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Tévez abre o peito sobre o título da Champions pelo United e revela por que o City foi uma "vingança"

Por: Redação FutebolRS 30/10/2026 Futebol Internacional
Em entrevista ao ex-companheiro Rio Ferdinand, o argentino contou os detalhes da promessa não cumprida por Sir Alex Ferguson em 2008 e explicou a saída polêmica direto para o rival de Manchester.
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30 de outubro de 2026 · Manchester, Inglaterra · Redação

Há histórias no futebol que só ganham contorno completo anos depois, quando a mágoa já esfriou o suficiente para virar relato. É assim que Carlos Tévez, hoje longe dos gramados da Premier League, voltou a 2008 para contar o que ninguém sabia sobre a conquista da Champions League pelo Manchester United e sobre a decisão que chocou o futebol inglês: a ida, um ano depois, para o rival local Manchester City. Em conversa com o ex-zagueiro Rio Ferdinand, companheiro de vestiário naquela equipe, o argentino relembrou uma promessa feita por Sir Alex Ferguson que nunca se cumpriu — e que, segundo ele, foi o estopim de tudo.

A promessa feita na pré-temporada

Tévez chegou a Manchester em 2007, emprestado por dois anos pelo West Ham. O acordo previa que, caso o argentino se destacasse, o United pagaria a compra definitiva após a primeira temporada. E foi exatamente isso que aconteceu dentro de campo: título da Premier League, título da Champions League e um Tévez decisivo ao lado de Cristiano Ronaldo e Wayne Rooney. A recompensa, segundo ele, viria naturalmente — e foi prometida pelo próprio Ferguson durante a pré-temporada em Los Angeles, no meio de 2008.

"Eles falaram comigo do empréstimo de dois anos. Que se eu jogasse bem, pagariam a compra após um ano. Fergie me disse: 'Carlos, agora vou pagar a rescisão do seu contrato e você vai ficar em Manchester'. O time foi para a pré-temporada em Los Angeles. Lembro dessa conversa com Fergie. Ele disse: 'Vou pagar pelo Berbatov, mas fique tranquilo, vou te comprar, e a gente resolve seu contrato'."

Berbatov entra, Tévez sai do radar

A palavra de Ferguson, porém, não resistiu ao mercado. Na mesma janela de transferências daquele verão europeu, o United efetivou a contratação do búlgaro Dimitar Berbatov — mas nunca fechou a compra definitiva de Tévez junto ao West Ham. Para o argentino, não foi coincidência: ele credita o movimento a uma estratégia do clube para reduzir o valor que teria de pagar pelos seus direitos.

"Acho que Ferguson tinha, desde o dia em que conversamos, seis meses para cumprir a palavra. E não cumpriu. Pelo contrário, ele começou... Me deixou no banco de reservas. Na minha cabeça, ele começou a me deixar de lado para diminuir o meu valor de transferência. E isso foi o que mais me magoou."

O lance com o Villarreal que expôs a mágoa

Rio Ferdinand lembrou, na conversa, de um episódio específico que deixou a insatisfação de Tévez visível para todo o grupo: um jogo contra o Villarreal em que Ferguson pediu para o argentino ir se aquecer no banco, e Tévez respondeu que já estava pronto para entrar, sem necessidade de aquecimento extra. A reação, pequena em aparência, chamou atenção de quem estava perto — inclusive do próprio Ferdinand.

"Para mim foi difícil, Rio. Foi difícil porque sentia que tinha dado meu coração ao United. E depois não sentia o mesmo de volta. Você lembra, ganhamos a Champions League, ganhamos a liga, e, depois, para baixar meu preço, trouxeram um jogador. E eu levei do mesmo jeito nos primeiros meses. Depois, eu não queria mais saber de nada."
O contexto da época: o Manchester City havia sido comprado em 2008 por um grupo ligado ao governo de Abu Dhabi e começava a investir pesado para se tornar um gigante europeu — um projeto que, anos depois, resultaria em títulos nacionais e continentais e intensificaria de forma definitiva o clássico de Manchester.

Entre o Real Madrid e a "vingança" vestindo City

Com o fim do contrato de empréstimo se aproximando e a relação com o United já desgastada, Tévez se tornou um dos nomes mais cobiçados da Europa. Segundo o próprio argentino, havia conversas avançadas para um possível acerto com o Real Madrid. Foi nesse momento que o City entrou na disputa — e, para a surpresa geral do futebol inglês, venceu a corrida pela contratação direta do atacante, que seguiu em Manchester, mas do outro lado da cidade.

"O United estava aqui, em cima. O City estava aqui, embaixo. Para mim, era um clássico, mas não como se fosse United x Liverpool."

A escolha carregava um peso emocional que foi além do futebol. Tévez define o período no City, onde se tornou um dos primeiros grandes reforços da nova era do clube, como uma resposta direta à forma como se sentiu tratado pelo United ao final daquela temporada histórica.

"Sinto que deixei muito nos dois times, mas, se você me faz escolher, tive um grande tempo no United. E o outro time, o City, para mim foi como vingança por não ter de volta o que eu dei no United."

A ligação para o agente e o apelo da torcida

Ferdinand revelou ainda um detalhe dos bastidores daquela negociação perdida: a diretoria do United teria pedido ajuda a ele próprio para tentar convencer Tévez a permanecer no clube, já no fim da temporada 2008/09. O então zagueiro chegou a ligar para Kia Joorabchian, empresário do argentino na época, mas recebeu a resposta de que a decisão já estava tomada — a mágoa com a promessa não cumprida havia pesado demais.

Tévez também comentou sobre os gritos das arquibancadas de Old Trafford, que pediam insistentemente a contratação definitiva do argentino durante aquela temporada. Para ele, a torcida nunca soube o que realmente se passou nos bastidores entre jogador e comissão técnica — o que ajuda a explicar por que, até hoje, parte dos torcedores do United vê a saída para o City como simples traição, sem conhecer o lado da promessa quebrada.

2007

Chegada por empréstimo

Tévez chega ao United vindo do West Ham, em acordo de empréstimo por dois anos.

2008

Dupla conquista

Título da Champions League e da Premier League na primeira temporada, ao lado de Ronaldo e Rooney.

Verão de 2008

Compra de Berbatov

United efetiva a contratação do búlgaro e não fecha a compra definitiva de Tévez.

2009

Saída para o City

Com o empréstimo perto do fim, Tévez assina direto com o rival Manchester City.

Quase duas décadas depois daquela decisão que dividiu Manchester, Carlos Tévez entrega hoje, em primeira pessoa, o que faltava para entender uma das transferências mais comentadas da história recente do futebol inglês. Não foi só dinheiro, nem só ambição esportiva — foi uma palavra não cumprida que transformou um ídolo de Old Trafford no primeiro grande símbolo da ascensão do City. E, ao reconhecer carinho pelos dois lados da cidade, Tévez deixa claro que a rivalidade que ajudou a acender também carregou, desde o início, uma ferida pessoal.

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