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Amarante promete teto salarial abaixo de R$ 1 milhão e corte geral para destravar a dívida do Inter

Por: Redação FutebolRS 21/10/2026 Notícias
Primeiro candidato sabatinado pelo Grupo RBS, empresário detalha plano financeiro, nova política de contratações e o futuro de Fabinho Soldado, Eduardo Baptista e Abel Braga
Eleições no Inter

21 de outubro de 2026 · Sabatina ao vivo · Redação

A sala estava montada, as câmeras ligadas e o relógio marcando quase uma hora e meia de conversa quando José Amarante, candidato à presidência do Inter, resumiu o diagnóstico que pretende aplicar no clube caso seja eleito: gastar só o que existe no caixa. Nesta quarta-feira (21), o empresário foi o primeiro dos três presidenciáveis a passar pela sabatina do Grupo RBS, transmitida ao vivo pelo canal Gaúcha Esportes, e usou boa parte do tempo para detalhar como pretende enfrentar o endividamento colorado — prometendo, entre outras medidas, um teto salarial inferior a R$ 1 milhão para o elenco profissional.

Integrante do Movimento Sou Inter, Amarante foi entrevistado pelos jornalistas Eduardo Gabardo, Maurício Saraiva, Leonardo Oliveira, Nani Chemello, Tomás Hammes e Rafael Diverio. O primeiro turno da eleição, no Conselho Deliberativo, está marcado para 9 de novembro. Caso nenhum candidato atinja o resultado necessário, haverá votação no pátio com participação dos sócios em 12 de dezembro.

Dívida é a prioridade número um

Direto ao ponto, o candidato colocou o endividamento como o maior problema do clube hoje — o Inter aparece na sétima posição entre os clubes mais endividados do Brasil, segundo levantamento divulgado recentemente. Para ele, a solução não passa por buscar dinheiro novo, e sim por reorganizar a casa.

"Vai ter que ter corte no clube inteiro. Não é só o futebol. Você vai ter que reorganizar a gestão do Internacional. Ela precisa ser reorganizada e ser focada na questão da produtividade. E, ao mesmo tempo, redução." — José Amarante

Amarante foi além e apresentou números para ilustrar o tamanho do desafio. Segundo ele, o orçamento anual do clube é de R$ 600 milhões, mas o dinheiro que efetivamente entra no caixa é de R$ 400 milhões — a diferença de R$ 204 milhões viria da venda de atletas, receita incerta e que não pode ser tratada como garantida.

Os números citados por Amarante na sabatina:
  • Orçamento total do Inter: R$ 600 milhões
  • Receita que efetivamente entra no caixa: R$ 400 milhões
  • Diferença coberta por venda de atletas: R$ 204 milhões
  • Arrecadação mensal atual: R$ 8 milhões (meta: chegar a R$ 14/16 milhões)
  • Perda estimada em caso de queda para a Série B: R$ 120 milhões

O candidato afirmou que, nos cinco primeiros meses de uma eventual gestão, já teria condições de apresentar aos credores um prazo para o equilíbrio financeiro do clube. Ele reconhece, porém, que um rebaixamento à Série B tornaria o cenário muito mais difícil, já que reduziria a força de negociação do Inter junto a quem tem dinheiro a receber. Por ora, recuperação judicial e SAF não estão no horizonte imediato — o foco, segundo ele, é a reorganização financeira interna.

Teto salarial abaixo de R$ 1 milhão

Na entrevista, Amarante confirmou que pretende instituir um limite mensal para os salários do time profissional. Ele não revelou o valor exato, alegando que o número ainda está em estudo, mas garantiu que ficará abaixo de R$ 1 milhão.

"Nós vamos ter teto salarial no profissional. Tenho um valor, mas não quero levantar porque está em estudo." — José Amarante

Para o candidato, a raiz do problema financeiro do Inter está diretamente ligada à forma como o clube monta o elenco nos últimos anos.

"O Inter investe mal. O Inter contrata mal. E não é de hoje, é de sempre." — José Amarante

Scout, base e contratos sem "alongamento"

Amarante lembrou que o Inter já passou por duas situações de risco de queda para a segunda divisão — em 2016 e na temporada passada — e vive um terceiro momento de pressão agora, sem que medidas concretas tenham sido tomadas nas vezes anteriores. A proposta dele é mudar o critério de contratação: menos aposta em nomes de impacto imediato e mais investimento em categoria de base e em um sistema de observação (scout) voltado a jogadores entre 18 e 23 anos, que possam gerar valorização futura.

Segundo o candidato, qualquer reforço será avaliado primeiro pelo viés financeiro — se o valor pedido pelo atleta já estiver fora do teto estipulado, o jogador nem chega a ser analisado tecnicamente. E quem for contratado precisa ter contrato pensado para permitir corte rápido em caso de desempenho abaixo do esperado, sem prorrogações forçadas.


Fabinho Soldado fora, Eduardo Baptista em aberto

Questionado sobre nomes do atual departamento de futebol, Amarante foi direto ao falar do executivo Fabinho Soldado: não continuará no cargo, independentemente do resultado do Inter na Série A.

"Não ficará conosco. Independentemente se cair ou se ficar." — José Amarante

Já sobre o técnico Eduardo Baptista, o candidato evitou cravar uma decisão, mas fez questão de valorizar o início de trabalho do treinador, que assumiu o Inter em situação delicada na tabela.

"O melhor aproveitamento de técnico que nós tivemos até agora foi dele. Teve três jogos, uma vitória, um empate e uma derrota. Se nós mantivermos isso, a gente tem chance de escapar." — José Amarante
"Ele vai ser muito valorizado se mantiver o Inter na primeira divisão. Não estou dizendo que ele será o nosso treinador. Estou dizendo que ele vai ser respeitado, será ouvido e analisado." — José Amarante

Para Abel Braga, atual coordenador técnico, o discurso foi de permanência e confiança. Amarante o chamou de "patrimônio do Inter" e projetou um papel de ponte entre o Conselho de Gestão e a comissão técnica, caso seja eleito.

"Eu não quero mexer no Abel. Nós vamos ter no Abel a relação do futebol com o Conselho de Gestão. Em hipótese alguma, tu verás eu conversando, ou alguém do Conselho de Gestão, conversando isoladamente com algum membro da comissão técnica. O único será o Abel. Para nós, ele é mais um consultor do que qualquer outra coisa." — José Amarante

Comitês mensais e um CEO ainda sem nome

Amarante também detalhou como pretende organizar a gestão caso vença a eleição: comitês por área, com acompanhamento mensal — não mais a cada 90 dias — e um Conselho de Gestão responsável por cruzar relatórios e cobrar resultado dos executivos. Sobre a figura de um CEO, o candidato disse já manter conversas com um profissional que vem ajudando no diagnóstico do clube, mas preferiu não revelar o nome. O mesmo vale para o futuro vice-presidente de futebol: segundo ele, os nomes já estão em negociação, mas ainda não serão anunciados.

A sabatina de Amarante abre a série de entrevistas do Grupo RBS com os candidatos à presidência do Inter. Na quinta-feira (22), é a vez de Leonardo Aquino passar pelo mesmo formato; na sexta (23), fala Roberto Melo. O primeiro turno da votação no Conselho Deliberativo está marcado para 9 de novembro, com eventual eleição no pátio, envolvendo os sócios, em 12 de dezembro.

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