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Morre Jorge Veras, o "Homem Gre-Nal" que marcou os anos 80 do Grêmio

Por: Redação FutebolRS 22/10/2026 Notícias
Cearense que chegou a Porto Alegre para substituir Renato Portaluppi e se tornou um dos nomes mais decisivos da história recente dos clássicos gauchos faleceu aos 67 anos, vítima de um câncer no pâncreas.
Especial · Grêmio

22 de outubro de 2026 · Porto Alegre · Redação

Tem gente que entra pro clube e tem gente que entra pra história do clube. Jorge Veras foi dessas raras figuras que conseguiram as duas coisas ao mesmo tempo: vestiu o manto tricolor por pouco mais de duas temporadas, mas deixou um apelido que atravessou décadas. Nesta quinta-feira (22), o ex-atacante morreu aos 67 anos, em decorrência de um câncer no pâncreas que enfrentava havia algum tempo. Cearense de nascimento, Veras construiu no Rio Grande do Sul o capítulo mais lembrado de uma carreira que passou por campos de várias regiões do Brasil, mas que no Grêmio ganhou um nome que ele carregaria para sempre: o Homem Gre-Nal.

A notícia foi confirmada pelos clubes que fizeram parte da trajetória do jogador e rapidamente se espalhou entre torcedores gremistas, que viveram de perto o auge de Veras nos clássicos do fim da década de 1980. Ele deixa a esposa, Raquel Veras, cinco filhos e sete netos, além de uma legião de admiradores que o viram decidir Gre-Nais e, depois, formar jogadores nas categorias de base.


De Criciúma para substituir um ídolo

A chegada de Jorge Veras ao Grêmio, em 1987, tinha tudo para ser um problema. O clube precisava de alguém para ocupar o espaço deixado por Renato Portaluppi, que havia se transferido para o Flamengo e já era tratado como ídolo máximo da torcida. Veras desembarcou em Porto Alegre vindo do Criciúma, onde havia se destacado, sem muito alarde, mas com a missão de preencher um vazio gigante no ataque tricolor.

Não demorou para a torcida esquecer qualquer desconfiança. No seu primeiro Gre-Nal pelo clube, o 282, válido pelo Campeonato Gaúcho, Veras marcou os dois gols da vitória do Grêmio por 2 a 1 sobre o Inter. Foi o início de uma relação de confiança que se repetiria em outros clássicos daquele ano, com o atacante balançando as redes em mais duas vitórias tricolores ainda em 1987 — temporada na qual também teve papel decisivo na conquista do Campeonato Gaúcho.

Números de quem fez história nos clássicos

O retrospecto de Jorge Veras em Gre-Nais impressiona pela regularidade: ao todo, ele disputou 15 clássicos contra o Inter, com oito vitórias, cinco empates e apenas duas derrotas, além de quatro gols marcados contra o rival. O último confronto de Veras como jogador do Grêmio aconteceu em 1989, ano em que deixou o clube para retornar ao Criciúma, onde havia atuado antes de chegar ao Rio Grande do Sul.

Clássicos 15 Gre-Nais disputados 8 vitórias, 5 empates, 2 derrotas
Artilharia 4 gols no clássico Dois deles na estreia, no Gre-Nal 282
Carreira No Grêmio de 1987 a 1989 Chegou para substituir Renato Portaluppi
Trajetória Jogou até 1997 Depois seguiu carreira como treinador

Uma carreira que começou e terminou formando atletas

Antes de ser o Homem Gre-Nal, Jorge Veras fez sua base no Fortaleza e passou por clubes como Ceará e Ferroviário, no Nordeste, antes de ganhar notoriedade no Criciúma e seguir para o Grêmio. Depois da passagem pelo Tricolor gaúcho, retornou ao time catarinense e seguiu atuando como atacante até 1997, quando decidiu trocar o gramado pela beira de campo.

Foi justamente no Fortaleza, clube onde havia se formado como jogador, que Veras construiu a segunda metade mais marcante de sua história no futebol. Dedicou-se ao trabalho de identificação e formação de jovens talentos nas categorias de base do Tricolor de Aço, passando pelo CT Ribamar Bezerra e também pelo Pici. Entre os nomes que passaram por suas mãos como treinador e formador estão Max Walef, Walfrido, Edinho e Romarinho — jogadores que depois ganhariam espaço no futebol profissional.


O luto dos clubes

A morte de Jorge Veras repercutiu nos dois clubes que mais se identificaram com sua trajetória. O Grêmio publicou uma nota oficial de pesar, reforçando o carinho da torcida pelo jogador que marcou época vestindo o manto tricolor.

"É com profunda tristeza que lamentamos o falecimento de Jorge Veras. Conhecido como Homem Gre-Nal, ele marcou época vestindo o nosso manto e deixou seu nome na história do Tricolor. Desejamos força e expressamos nossos mais sinceros sentimentos aos familiares e amigos neste momento." — Nota oficial do Grêmio

O Fortaleza também se manifestou, destacando o lado de formador de talentos que Veras desenvolveu ao longo de anos de trabalho nas categorias de base do clube cearense.

"O Fortaleza Esporte Clube recebe, com o mais profundo pesar, a notícia de falecimento de Jorge Veras, ex-atleta e profissional que dedicou anos de sua trajetória à captação e ao desenvolvimento de jovens talentos nas categorias de base do Tricolor de Aço." — Nota oficial do Fortaleza

Jorge Veras se vai deixando um legado dividido entre dois estados e duas funções dentro do futebol: o atacante decisivo que o Rio Grande do Sul viu brilhar em clássicos nos anos 80, e o formador paciente que o Ceará viu lapidar talentos décadas depois. Entre um Gre-Nal de estreia com dois gols e uma base inteira de jogadores revelados, fica a imagem de alguém que, dentro e fora de campo, sempre soube o que fazer com a oportunidade que tinha nas mãos.

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