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Aquino defende fundo de investimento, poupa Eduardo Baptista e reafirma carinho por Abel Braga em sabatina no Inter

Por: Redação FutebolRS 23/10/2026 Notícias
Candidato à presidência colorada passou uma hora e meia respondendo sobre a dívida de R$ 1 bilhão, SAF, base e o futuro do comando técnico, na segunda sabatina promovida pelo Grupo RBS.
Internacional · Eleições

23 de outubro de 2026 · Porto Alegre · Redação

Tem noite em que o futebol vira só pano de fundo e o que está em jogo é o próprio clube — suas contas, sua estrutura, seu futuro. Foi assim na noite de quinta-feira (22), quando Leonardo Aquino, candidato à presidência do Inter, sentou-se por uma hora e meia diante de jornalistas do Grupo RBS para explicar como pretende tirar o Colorado do buraco financeiro que soma mais de R$ 1 bilhão em dívidas, sem fugir de perguntas sobre o técnico Eduardo Baptista, o futuro de Abel Braga e os planos para SAF, base e futebol feminino. A sabatina foi transmitida pelo canal Gaúcha Esportes no YouTube e contou com a participação dos jornalistas Eduardo Gabardo, Maurício Saraiva, Leonardo Oliveira, Nani Chemello, Tomás Hammes e Rafael Diverio.

A dívida de R$ 1 bilhão e o plano do fundo de investimento

O ponto central da entrevista foi, sem surpresa, a situação financeira do clube. Aquino não tentou amenizar o tamanho do problema e classificou o cenário como grave, defendendo que a solução não vai aparecer de forma rápida nem simples.

"A situação financeira do clube é gravíssima e não será resolvida da noite para o dia; exige nova gestão e ataque em várias frentes."

Segundo o candidato, o primeiro passo seria buscar recursos junto a um fundo de investimento capaz de antecipar dinheiro ao clube — ele revelou já ter realizado reuniões sobre o tema. A lógica, explicou, é diferente da de um aporte comum: o fundo não libera o valor para novas contratações, e sim para o pagamento de passivos, em troca de juros mais atrativos e prazos mais longos de quitação.

"Um fundo de investimento não quer aportar um valor, R$ 200 milhões, por exemplo, para que o clube vá lá e contrate dois jogadores. Isso vai simplesmente fazer com que se agrave a situação financeira. Ele quer que tu pegue aquele dinheiro e vá pagar passivo. Então, ele te oferece um juro muito mais atrativo do que o de mercado e ele te estabelece uma condição para pagamento mais alongada. Isso faz com que o teu fluxo de caixa seja mais aliviado."

Aquino também citou a possibilidade de uma parceria com uma instituição financeira para criar um produto de investimento — nos moldes de um título de capitalização — voltado a investidores e torcedores, cujo valor retido liberaria crédito ao clube para pagar dívidas sem tocar no orçamento do futebol.

O candidato foi questionado especificamente sobre um fundo de R$ 200 milhões que já havia sido discutido internamente no Inter, com o Beira-Rio citado como garantia da operação. Aquino disse ser favorável à captação de recursos com garantias, mas fez ressalvas duras sobre aquele modelo.

"O problema daquele projeto específico eram as incertezas: não sabíamos a taxa de juros da operação e havia a exigência de alienação fiduciária do Beira-Rio — nosso maior patrimônio. Dar o estádio como garantia num cenário de inadimplência, transferindo a propriedade ao credor, só seria cogitável se a dívida do clube fosse completamente zerada, e ainda assim com ressalvas."

Ele citou ainda o exemplo do aporte da Liga Forte do Futebol, usado para questionar o risco de recursos externos sem destinação formal definida: em vez de abater passivos, o dinheiro teria sido aplicado em contratações caras para a disputa de títulos, movimento que, segundo ele, quase levou o Inter à conquista da Libertadores, mas resultou em colapso financeiro nos anos seguintes, com salários atrasados e luta contra o rebaixamento.

Vendas de jogadores e recuperação judicial como último recurso

Para Aquino, o reequilíbrio das contas também passa necessariamente pela venda de atletas — um mecanismo que, segundo ele, o Inter precisa reaprender a operar com regularidade.

"Lembrem o que o Fernando Carvalho sempre dizia. O Inter precisa de uma boa venda por ano para se manter estável financeiramente. Essa é a verdade. O clube precisa ter uma boa e competente política de futebol e precisa fazer boas vendas."

O candidato disse enxergar a recuperação judicial apenas como última alternativa, caso as outras frentes não deem resultado. Sobre a possível criação de uma SAF, ele mencionou a hipótese de a própria associação ser dona da sociedade, mas não confirmou se essa é, de fato, parte do seu planejamento de governo.

Política de contratações: menos veteranos caros, mais potencial de revenda

Com as finanças estranguladas, Aquino foi direto ao afirmar que não fará investimentos altos em jogadores de idade mais avançada, por entender que a tendência, nesses casos, é não haver retorno financeiro.

"Gastar 5 milhões de dólares em um atleta de 32 anos no atual cenário financeiro do clube seria um ato irresponsável."

