Yuri Alberto é expulso, Corinthians tem mais dois suspensos e empata sem gols com o São Paulo
- São Paulo e Corinthians travam Majestoso de nervos e empatam sem gols na Vila Belmiro
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A chuva caiu pesado sobre Santos horas antes da bola rolar, encharcou o gramado da Vila Belmiro e, de certa forma, antecipou o clima da noite: um clássico truncado, nervoso e sem gols. Corinthians e São Paulo empataram em 0 a 0 nesta quarta-feira, pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro, num jogo em que o Timão desperdiçou chances boas no primeiro tempo, perdeu Yuri Alberto expulso no segundo e terminou se segurando com um jogador a menos. O resultado deixa o Corinthians ainda mais pressionado: além de permanecer na zona de rebaixamento, a equipe de Clarence Seedorf vai enfrentar o Botafogo, no dia 18 de novembro, sem o centroavante e mais dois titulares suspensos.
Um clássico decidido pelos detalhes
O Majestoso começou embalado por provocação nas arquibancadas, com a torcida paulista tratando o jogo como uma "decisão" para dificultar a vida do rival na luta contra o Z-4. Em campo, porém, foi o Corinthians quem criou as chances mais claras. Antes do intervalo, Yuri Alberto ficou cara a cara com o goleiro Rafael e não converteu. Pouco depois, Matheus Bidu desperdiçou oportunidade dentro da pequena área, e, já nos acréscimos da primeira etapa, o próprio Yuri Alberto preferiu finalizar em cima da defesa paulista em vez de tocar para Vitinho, que estava completamente livre.
Ainda no primeiro tempo, o banco de reservas do Corinthians também sentiu a pressão do árbitro Raphael Claus: Matheus Pereira, que já estava pendurado com dois cartões amarelos, foi expulso por reclamação mesmo sem entrar em campo. Aos 47 minutos, o zagueiro André Ramalho recebeu o terceiro amarelo em falta sobre Lucas e também ficou fora da lista para o próximo compromisso.
Yuri Alberto perde a cabeça e sai de campo
O segundo tempo mudou de perfil. Com o São Paulo equilibrando a partida e empurrando o Corinthians para a defesa, Yuri Alberto, que seguia pendurado desde o primeiro tempo, acertou uma entrada dura em Ferreirinha aos 34 minutos. O árbitro Raphael Claus inicialmente mostrou cartão amarelo — o que já bastaria para a suspensão automática —, mas foi chamado pelo VAR para revisar o lance, voltou atrás e expulsou o atacante com vermelho direto.
A partir daí, o São Paulo fez uma verdadeira blitz ofensiva, encheu a área de cruzamentos e chegou perto de sair com a vitória na Vila Belmiro. O Corinthians, numérica e taticamente pressionado, recuou as linhas e se concentrou em segurar o resultado até o apito final.
O que ficou do confronto
No fim das contas, o Corinthians finalizou 18 vezes, cinco delas no alvo — números que mostram evolução ofensiva desde a chegada de Seedorf, mesmo diante do terceiro pior ataque do Brasileirão, com 36 gols em 34 rodadas, atrás apenas de Chapecoense, Remo e Vitória (que ainda não entrou em campo na rodada). O problema é que, na reta final da temporada e brigando contra o rebaixamento, erros como os de Yuri Alberto custam caro.
Do lado do São Paulo, Dorival Júnior apostou em um trio ofensivo sem um centroavante de referência, deixando Calleri no banco e escalando Artur, Lucas e Luciano. A decisão foi tomada antes da forte chuva que caiu sobre Santos e, segundo o próprio treinador, pesou no desempenho da equipe.
"A ideia era ter mobilidade, não dar referência aos zagueiros do Corinthians. Infelizmente, no momento em que estávamos fazendo a preleção da partida, definida a formação — que eu trouxe a dúvida até momentos antes da saída do hotel —, começou um dilúvio na cidade de Santos."
"Já tínhamos definido o que faríamos e não foi uma decisão errada. Se tivéssemos um campo normal, sem toda aquela chuva, talvez tivéssemos um pouco mais de sucesso com essa formação. A chuva deixou o campo pesado e tive que voltar com um jogador mais fixo." — Dorival Júnior, técnico do São Paulo
Questionado se não deveria ter mudado o plano de jogo ao ver as condições do gramado, Dorival foi categórico em defender a escolha.
"Eu já tinha definido. Não pode voltar atrás. Tudo desenvolvido, trabalhado. Ao longo da semana fizemos todos os testes possíveis para escalar o time assim. Não me arrependo. E não foi por isso que fomos inferiores ao Corinthians no primeiro tempo." — Dorival Júnior, técnico do São Paulo
O treinador também comentou a situação do meio-campista Marcos Antônio, fora dos últimos dois jogos por uma lesão que ainda preocupa o departamento médico tricolor.
"O Marcos eu não sei falar direito. É uma lesão. Não foi um choque, uma batida, um rompimento, mas teve um desgaste que provocou, acho, um rompimento de um vaso, de alguma coisa assim no ligamento. E isso aí não estava conseguindo nem andar. Não sei se vai conseguir retornar esse ano. O trabalho está sendo desenvolvido. Foi feita uma avaliação e acho que não houve necessidade de uma intervenção médica, então vamos fazer um tratamento convencional." — Dorival Júnior, técnico do São Paulo
Torcida do São Paulo cobra o time nas arquibancadas
Se o resultado deixou o Corinthians aliviado, a sensação na Vila Belmiro foi bem diferente para o lado paulista. Mesmo com pretensões limitadas no Brasileirão, o São Paulo tratava o clássico como uma chance de atrapalhar o rival na briga contra o rebaixamento — e saiu de campo sem vencer e xingado pela própria torcida.
"Time de pipoqueiro" — gritos da torcida do São Paulo nas arquibancadas da Vila Belmiro, direcionados aos jogadores e ao técnico Dorival Júnior após o apito final.
Como fica a tabela
Com o ponto somado fora de casa, o Corinthians chegou aos 37 pontos e subiu da 18ª para a 17ª colocação — ainda dentro da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Já o São Paulo, com 44 pontos, segue estacionado no meio da tabela, na 10ª posição, sem grandes pretensões na parte de cima da competição.