Criador do meme que virou crise diplomática entre Mbappé e a China teme ser processado
Tem gente que vira meme por acaso e tem gente que faz um meme sem imaginar que vai acordar no epicentro de uma crise diplomática. Foi o que aconteceu com o francês Younes Khelifi, criador do perfil "frenchaicovers" no X, que viu uma brincadeira digital sobre Kylian Mbappé ganhar proporções de incidente de Estado entre França e China — e agora admite, entre risos e certo nervosismo, que já se perguntou se vai ser processado pelo próprio atacante do Real Madrid.
A confusão começou com um meme publicado por Khelifi comparando Mbappé a um ditador chinês. A peça circulou rápido, caiu no radar de torcedores e da imprensa chinesa e, de repente, transformou uma piada de internet em um caso que custou ao craque francês patrocínios e obrigou o Real Madrid a se desculpar oficialmente com a China. O estrago não ficou restrito ao jogador: o próprio clube espanhol e a LaLiga sentiram o impacto comercial da repercussão no mercado asiático.
"Acordei e vi que causei um incidente diplomático"
Khelifi contou que estava na cama quando a notícia começou a crescer e, ainda sem entender bem o tamanho do que tinha provocado, resolveu reagir do jeito que sabe: com outra piada nas redes sociais.
"Eu estava na cama e ficava pensando: 'Que loucura é essa?!' Então, cinco minutos depois, tuitei: 'Acordo e vejo que causei um incidente diplomático' (risos). Sinceramente, quando vi isso, me perguntei se haveria consequências legais. Será que o clã Mbappé iria me processar e exigir indenização? Mas pesquisei e não estou muito preocupado."
O criador do meme não escondeu o misto de espanto e humor com a situação. Segundo ele, a primeira reação instintiva foi justamente brincar com a possibilidade de ser alvo de uma ação judicial do atacante francês — hoje um dos nomes mais valiosos e visados do futebol mundial.
"Meu primeiro pensamento foi, literalmente, o que escrevi no tuíte: 'Se você me processar, Mbappé, vou à falência! (risos)'. Enfim, comparado a ele, estou muito melhor! Acompanhei tudo durante o dia, até que esta manhã descobri que a história toda estava na primeira página do L'Équipe. Fui lá e comprei quatro exemplares."
Entre a piada e o arrependimento
Apesar do tom descontraído ao relatar o episódio, Khelifi fez questão de deixar claro que não imaginou, em nenhum momento, que a brincadeira pudesse gerar consequências reais para Mbappé — nem comercialmente, nem diplomaticamente.
"Sinceramente, sinto um pouco de pena do Mbappé. Ninguém teve más intenções e, no fim, isso teve consequências. Não me sinto mal, mas é estranho pensar que, de certa forma, sou a origem de tudo isso. No começo, eu só fazia isso para rir com meus amigos, e agora vejo como tudo está circulando e crescendo diante dos meus olhos."
A fala resume bem o tamanho da bola de neve: o que nasceu como conteúdo de humor entre amigos na internet terminou envolvendo pedido de desculpas público de Mbappé aos chineses, nota oficial do Real Madrid e efeitos sentidos até na gestão de marca da LaLiga no mercado asiático — um dos mais importantes financeiramente para o futebol europeu.
Por ora, Khelifi segue sem qualquer notificação judicial, segundo o próprio relato, e trata o caso mais como uma curiosidade bizarra da era das redes sociais do que como uma ameaça real ao seu bolso. Mbappé, por sua vez, já se desculpou publicamente com a China e tenta conter os danos de imagem e de patrocínio gerados pela repercussão — um lembrete de como um meme pode, em poucas horas, ultrapassar as fronteiras do futebol e chegar à mesa da diplomacia internacional.