A estratégia declarada é mirar o exemplo de clubes como Brighton e Ajax, times conhecidos por formar e vender atletas com lucro. Para isso, Aquino afirmou já ter um acordo fechado com um diretor de inteligência esportiva — profissional, segundo ele, com histórico de tirar clubes de situações falimentares e reconduzi-los à disputa de títulos em médio prazo. O nome só seria revelado no segundo turno, para evitar atritos no ambiente atual do clube.

Esse diretor atuaria ao lado de um diretor técnico — com papel comparado ao exercido por Abel Braga, validando a comissão técnica e a transição de atletas da base — e de um diretor de futebol, responsável pela gestão operacional do dia a dia. Aquino lembrou ainda que o Inter está sob fiscalização da ANRESF, por conta de acordos firmados na CNRD, o que impede o clube de gastar no mercado mais do que arrecada com vendas.

Questionado sobre onde pretende cortar gastos, o candidato defendeu que o custo de operação do futebol profissional deve ser o item menos afetado, para não comprometer a competitividade do time, mas prometeu rigor nas demais áreas do clube.

"Como me disse o Eduardo Bandeira de Mello, é preciso ter coragem para 'cortar na carne' e reequilibrar as contas, sem excessos em nenhuma pasta."

Na base, a proposta do movimento de Aquino é elevar o investimento mínimo de 4% para 10% do orçamento do clube, com foco na captação de atletas sub-17 e sub-20 — um caminho que ele define como aposta de retorno garantido, mais seguro do que grandes contratações de jogadores veteranos.

Eduardo Baptista, Abel Braga e o futuro da comissão técnica

Sobre o comando técnico, Aquino evitou cravar nomes ou perfis, alegando que ainda não há definição se o Inter vai disputar a primeira divisão em 2027 — fator que, segundo ele, torna inviável conversar com treinadores neste momento. Perguntado diretamente se Eduardo Baptista pode seguir no cargo no ano que vem, respondeu com cautela.

"O Eduardo Baptista tem três jogos à frente do Internacional. Vamos deixar ele seguir essa caminhada até o final do campeonato. Depois, a gente vai fazer uma avaliação mais completa dele. É muito difícil avaliar em três partidas."

Na visão do candidato, o momento difícil do time não deve ser atribuído ao treinador, que, segundo ele, deveria ter sido contratado antes. Aquino afirmou ainda não ter procurado nenhum dirigente ou profissional do atual departamento de futebol para conversas, por considerar que isso poderia prejudicar a reta final do Inter no Brasileirão.

"Muito mais importante do que a candidatura do Aquino é o Inter. Então eu acho que não é o momento de eu procurar o Abel para conversar, de eu procurar o Fabinho para conversar, de eu procurar o Eduardo Batista para conversar."

A postura muda quando o assunto é Abel Braga. Aquino deixou claro que deseja manter o ídolo colorado no clube, desde que o organograma proposto por ele seja aceito pelo próprio Abel.

"É um ídolo do clube e é uma pessoa querida por todos os colorados. A ideia, com certeza, é contar com ele, mas eu preciso conversar com ele, mostrar minhas ideias para saber se ele concorda com o organograma que eu quero estabelecer."

Base reestruturada e uma diretoria própria para o futebol feminino

Para reverter a dificuldade do Inter em formar jogadores que gerem receita em vendas futuras, Aquino propôs reorganizar as categorias de base em três fases — Iniciação (sub-8 ao sub-13), com foco em ludicidade e permanência da criança; Formação (sub-13 ao sub-16), com uso do futsal para desenvolvimento técnico; e Transição —, aproveitando as estruturas do Parque Gigante e do CT de Guaíba. A ideia, segundo ele, é evitar que o clube perca talentos por maturação tardia e fazer da base uma fonte constante de reforços competitivos para o time profissional, não apenas um celeiro ocasional de "extraclasses".

No futebol feminino, o candidato defendeu investimento em infraestrutura e formação de atletas como prioridade, no lugar de contratações.

"Sempre a gente escuta falar que as gurias não têm estrutura adequada. Então, ao invés de contratar jogadoras, gastar com jogadoras, vamos investir em infraestrutura para elas. E vamos formar jogadoras. Na verdade, é aplicar para as gurias o que a gente quer aplicar para o futebol masculino."

Ele anunciou ainda a criação de uma diretoria executiva dedicada exclusivamente ao futebol feminino e de uma vice-presidência conselheira para a modalidade, estrutura que, segundo o candidato, hoje não existe no clube.

A sabatina de Aquino foi a segunda de uma série promovida pelo Grupo RBS com os candidatos à presidência do Inter. José Amarante já havia sido entrevistado na quarta-feira (21), e Roberto Melo encerra a rodada de sabatinas nesta sexta-feira (23). O primeiro turno da votação, no Conselho Deliberativo, está marcado para 9 de novembro; se houver necessidade de uma segunda etapa, a eleição no pátio, com participação dos sócios, ocorre em 12 de dezembro.

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