Abel Ferreira desabafa sobre arbitragem e diz que não quer mais falar do assunto: "Só me prejudiquei"
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Tem coletiva que parece treino de respostas curtas e vira, nos minutos finais, um raio-x de seis anos de desgaste. Foi o que aconteceu neste domingo (1º), depois de Palmeiras 1 a 0 Vasco, na ida da semifinal da Copa do Brasil. Abel Ferreira, questionado sobre a reclamação do Vasco por um pênalti não marcado — toque de mão de Bruno Fuchs, zagueiro são-paulino, na jogada do lance — primeiro tentou desviar da pergunta com ironia. No fim da entrevista, voltou ao tema sozinho e soltou o desabafo mais longo que já fez sobre arbitragem desde que chegou ao Brasil, dizendo que vai parar de comentar decisões de juízes.
A pergunta que o técnico não quis responder — até responder
A primeira tentativa de resposta já deu o tom. Perguntado sobre o pênalti não marcado, Abel devolveu a provocação para quem fazia a pergunta, sugerindo que a imprensa se aproveita desse tipo de lance para gerar audiência.
"Não tenho o que falar sobre isso, entendo a pergunta. Poderia me perguntar sobre o Lucas Evangelista, que levou o braço na cara. Vou deixar para vocês criarem conteúdos, vocês precisam de cliques. São bons lances para vocês fazerem conteúdos."
A entrevista seguiu para outros assuntos do jogo, mas o tema voltou à mesa nos minutos finais. Dessa vez, o treinador ficou em silêncio por alguns segundos antes de começar a falar — e, quando começou, não parou mais em meias palavras.
"Bater em ponta de faca": o desabafo sobre seis anos de atrito
Abel fez uma espécie de balanço de sua relação com os árbitros desde que assumiu o Palmeiras. Disse que nenhum técnico na história do futebol brasileiro acumulou tantos jogos de suspensão por reclamação quanto ele e que só agora, depois de tanto tempo, entendeu que insistir no confronto público não trouxe nenhum ganho — só desgaste.
"Nunca nenhum treinador na história do futebol brasileiro levou jogos como eu levei por reclamar. A conclusão que cheguei, infelizmente, depois de seis ou sete anos, com a experiência que tenho e deveria ter aprendido mais rápido, é bater em ponta de faca."
O técnico foi além e falou em "futebol político", citando o próprio nome e a própria imagem como vítimas colaterais do embate. Mencionou ainda as sanções que recebeu do STJD, o tribunal de justiça desportiva, como parte do preço pago.
"Quando o futebol deixar de ser político, acredito que as coisas podem melhorar. Só me prejudiquei a defender o Palmeiras. Minha imagem, meu nome, e como se só não bastasse, ainda tive o STJD a fazer... se calhar deveria ser mais vezes castigado. Não vou falar mais dos árbitros."
As 15 expulsões e o caso que foi de um jogo para três
Abel lembrou que já soma 15 expulsões à frente do Palmeiras e defendeu que boa parte delas não teve relação direta com o placar das partidas — foram reações a lances que considerou injustos, não tentativas de influenciar o resultado. Ele também relatou um episódio específico em que um julgamento do STJD, após pedido de revisão, terminou em punição maior do que a prevista inicialmente.
"Não tenho nada contra nenhum deles porque nem sequer os conheço. Meu espírito competitivo e às vezes a injustiça que estou a ver faz com que tenha comportamentos que não condizem com meu lugar. Houve um que levei um jogo, um deles pediu pra rever o processo, quer dizer, não estudou? E saiu de um pra três. Nunca tinha levado seis ou sete, nunca no futebol brasileiro. Alguém falou ou estão à espera de usar Abel como Cristo?"
Na sequência, o treinador fez um pedido que soou quase como uma trégua: parar de discutir publicamente pênaltis e expulsões, reconhecendo que erros de arbitragem são parte do jogo, assim como erros de jogadores e técnicos. Ele também defendeu um ponto estrutural — mais árbitros no quadro, para permitir rodízio e evitar desgaste físico e mental ao longo da temporada, da mesma forma que equipes e comissões técnicas se revezam.
"Deixar esse tipo de situação, se é pênalti ou expulsão, para vocês, que gostam disso. Os erros vão acontecer sempre, seja expulsões ou não, tenho que acreditar que os erros que acontecem são porque todos nós cometemos. Portanto, vou fazer um esforço muito grande para não falar mais dos árbitros. Os árbitros deviam ter mais condições, mais árbitros para, assim como se rodam as equipes e treinadores, ter mais árbitros para poder rodar."
O jogo: domínio do Palmeiras, mas só um gol
Enquanto o desabafo sobre arbitragem tomou boa parte da coletiva, o resultado em campo também teve a leitura do treinador. Abel reconheceu que o Palmeiras teve controle da partida, mas não converteu esse domínio em uma vantagem mais tranquila para o jogo de volta.
"Em função das oportunidades, lembro do López a falhar na frente do goleiro, o Giay não acerta o gol, uma de cabeça do Arias que o Paulo Henrique tirou — foi um belo goleiro sem braços, tirou duas vezes. E tem o nosso gol com Mauricio. Foi um jogo que dominamos e não conseguimos traduzir em mais gols nosso domínio."
Destaques da partida
O que vem a seguir: com o 1 a 0 construído em casa, o Palmeiras joga pelo empate na partida de volta da semifinal da Copa do Brasil, domingo que vem, às 17h (de Brasília), em São Januário, contra o Vasco. Antes disso, a equipe de Abel Ferreira entra em campo pelo Campeonato Brasileiro, na quinta-feira, diante do Remo, no Nubank Parque.