Em meio a protestos e sombra do Z-4, Inter junta cacos e busca saídas políticas e de campo para evitar o pior
Em meio a protestos e sombra do Z-4, Inter junta cacos e busca saídas políticas e de campo para evitar o pior
Abalado por derrota em casa e impedido de contratar pela FIFA, o clube gaúcho vive dias tensos no Beira-Rio antes da decisão contra a Chapecoense
As alamedas do Parque Gigante amanheceram sob um nevoeiro pesado de incertezas. A derrota dolorosa por 3 a 2 para o Santos no Beira-Rio deixou feridas abertas e empurrou definitivamente o Internacional para as entranhas da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Faltando escassas 12 rodadas e pouco mais de três meses para o desfecho da temporada, o Gigante da Beira-Rio vive a sua crise mais aguda do ano, onde o barulho das arquibancadas ecoa com fúria e exige respostas imediatas.
Na reapresentação do grupo de jogadores, o clima de tensão se materializou do lado de fora do CT. Torcedores organizados cercaram o local com cobranças veementes ao elenco e aos dirigentes, exigindo uma postura de reação imediata na tabela. A saída dos atletas só foi garantida sem maiores incidentes graças à escolta ostensiva da Brigada Militar — o retrato fiel de um clube que tenta caminhar sobre brasas enquanto o relógio corre contra o tempo.
Cúpula política reunida: pacto e divergências nos bastidores
Enquanto o trabalho de campo buscava juntar os cacos para a próxima batalha, os bastidores políticos ferveram. Em um gesto de emergência, o presidente Alessandro Barcellos promoveu um encontro com figuras centrais da política colorada. Estiveram presentes ex-dirigentes e os três nomes postulantes à presidência na eleição do final do ano: José Alfredo Amarante, Roberto Melo e Leonardo Aquino.
Na pauta, Barcellos expôs a real gravidade da travessia: as dificuldades financeiras sufocantes, os desafios para honrar os salários e a grave punição do transfer ban imposto pela FIFA, que impede qualquer movimento de mercado para buscar reforços nesta reta final dramática.
As saídas especuladas esbarram no ceticismo de parte dos conselheiros. Siegmann teve uma passagem curta e conturbada na gestão do futebol colorado em 2011, época em que trabalhou com Paulo Roberto Falcão. Já Clemer não comanda uma equipe profissional desde 2018, quando esteve à frente do Brasil de Pelotas. Diante de um momento que exige margem zero de erro, as dúvidas pesam mais do que os consensos.
A pressão sobre a comissão técnica e a avaliação do futebol
Internamente, a avaliação sobre o trabalho do técnico Paulo Pezzolano não é homogênea. Embora os resultados em campo sejam alarmantes, parcelas da direção sustentam que falhas individuais pontuais têm comprometido o trabalho tático. O erro do zagueiro Félix Torres no lance que originou o primeiro gol do Santos, no domingo passado, é apontado nos corredores como um exemplo claro de desatenção que foge ao controle da comissão.
Com cargo ameaçado, o comandante uruguaio encara a partida de sábado como um verdadeiro 'tudo ou nada' para manter-se na casamata colorada.
O trabalho do departamento de futebol como um todo sofre fortes questionamentos interno e externo diante do desempenho do time.
Além da comissão técnica, o executivo de futebol Fabinho Soldado também está sob a mira das críticas. O desgaste estende-se por toda a estrutura do futebol e chega ao topo do clube em um momento em que o Conselho Fiscal cobra explicações adicionais sobre o uso de cartões corporativos e recomenda estudos sobre recuperação judicial.
Sábado decisivo na Arena Condá
Sem tempo para contemplar a tempestade, o Internacional viaja até Chapecó para enfrentar a Chapecoense, neste sábado, pela sequência do Brasileirão. O confronto na Arena Condá ganhou contornos de final absoluta para Paulo Pezzolano. Somente os três pontos trarão o respiro necessário para manter o técnico no cargo.
"Uma derrota ou novo tropeço fora de casa tornará a permanência do treinador praticamente insustentável, forçando a diretoria a procurar um novo comandante em meio ao fantasma da rebaixamento e à impossibilidade de contratar."— Bastidores do futebol colorado