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Renato diz que o Grêmio melhorou, mas o Z-4 e os números contam outra história

Por: Redação FutebolRS 19/10/2026 Notícias
Após o 4 a 2 sofrido para o Cruzeiro na Arena, o técnico garantiu que o time evoluiu "em todos os sentidos" desde que assumiu. O retrospecto, porém, mostra queda de aproveitamento e a equipe mais perto do fundo do poço do que estava com Luís Castro.
Especial · Grêmio

19 de outubro de 2026 · Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS) · Redação

Tem discurso que soa como consolo e tem discurso que soa como negação. Na beira do gramado da Arena, horas depois de ver o Grêmio sofrer quatro gols do Cruzeiro em casa e mergulhar ainda mais fundo no Z-4, Renato Portaluppi escolheu o segundo caminho. Questionado sobre uma possível queda de rendimento do time desde que assumiu o comando, em 14 de setembro, o ídolo gremista foi categórico: para ele, a equipe não piorou — melhorou. O problema é que a tabela, o retrospecto e o próprio olho nu dizem o contrário.

A frase que não combina com o resultado

O momento aconteceu na entrevista coletiva de domingo (18), depois da derrota por 4 a 2 diante do Cruzeiro, resultado que empurrou o Grêmio para a 18ª posição do Brasileirão. Perguntado se o time regrediu sob seu comando, Renato rebateu sem hesitar.

"O Grêmio melhorou em todos os sentidos." — Renato Portaluppi, técnico do Grêmio

A fala chama atenção por um motivo simples: desde que Renato assumiu o time, vindo no lugar de Luís Castro, o Grêmio não venceu uma única partida. Foram três empates — contra Palmeiras, Remo e Inter — e agora uma derrota pesada em casa, justamente diante de um Cruzeiro que soube aproveitar os espaços deixados pela defesa tricolor.


O efeito Renato que, desta vez, não apareceu

Se existe um nome no futebol gaúcho associado a reações imediatas depois de uma troca de comando, é o de Renato Portaluppi. O apelido de "efeito Renato" nasceu de episódios concretos: em 2016, ele assumiu o Grêmio em reconstrução e, meses depois, erguia a taça da Copa do Brasil. Em 2022, voltou para liderar a arrancada que devolveu o clube à Série A depois do rebaixamento. Neste ano de 2026, o mesmo efeito apareceu no Vasco, onde, em seus primeiros quatro jogos, o técnico somou 10 pontos — uma campanha que, se repetida no Grêmio atual, bastaria para tirar o time da zona de perigo.

No Tricolor gaúcho, porém, o roteiro foi diferente. Antes da chegada de Renato, o Grêmio esteve no banco na derrota para o Botafogo com Luiz Felipe Scolari ao seu lado na beira do campo. Depois, nas quatro partidas sob seu comando direto, o time não emendou nenhuma vitória e viu o aproveitamento cair justamente no momento em que mais precisava subir.

Retrospecto
Com Luís Castro: 35% de aproveitamento — Grêmio fora do Z-4
Retrospecto
Com Renato Portaluppi: 25% de aproveitamento (3 pontos em 12 disputados) — Grêmio em 18º lugar

Os números mostram o oposto do que o técnico descreveu

Quando Luís Castro deixou o cargo, o Grêmio ocupava a 16ª posição — fora da zona de rebaixamento, ainda que com margem estreita. Com Renato, a equipe caiu duas posições e hoje está no 18º lugar, dentro do Z-4. A comparação direta entre os dois ciclos reforça o contraste: o time que havia vencido o Inter por 3 a 1 na Copa do Brasil com Castro no comando sofreu para empatar o Gre-Nal do Brasileirão já sob Renato. E o revés para o Cruzeiro na Arena foi, segundo quem acompanha o time de perto, pior do que a derrota por 2 a 0 sofrida no primeiro turno, no Mineirão.

Há ainda um detalhe que pesa na comparação: com Castro, o Grêmio só havia sofrido uma goleada daquela magnitude em um único jogo na temporada — o primeiro Gre-Nal do ano. Levar quatro gols em casa, diante de um adversário qualificado, é um sintoma que o discurso de melhora não consegue esconder.


Dentro de campo, os mesmos problemas de sempre

A fala de Renato fala em evolução "em todos os sentidos", mas taticamente a equipe ainda convive com as mesmas fragilidades da era Castro. A marcação continua aberta, os espaços entregues ao adversário se repetem partida após partida e o goleiro Weverton tem sido decisivo para evitar um placar ainda mais constrangedor. No ataque, Carlos Vinicius segue isolado, sem apoio suficiente de meias e atacantes para construir jogadas de forma coletiva.

O episódio mais simbólico da partida contra o Cruzeiro, porém, não foi tático: foi comportamental. A expulsão de Walter Kannemann, em lance considerado desnecessário pela maioria dos observadores, resumiu a sensação de que o Grêmio ainda não encontrou equilíbrio nem dentro, nem fora de campo sob o novo comando.

Com a derrota para o Cruzeiro, o Grêmio chegou a quatro jogos sem vencer com Renato Portaluppi e viu a distância para fora do Z-4 aumentar na reta final do Brasileirão.

O que diz a coluna de GZH

A avaliação crítica também apareceu nos bastidores da imprensa gaúcha. Em sua coluna, o jornalista Marcos Bertoncello resumiu o momento com uma frase direta sobre o apelido que acompanha o técnico desde sempre.

Nem o "efeito Renato" está funcionando no Grêmio. A arrancada que o treinador costuma provocar em suas equipes — vista no título da Copa do Brasil de 2016, no retorno à Série A em 2022 e até nos primeiros jogos pelo Vasco em 2026 — simplesmente não apareceu desta vez. O time mal chega a 30% de aproveitamento sob seu comando. — Marcos Bertoncello, colunista de GZH

A opinião de Bertoncello não é isolada. Em levantamento publicado pelo próprio GZH, comentaristas do jornal foram unânimes ao discordar da avaliação de Renato sobre a evolução do time. Um deles resumiu o ceticismo de forma direta.

É difícil dizer que o Grêmio melhorou quando a vitória ainda não veio. São três empates e uma derrota acachapante em casa. A essa altura do campeonato, o que interessa são os três pontos — e eles não aparecem. — Análise publicada em GZH
Se existe melhora, ela é invisível. O Grêmio mudou de técnico para melhorar, mas até agora só piorou: saiu da 16ª posição, fora do Z-4, para o 18º lugar, dentro da zona de rebaixamento. — Análise publicada em GZH

O discurso de Renato Portaluppi pode até refletir uma leitura interna sobre postura, treino e comportamento de grupo — fatores que não aparecem no placar, mas que o técnico diz perceber no dia a dia. No campo, porém, o que ficou registrado depois de quatro rodadas foi um Grêmio sem vitórias, com aproveitamento pior do que o de seu antecessor e afundado no Z-4 pela primeira vez na temporada. O próximo teste vem fora de casa: o Tricolor visita o Coritiba no dia 25 de outubro, às 18h, em jogo que pode custar ainda mais caro se o "efeito Renato" continuar sem aparecer dentro das quatro linhas.

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