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Polícia exige passaporte de David, do Vasco, em investigação sobre crime organizado

Por: Redação FutebolRS 30/10/2026 Futebol Brasileiro
Enquanto o Vasco tenta resolver o mando de campo contra o Palmeiras na semifinal da Copa do Brasil, o nome do atacante volta ao centro de um inquérito que já tirou o sono da Colina em agosto.
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30 de outubro de 2026 · Rio de Janeiro · Redação

Tem partida marcada para o dia 8 de novembro, mas antes de pensar em escalação o Vasco precisa lidar com um problema que não cabe dentro de quatro linhas. O atacante David Corrêa foi intimado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro a entregar o passaporte, numa medida que também serve para formalizar ao jogador as decisões tomadas pela Justiça do Espírito Santo dentro da investigação que apura ligação de suspeitos com o crime organizado.

A notícia chega justamente na semana em que o clube de São Januário discute logística para o confronto contra o Palmeiras, pela volta da semifinal da Copa do Brasil. O contraste é evidente: de um lado, a diretoria vascaína tentando garantir seu estádio para o jogo mais importante do ano; do outro, um atleta do elenco sob vigilância da Justiça em dois estados diferentes.

Uma investigação que começou em agosto

O caso não é novo. