Palmeiras vence o Vasco por 1 a 0 na ida da semifinal e sai na frente em jogo marcado por polêmica de arbitragem
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Tem decisão que não cabe só no placar. No Nubank Parque, debaixo de um sol que não deu trégua nem na arquibancada nem no túnel dos vestiários, o Palmeiras bateu o Vasco por 1 a 0 neste domingo, gol de Maurício, no primeiro capítulo da semifinal da Copa do Brasil. Mas o resultado, sozinho, não conta a história completa de uma tarde em que a bola rolou menos do que a reclamação: um toque de mão não marcado na área, uma expulsão discutida e um presidente de clube indo pessoalmente cobrar o árbitro no fim do jogo.
O gol que decidiu o primeiro tempo
A etapa inicial teve o Palmeiras em vantagem territorial, e a insistência foi recompensada em jogada construída por Jhon Arias e Marlon Freitas. A dupla armou a finalização de Maurício, que não desperdiçou e colocou o Verdão na frente no placar. Até o intervalo, o roteiro seguiu equilibrado dentro do que o técnico do Vasco, Pedro Emanuel, classificou como um jogo "dentro" das possibilidades da sua equipe, mesmo com o time carioca atrás no placar.
"Ver nossa torcida presente hoje e empurrar a gente é porque confia. Assim como nós confiamos. Respeitamos o que é o Palmeiras, mas estamos dentro do jogo. Estamos perdendo por 1 a 0, mas dentro do jogo." Pedro Emanuel, técnico do Vasco
O lance que mudou o clima da tarde
Aos quatro minutos do segundo tempo, com o placar ainda em 1 a 0, veio o lance que se tornaria o grande assunto do dia. Lescano foi lançado na área e disputou a bola com o zagueiro Barboza, que cortou a trajetória com o braço — que estava atrás do corpo — dentro da grande área. Os jogadores do Vasco pediram a marcação de pênalti na hora, mas o árbitro Anderson Daronco entendeu que havia visto bem o lance e optou por não marcar a penalidade, sem que o VAR, comandado por Rodrigo D'Alonso Ferreira, interferisse na decisão.
Expulsão de Saldivia complica a reação
Já tentando equilibrar a eliminatória e crescer na partida, o Vasco viu o jogo ficar ainda mais difícil quando o zagueiro Saldivia recebeu o segundo cartão amarelo por cometer falta e interromper um contra-ataque perigoso do Palmeiras. Com a expulsão, a equipe carioca precisou se reorganizar e passou os últimos minutos da partida — pouco mais de 18 — jogando com um homem a menos, segurando a desvantagem mínima até o apito final.
Maurício abre o placar
Jhon Arias e Marlon Freitas construíram a jogada; Maurício finalizou para o 1 a 0 do Palmeiras ainda no primeiro tempo.
Pênalti não marcado
Toque de mão de Barboza em disputa com Lescano, aos 4 min do 2º tempo. Daronco não marcou; VAR não interveio.
Saldivia é expulso
Segundo amarelo por falta em contra-ataque. Vasco terminou o jogo com um homem a menos.
Pior em campo
Levantamento do GE apontou Saldivia como o pior jogador do Vasco na partida, pela falha que antecedeu a expulsão.
O Vasco pressiona Daronco após o apito final
O desconforto do Vasco com a arbitragem não ficou só nas quatro linhas. Ao término da partida, o presidente do clube, Pedrinho, acompanhado do diretor técnico Felipe Maestro, abordou Anderson Daronco e a equipe de arbitragem no túnel de acesso aos vestiários. Flagrado pela transmissão da TV Globo, o dirigente imitou o gesto do toque de mão de Barboza para reforçar a reclamação pelo pênalti não assinalado. A conversa, tranquila, terminou com um aperto de mão entre presidente e árbitro.
Horas antes da coletiva do técnico Pedro Emanuel, o diretor de futebol do Vasco, Admar Lopes, foi além e criticou duramente o trabalho de Daronco e da equipe de VAR, apontando também a ausência de cartão amarelo para Marlon Freitas em falta sobre Colidio no começo do jogo.
"Atuação completamente vergonhosa. Pode ter decidido um dos finalistas por um desses erros grotescos. Desde o início do jogo, mostrou para que vinha. Houve um lance do Colidio perigosíssimo e ele não dá o cartão amarelo. No primeiro amarelo do Saldivia, um lance sem qualquer perigo. Uma dualidade de critérios gritante. Numa decisão de semifinal da Copa do Brasil, temos que apelar na CBF para ter muito cuidado com as nomeações." Admar Lopes, diretor de futebol do Vasco
"Os senhores do VAR de Santa Catarina vieram para passar o fim de semana em São Paulo. Não fizeram o trabalho deles. Dois lances capitais: o segundo amarelo e o pênalti do Barboza. Admito que o senhor Daronco não tinha a melhor visão, mas o VAR não teve qualquer intervenção. Temos que refletir o que o VAR está fazendo no futebol brasileiro. Esses erros capitais só envergonham o futebol brasileiro numa decisão como essa." Admar Lopes, diretor de futebol do Vasco
Vasco aposta na reação em São Januário
Apesar da derrota e da lista de reclamações, o discurso dentro do vestiário vascaíno foi de confiança na reação. O volante argentino Sosa destacou a dificuldade do confronto, mas valorizou a entrega da equipe na segunda etapa, mesmo em desvantagem numérica.
"O jogo é contra um rival muito difícil, num estádio muito complicado, mas pela forma como se desenrolou, acho que fizemos uma grande partida. Depois a gente segurou bem e acho que a eliminatória está aberta." Sosa, volante do Vasco
O que vem agora: o jogo de volta está marcado para o próximo domingo, 8 de novembro, em São Januário, no Rio de Janeiro. Para avançar direto à final, o Vasco precisa vencer por dois gols de diferença ou mais. Uma vitória por apenas um gol leva a decisão de vaga para os pênaltis. Qualquer outro resultado — empate ou vitória do Palmeiras — garante a vaga do Verdão na final.
Quem avançar vai encarar o vencedor da outra semifinal da Copa do Brasil, disputada entre Grêmio e Atlético-MG, o que coloca o duelo direto no radar da torcida gaúcha nas próximas semanas.