A rodada que pode salvar — ou condenar — a Dupla Gre-Nal mora nas defesas furadas de Coritiba e Botafogo
Tem jogo que se decide no detalhe técnico, no lance de bola parada, no erro de arbitragem. E tem rodada que se decide antes da bola rolar, só de olhar a lista de gols sofridos na temporada. É esse o caso da 32ª rodada do Brasileirão: Inter e Grêmio, encurralados na parte de baixo da tabela, vão encontrar dois adversários que sofrem para se defender tanto quanto a Dupla sofre para escapar do rebaixamento. Botafogo e Coritiba estão entre as piores defesas do campeonato — e isso, para quem precisa de vitória como o ar que respira, é o tipo de informação que vale ouro.
A lógica é simples e cruel: faltam sete rodadas para o fim da competição, Chapecoense e Remo já são tratados como praticamente rebaixados pelas projeções estatísticas, e restam poucas vagas de sobrevivência na parte de baixo da tabela. Grêmio e Inter estão nessa briga, e cada ponto somado contra defesas vulneráveis pode valer mais do que parece numa tabela ainda embaralhada.
O retrato das piores defesas do Brasileirão
A pior defesa do campeonato é, disparada, a da Chapecoense: 62 gols sofridos, mesmo contando o jogo atrasado contra o Vasco. A distância para o segundo lugar nesse ranking é enorme. Ali, empatados com 49 gols sofridos, aparecem Remo e Coritiba — justamente o próximo adversário do Grêmio. O Coxa chega para o duelo contra os gremistas na pior fase possível: perdeu de virada por 1 a 0 para o time misto do Atlético Mineiro e amarga a sexta partida seguida sem vencer, o que já acendeu o sinal de alerta entre os paranaenses.
Já o Botafogo, próximo rival do Inter, tem a terceira pior marca defensiva da competição, com 48 gols sofridos. A diferença é que o Fogão chega numa pegada ligeiramente diferente: na rodada anterior, conseguiu finalmente deixar o gol zerado, batendo a própria Chapecoense por 1 a 0 — resultado que também marcou a primeira vitória de Tite no comando da equipe carioca.
Coritiba
2ª pior defesa do Brasileirão, ao lado do Remo. Seis jogos sem vencer. Enfrenta o Grêmio na segunda-feira, no Couto Pereira.
Botafogo
3ª pior defesa do Brasileirão. Vem de vitória por 1 a 0 sobre a Chapecoense, a primeira de Tite no comando. Enfrenta o Inter no sábado, no Beira-Rio.
Seabra sob pressão, Tite em reconstrução
No Coritiba, quem sente o peso da má fase é o técnico Fernando Seabra, no cargo desde o início da competição e cada vez mais pressionado pelo momento ruim da equipe. Ele prefere não se render ao clima de desespero e tenta blindar o grupo do que acontece fora de campo.
"O fantasma existe se sucumbir mentalmente. O foco não pode ser naquilo que os outros estão fazendo, o foco não pode ser na situação da tabela, o foco é naquilo que a gente vai fazer para conseguir vencer o próximo jogo. Porque uma vitória muda tudo nesse cenário aqui." — Fernando Seabra, técnico do Coritiba
Do outro lado, Tite vive situação diferente: assumiu o Botafogo recentemente e herdou uma defesa que precisa ser reconstruída praticamente do zero. A vitória sobre a Chapecoense, mesmo que magra, serviu como primeiro respiro para o trabalho que começa a ser moldado.
"Cada jogo tem sua história e não podemos projetar a situação dessa para o outro jogo. (...) A equipe foi sólida, competitiva, colocou um volume de oportunidades." — Tite, técnico do Botafogo
Tite vai justamente reencontrar o Beira-Rio no sábado, desta vez do outro lado do campo, comandando o Botafogo contra o Inter. Já o duelo entre Coritiba e Grêmio fica marcado para a segunda-feira, no Couto Pereira — crava, portanto, dois compromissos decisivos para a Dupla Gre-Nal numa mesma rodada.
Sete rodadas, poucas vagas de sobrevivência
O recorte estatístico ajuda a entender o tamanho da pressão. Segundo levantamento do Departamento de Matemática da UFMG, Chapecoense e Remo já são tratados como praticamente rebaixados pelas projeções. A partir daí, a zona de risco real começa no Coritiba, atual 12º colocado — todos os clubes posicionados acima dele têm menos de 1% de chance de queda. Do Coxa para baixo, porém, ninguém está garantido, e o resultado das sete rodadas finais vai decidir quem acompanha Chapecoense e Remo rumo à Série B.
Grêmio e Inter estão exatamente nessa disputa, dependendo de vitória na 32ª rodada para conquistar uma semana de respiro fora do Z-4. E é aí que a estatística das defesas furadas de Coritiba e Botafogo ganha peso: não garante nada, mas abre uma janela real de pontos num momento em que cada detalhe pesa.
Com a Dupla Gre-Nal mergulhada na briga direta contra o rebaixamento, os próximos compromissos chegam carregados de significado: Inter recebe o Botafogo no sábado, no Beira-Rio, e o Grêmio visita o Coritiba na segunda-feira, no Couto Pereira. Dois rivais que sofrem atrás, dois times gaúchos que precisam urgentemente sofrer menos na pontuação. A tabela segue aberta, mas o tempo está cada vez mais curto.