Com retrospecto de 13 anos invicto, Cruzeiro recebe o Bahia em busca de vaga direta na Libertadores
O Mineirão guarda, há treze anos, um incômodo particular para o Bahia: desde 2013, o Tricolor baiano não sai de campo vitorioso contra o Cruzeiro em Belo Horizonte. Nesta quinta-feira, às 21h30, esse retrospecto volta a ser testado, quando as duas equipes se encontram pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro em um duelo direto na briga pela próxima vaga na Copa Libertadores. Para a Raposa, embalada por três vitórias seguidas, trata-se da chance de dar um passo importante rumo à classificação continental. Para o Bahia, de encerrar um jejum histórico justamente contra o adversário que mais lhe custa pontos fora de casa.
Treze anos de domínio celeste no Mineirão
A última vez que o Bahia venceu o Cruzeiro jogando em Belo Horizonte foi em 2013, no segundo turno daquele Brasileirão — curiosamente, na mesma tarde em que a Raposa, já campeã nacional antecipada, recebeu o troféu em campo. Mesmo derrotada, a torcida celeste comemorou a festa do título. De lá para cá, foram outros oito confrontos entre as equipes no estádio mineiro, com direito a cinco vitórias e três empates do Cruzeiro — nenhuma derrota.
Cruzeiro 3 x 0 Bahia
Cruzeiro 1 x 1 Bahia
Cruzeiro 3 x 0 Bahia
Cruzeiro 1 x 0 Bahia
Cruzeiro 1 x 1 Bahia
Cruzeiro 1 x 1 Bahia
Cruzeiro 1 x 0 Bahia
Cruzeiro 2 x 1 Bahia
No turno deste próprio Brasileirão, mesmo fora de casa, o Cruzeiro já havia mostrado a superioridade recente sobre o rival: na Arena Fonte Nova, pela 15ª rodada, buscou uma virada por 2 a 1. Luciano Juba abriu o placar de pênalti para o Bahia, mas Kauã Moraes e Kaique Kenji marcaram os gols celestes que garantiram os três pontos. Olhando para o retrospecto geral, independente do local, o Bahia não vence o Cruzeiro desde 2024, quando aplicou 4 a 1 na Fonte Nova — depois daquele jogo, foram três vitórias celestes e um empate nos confrontos seguintes.
Cruzeiro embala, mas perde peças importantes
O momento da Raposa no Brasileirão é de embalo: depois de vencer Grêmio e Remo, o time de Artur Jorge bateu o Atlético-MG na rodada passada e chegou aos 57 pontos, na terceira colocação, quatro pontos acima do próprio Bahia — hoje o primeiro time fora do G-5. Segundo o Departamento de Matemática da UFMG, as chances de classificação direta do Cruzeiro para a Libertadores de 2027 já são de 98,3%. Eliminada da Copa do Brasil e da própria Libertadores desta temporada, a equipe mineira concentra toda a energia nessa briga por tabela.
O preço do bom momento, porém, vem em forma de desfalques. Contra o Atlético-MG, Villalba, William e Matheus Pereira levaram o segundo cartão amarelo e cumprem suspensão automática. Soma-se a isso a lesão no joelho direito de João Marcelo, que vai passar por artroscopia e só deve voltar aos gramados no início de 2027 — ao todo, mais de um terço do time titular recente estará fora do Mineirão.
Fagner e Fabrício Bruno devem ser os substitutos naturais na lateral direita e na zaga. Na esquerda, Matías Viña aparece como favorito diante de Gabriel Rojas, que vem sendo questionado e não entra em campo desde o dia 12 de outubro, contra o Bragantino. No meio-campo, sem Matheus Pereira, Artur Jorge deve repetir a solução recente: Bruno Rodrigues na função de criação ao lado de Kaio Jorge, com Wesley como alternativa e Gerson podendo ser deslocado para o setor.
Bahia tenta reagir fora de casa
Do outro lado, Rogério Ceni recupera uma peça importante: o zagueiro Kanu, que cumpriu suspensão na rodada anterior, retorna ao time titular. O técnico chegou a avaliar a volta de Everton Ribeiro ao onze inicial, mas a tendência é que o meia continue como opção no banco de reservas. Fora de combate está o lateral Léo Vieira, por lesão.
O recorte estatístico também não favorece o Tricolor baiano: além do jejum de 13 anos como visitante no Mineirão contra o Cruzeiro, o time soma apenas 33% de aproveitamento contra adversários do atual G-6 do Brasileirão nesta temporada — seis derrotas em dez partidas disputadas contra o grupo. Reverter esse quadro justamente contra o terceiro colocado seria o resultado mais simbólico possível para a arrancada baiana rumo à Libertadores.
Como Artur Jorge e Rogério Ceni devem montar as equipes
Com o desfalque de Matheus Pereira, o Cruzeiro perde parte da criação costumeira e deve recorrer à improvisação: Bruno Rodrigues ganhando liberdade para se aproximar de Kaio Jorge, enquanto Lucas Romero e Zé Lucas seguram a marcação no meio. Já o Bahia deve manter a base que vem funcionando sob Rogério Ceni, com Acevedo, Jean Lucas e Rodrigo Nestor compondo o setor central e o trio ofensivo formado por Erick Pulga, Kike Olivera e Alejo buscando espaços pelos lados contra uma zaga improvisada da Raposa.
Escalações prováveis
Otávio; Fagner, Fabrício Bruno, Jonathan Jesus e Viña (Rojas); Lucas Romero, Zé Lucas, Gerson e Bruno Rodrigues; Arroyo e Kaio Jorge.
Técnico: Artur Jorge
Ronaldo; Marcos Victor, David Duarte, Kanu (Marco Moreno) e Luciano Juba; Acevedo, Jean Lucas e Rodrigo Nestor; Erick Pulga, Kike Olivera e Alejo.
Técnico: Rogério Ceni
Pendurados do Bahia: David Duarte, Ronaldo, Rodrigo Nestor, Erick Pulga e Mato Sanabria.
Onde assistir, horário e arbitragem
A bola rola às 21h30 (de Brasília) desta quinta-feira, no Mineirão, em Belo Horizonte. A partida tem transmissão pelo sportv, Premiere e Prime Video, além da cobertura em tempo real do ge.
Árbitro: Rafael Rodrigo Klein (RS)
Assistente 1: Bruno Boschilia (PR)
Assistente 2: Gizeli Casaril (SC)
VAR: Wagner Reway (SC)
Quarto árbitro: Gustavo Ervino Bauermann (SC)
Mais do que um confronto direto na tabela, Cruzeiro x Bahia é o teste de uma escrita que se repete desde 2013: a de que o Mineirão, para o Tricolor baiano, é terreno hostil. Vencer e manter a cola no G-5 colocaria o Cruzeiro a um passo da vaga direta na Libertadores de 2027; para o Bahia, só um resultado positivo mantém viva a esperança de alcançar o grupo antes do fim da temporada.