogo de ida representaria um dos maiores desafios geográficos do futebol sul-americano. La Paz fica a 3.600 metros acima do nível do mar — e o vizinho El Alto, que também abriga jogos bolivianos, chega a 4.150 metros. Para qualquer equipe acostumada ao nível do mar, escalar aquela altitude é encarar um adversário invisível antes mesmo do apito inicial.
Só que a Bolívia vive um momento de intensa turbulência política. A retirada do subsídio governamental para combustíveis acendeu uma série de manifestações populares, com confrontos entre civis e forças de segurança nas ruas de La Paz. Parte da população cobra a renúncia do presidente Rodrigo Paz, de centro-direita. O cenário levou a Conmebol a tirar as partidas das cidades afetadas pela instabilidade.
O próprio Bolívar sentiu o impacto na última rodada da fase de grupos. O clube foi obrigado a jogar contra o Independiente Rivadavia em Santa Cruz de la Sierra, cidade boliviana sem altitude significativa, e acabou derrotado por 3 a 1 — resultado que selou sua condição de pior terceiro colocado da Libertadores. Outros clubes bolivianos foram ainda mais longe: tiveram jogos disputados no Paraguai, sem a presença de torcedores.
"A Conmebol segue monitorando a situação na Bolívia para garantir a segurança das partidas a serem jogadas em solo boliviano. Mas será preciso avaliar mais proximamente à data da rodada."— Conmebol, em nota à imprensa
Cenário incerto até julho
A nota da Conmebol deixa claro que a entidade não vai antecipar uma decisão que depende de como a situação política boliviana vai se desenrolar nos próximos meses. A tendência é de que o local do jogo de ida só seja oficializado mais perto de 22 de julho. Se os conflitos continuarem, o Grêmio provavelmente vai enfrentar o Bolívar em campo neutro, sem precisar lidar com a altitude. Se houver normalização, a travessia pelos Andes volta ao roteiro.
O jogo de volta, independentemente do que aconteça com o de ida, está previsto para a Arena do Grêmio, em Porto Alegre. Para o Tricolor, portanto, a segunda partida é em casa — o que, num confronto de dois jogos, tem peso estratégico considerável.
O que vem depois
Quem o Grêmio vai encarar nas oitavas de final, caso avance na repescagem, ainda é mistério. O sorteio para a próxima fase está marcado para a sexta-feira (29). O classificado virá desse cruzamento, e o Tricolor só saberá seu possível adversário seguinte após essa definição.
Antes de tudo isso, há o Brasileirão para jogar. O próximo compromisso do time de Luís Castro é diante do Corinthians, mais um teste para medir o ritmo do clube na temporada e calibrar o elenco para os desafios que se aproximam no segundo semestre. Com ou sem altitude, o Grêmio está no mapa continental — e a temporada ainda tem muito a dizer.