Garro lesionado, Yuri Alberto denunciado no STJD: Corinthians vive turbulência pós-Majestoso
Tem jogo em que o placar some atrás das histórias que ele deixa. Foi assim na última quarta-feira, quando Corinthians e São Paulo empataram sem gols pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro. Nenhum gol, muita dor: Rodrigo Garro saiu do campo chorando com uma lesão no joelho, Yuri Alberto foi expulso e agora encara o risco de ficar quase três meses fora dos gramados, e o Corinthians de Clarence Seedorf tenta se equilibrar entre o departamento médico, o STJD e a tabela do Brasileirão.
A lesão de Garro
O capítulo mais sensível da noite envolveu o camisa 10. Aos 38 minutos do primeiro tempo, Garro sentiu o joelho direito, não teve condições de continuar e deixou o gramado visivelmente abatido, sendo substituído por Vitinho. Na manhã de quinta-feira, o departamento médico do Corinthians confirmou o diagnóstico: estiramento no ligamento colateral medial do joelho direito, constatado por ressonância magnética.
O tratamento já começou sob supervisão da equipe médica do clube, mas o Corinthians não deu prazo de retorno para o meia. A ausência preocupa justamente no momento em que o time tenta se afastar do Z4, e torna a recuperação de Garro uma das principais pautas do departamento médico até o fim do ano.
Yuri Alberto no banco dos réus
Enquanto o departamento médico cuida de Garro, o departamento jurídico do clube se prepara para outra batalha. O atacante Yuri Alberto foi denunciado pela Procuradoria de Justiça Desportiva do STJD por dois episódios distintos do mesmo jogo.
O primeiro enquadramento, pelo artigo 254, trata de jogada violenta — no caso, o carrinho em Ferreirinha que resultou no cartão vermelho direto do atacante aos 34 minutos do segundo tempo. Já o artigo 258 pune conduta contrária à ética desportiva e se refere à atitude de Yuri Alberto ao deixar o campo: ele chutou a bandeirinha de escanteio, que tinha o escudo do São Paulo estampado.
Mais duas denúncias no mesmo jogo
Matheus Pereira
Expulso ainda no banco de reservas, no primeiro tempo, por deboche ao árbitro Raphael Claus. Denunciado pelo artigo 258, pode pegar de um a seis jogos.
Corinthians
Denunciado pelo artigo 191, inciso III, que trata do descumprimento de regras do regulamento da competição.
Na súmula da partida, Raphael Claus justificou a expulsão de Matheus Pereira:
"Expulsei por cartão vermelho direto por, ao ser chamado para uma advertência, o mesmo debochou e ignorou meus inúmeros pedidos, inclusive ao pedido do seu próprio treinador."
Vitinho sai do banco e ganha espaço
Se a crise abriu uma porta, foi para Vitinho. Acionado ainda no primeiro tempo no lugar de Garro, o atacante de 33 anos vinha sendo pouco aproveitado nos meses anteriores e agora desponta como alternativa real de Seedorf.
Desde a chegada do treinador holandês, Vitinho já soma 150 minutos em campo: foi titular contra o Vitória (70 minutos), entrou contra o Mirassol (18 minutos) e atuou 62 minutos no clássico contra o São Paulo. O número supera os 130 minutos que o jogador havia disputado nos cinco meses anteriores, entre sua última titularidade antes de Seedorf — contra o Vasco, em 26 de abril — e o jogo que antecedeu a chegada do técnico, contra o Palmeiras, em 11 de outubro.
Pelo Corinthians, Vitinho soma 43 jogos, 14 como titular, seis assistências e um gol marcado. Curiosidade do momento: ele e Seedorf já foram companheiros de Botafogo entre 2012 e 2013, quando o holandês encerrava a carreira e o brasileiro dava os primeiros passos como profissional.
A voz do grupo: Angileri
Titular da lateral esquerda desde a chegada de Seedorf, o argentino Fabrizio Angileri foi um dos destaques do empate — tirou uma bola em cima da linha aos 30 minutos do segundo tempo e evitou o gol do São Paulo. Depois do jogo, ele falou sobre o momento do elenco sob o novo treinador.
"O Seedorf deu importância a todos os jogadores. Eu não vinha tendo minutos como titular. Fui escalado no jogo contra o Vitória como titular. Foi muito importante para mim. Agora, eu me sinto parte de tudo o que está acontecendo. Feliz de poder ajudar a equipe. Aqui há jogadores que estão trabalhando do melhor jeito para ajudar o Corinthians."
"A forma de jogar é distinta. Estávamos acostumados a jogar de um jeito. Agora, todos os jogadores do elenco vão ter oportunidades. Ele falou que precisa de todos, ainda mais nesses momentos difíceis. O grupo está melhor e trabalhando. Todos querem ter seu lugar entre os titulares, isso é importante para a competitividade interna."
Sobre o lance que salvou o time, o lateral explicou:
"Foi uma jogada que achei que não teria perigo, mas a bola freou porque o gramado estava muito ruim. Quando vi o jogador do São Paulo, acelerei e pude tirar a bola."
Angileri também valorizou o ponto conquistado fora de casa e destacou a importância da pausa para a Data Fifa no planejamento do time para o próximo compromisso, contra o Botafogo:
"Tínhamos que pontuar, sabíamos que era um jogo muito difícil. Agora vamos trabalhar. Temos 15 dias adiante. É importante ressaltar que o professor Seedorf chegou há menos de um mês e mudou muitas coisas que foram importantes para nós. Temos que dar tempo para mudar e entender tudo o que ele precisa. Vamos trabalhar do melhor jeito para enfrentar o Botafogo porque precisamos dos três pontos."
O que vem agora
Com a pausa da Data Fifa, o Corinthians só volta a campo no dia 18 de novembro, contra o Botafogo, na Neo Química Arena, pela 35ª rodada do Brasileirão — tempo que Seedorf vai usar para decidir quem substitui Garro e aguardar o julgamento do STJD sobre Yuri Alberto. Com 37 pontos, a equipe paulista ocupa a 17ª posição da tabela, zona de rebaixamento, e tem o Internacional, primeiro time fora do Z4, logo acima, com 38 pontos — uma diferença mínima que torna cada rodada decisiva tanto para o Corinthians escapar quanto para o Inter se afastar da degola.