Três meses depois da goleada, Palmeiras e Vasco se reencontram com a vaga na final em jogo
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Há três meses, o Nubank Parque foi palco de uma tarde amarga para o Vasco. Naquele dia de agosto, pela 24ª rodada do Brasileirão, o time cruzmaltino levou 4 a 1 do Palmeiras e viu, ao lado do gramado, a primeira aparição pública de um homem que mudaria os rumos do clube fora de campo: Marcos Lamacchia, hoje já dono aprovado da SAF vascaína. Neste domingo, às 16h, as duas equipes se encontram de novo no mesmo endereço — só que agora o que está em jogo é uma vaga na final da Copa do Brasil, e o Vasco que entra em campo pouco tem a ver com aquele que saiu humilhado em agosto.
A partida de ida da semifinal acontece no Nubank Parque, em São Paulo, com transmissão da TV Globo, SporTV, Premiere, ge tv e Prime Video. O jogo de volta já está marcado: 8 de novembro, às 17h, em São Januário, no Rio de Janeiro. Quem avançar enfrenta o vencedor da outra chave na decisão do torneio.
O que mudou desde agosto
A derrota por 4 a 1 ficou marcada na memória vascaína por mais de um motivo. Foi naquele jogo que o torcedor ouviu, pela primeira vez, a voz de Marcos Lamacchia — até então conhecido apenas por uma foto antiga em rede social de negócios. Ele apareceu no pré-jogo ao lado da madrasta, Leila Pereira, convencido na noite anterior, em um jantar, por dirigentes do Vasco a comparecer. Discreto, aceitou o convite mesmo em meio a um período de turbulência judicial em torno do leilão da SAF.
"Esperando a justiça liberar o leilão para podermos transformar o Vasco" — Marcos Lamacchia, investidor do Vasco
Essa foi a primeira e, por um tempo, quase única manifestação pública do empresário. Desde então, Lamacchia manteve o perfil reservado, dando apenas mais uma entrevista — na primeira visita a São Januário, contra o Cruzeiro. Quem apareceu com mais frequência nesse período foi o sócio dele, Mário Junqueira, presidente da Almirante Participações, empresa que vai investir no clube.
O desfecho dessa novela chegou na última sexta-feira: a venda da SAF do Vasco para Lamacchia foi sacramentada. O leilão, aberto pela Justiça em setembro, teve como única proposta a dele, declarado vencedor do processo competitivo. A aprovação passou pelo Conselho Deliberativo e pela Assembleia Geral Extraordinária com apoio de mais de 90% dos sócios vascaínos.
O Vasco de Pedro Emanuel reagiu — até tropeçar de novo
Dentro de campo, a resposta depois da goleada foi consistente. Sob o comando de Pedro Emanuel, o Vasco somou nove vitórias, um empate e apenas quatro derrotas desde aquele 4 a 1. Das dez vitórias, cinco vieram pelo Brasileirão, duas pela Copa do Brasil — nos dois jogos contra o Vitória, nas quartas de final — e duas pela Sul-Americana, contra o Santa Fé em São Januário e contra o Boca Juniors na Bombonera.
Mas são as derrotas mais recentes que pesam no humor da torcida chegando a este domingo. Entre o início de setembro e a metade de outubro, o Vasco só havia perdido para o Fluminense. Nas últimas duas semanas, porém, veio uma sequência de tropeços: derrota para o São Paulo pelo Brasileirão, eliminação diante do Boca Juniors no Maracanã e, na última quinta-feira, uma goleada sofrida para o Flamengo por 4 a 1.
Os reforços que mudaram o time
O que separa o Vasco de agosto do Vasco de novembro, além da SAF, é o time em campo. Na janela de meio de temporada, chegaram Sosa, Colidio e Lescano, hoje titulares absolutos. No jogo de agosto, Sosa tinha acabado de chegar e fazia seu primeiro jogo como titular — atuação marcada justamente pelo erro no terceiro gol do Palmeiras. Desde então, o volante argentino conquistou a torcida, apesar de ter feito péssima partida contra o Boca Juniors no Maracanã.
Colidio, por sua vez, marcou seu primeiro gol com a camisa vascaína justamente naquela goleada, já no fim da partida, evitando um placar ainda mais elástico. Lescano e Bruno Duarte nem estavam no clube àquela altura — ainda não tinham sido contratados.
Cuesta perde espaço
Um dos piores em campo na goleada de agosto, falhou nos dois primeiros gols do Palmeiras no apagão do Vasco logo após o intervalo. Perdeu a titularidade para Saldivia e não deve seguir no clube na próxima temporada.
Trio reforça o ataque
Sosa, Colidio e Lescano, que chegaram ou estrearam naquele período, hoje são titulares absolutos e dão outra cara ao time de Pedro Emanuel.
As mudanças esperadas na escalação
O time que entrou em campo em agosto tinha: Léo Jardim, Paulo Henrique, Cuesta, Robert Renan e Cuiabano na defesa; Sosa, Thiago Mendes e Tchê Tchê no meio; Adson, Gómez e David no ataque. Para este domingo, a expectativa é de cinco mudanças: Saldivia na vaga de Cuesta, Lucas Piton no lugar de Cuiabano, Lescano substituindo Tchê Tchê, Colidio entrando por Gómez e Bruno Duarte na posição de David.
O que está em jogo hoje
Para o Vasco, o objetivo é claro: buscar um resultado melhor do que o visto no Brasileirão para embalar a decisão com vantagem — ou ao menos com otimismo — na volta em São Januário, na semana que vem. A equipe sabe que repetir os erros da goleada de agosto, especialmente a fragilidade defensiva mostrada no intervalo daquele jogo, pode custar caro diante de um adversário que já provou ser capaz de abrir o placar com facilidade no Nubank Parque.
Já para o Palmeiras, o mando de campo na ida e o retrospecto recente contra o rival carioca colocam a equipe na condição de favorita para abrir vantagem antes da decisão no Rio de Janeiro.
Com a SAF vendida e o time reforçado, o Vasco tenta hoje provar que é outro clube desde agosto — dentro e fora de campo. Um bom resultado no Nubank Parque recoloca a decisão da vaga na final em aberto para a volta, marcada para 8 de novembro, em São Januário.