Sem extravagância: a fórmula financeira do Caxias para brigar pelo acesso na Série C
Sem extravagância: a fórmula financeira do Caxias para brigar pelo acesso na Série C
Com teto salarial de R$ 50 mil, busca por centroavante e renovações no gol, grená segue construindo elenco à sua maneira na reta final da primeira fase
Tem clube que compra sonho parcelado e tem clube que faz conta de padeiro antes de sonhar. O Caxias é do segundo tipo. Enquanto o mercado da bola infla salários e patrocina dívidas por aí, o grená segue trabalhando com um teto salarial de R$ 50 mil e uma régua rígida de planejamento — mesmo brigando, na 9ª posição com 21 pontos, por uma vaga de acesso à Série B do Campeonato Brasileiro. A reta final da primeira fase da Série C chegou, faltam cinco rodadas, e o Centenário se movimenta em três frentes ao mesmo tempo: caixa, escalação e ingresso.
A régua financeira que não sai do lugar
Não é segredo dentro do CT grená: ninguém passa dos R$ 50 mil por mês vestindo a camisa do Caxias — nem quem topou perder salário pra assinar contrato. O executivo de futebol Farnei Coelho fez questão de deixar isso claro ao detalhar a política de contratações do clube na reta final da temporada.
"Nenhum jogador ganha dentro do Caxias mais de R$ 50 mil. O nosso teto é R$ 50 mil. E é um combinado também que eu tenho com alguns atletas, que recebem o teto, que vieram baixar o salário para vir para o Caxias. Eu não vou trazer jogadores agora acima do teto."
A exceção fica por conta de atletas emprestados por outros clubes, que dividem o pagamento com o Caxias — casos em que o salário total pode chegar a R$ 120 mil ou R$ 130 mil, mas sem que o grená arque com a conta inteira. É esse malabarismo financeiro que sustenta o elenco sem furar o orçamento.
"Tem jogadores no Caxias que ganham R$ 120 mil, R$ 130 mil. Só que não recebem do Caxias. Eles recebem parte do outro clube, parte do Caxias. [...] A gente não consegue fazer um contrato maior, a gente está fazendo um contrato para terminar a Série C."
Na prática, isso explica por que os vínculos no Centenário costumam ir só até o fim da Série C: sem margem para comprometer o próximo orçamento, o clube prefere negociar bonificações por desempenho a fechar contratos longos e salários fixos altos.
A caçada pelo camisa 9 que ainda não terminou
Enquanto isso, o departamento de futebol corre contra o tempo em outra frente: encontrar um centroavante de peso para dividir a responsabilidade com Salatiel, hoje o único jogador da posição no elenco. A negociação mais avançada era com Lohan, de 30 anos, então na Portuguesa-RJ pela Série D — as partes já tinham acertado os valores do contrato, mas um problema pessoal na família do jogador travou o acerto.
Com a porta de Lohan fechada, a diretoria já trabalha com outros nomes no radar. O perfil buscado é claro: força física, experiência de Série C, passagem por Série B e, principalmente, números recentes de gol. Além do centroavante, o clube também avalia reforçar outro setor do time — inicialmente um volante, embora o planejamento possa mudar dependendo do mercado.
Goleiro Toebe garante contrato até 2027
Uma boa notícia em meio à corrida por reforços: o Caxias acertou a renovação do goleiro Gabriel Toebe, de 23 anos, revelado nas categorias de base do Botafogo-RJ, até o fim da temporada 2027. Contratado no fim de 2025, Toebe ainda não estreou pelo clube em 2026, mas recebeu voto de confiança da direção, que aposta no seu desenvolvimento a médio prazo. Já a titularidade segue com Busatto, de 35 anos, referência do elenco desde que chegou em março — e as conversas para estender o vínculo dele também até 2027 já começaram.
Não tem glamour, mas tem método. Enquanto times por aí acumulam dívida atrás de resultado rápido, o Caxias segue apostando que planejamento e teto salarial rígido são compatíveis com sonho de acesso. Falta saber se a caçada pelo centroavante vai render a tempo de a conta fechar dentro de campo também.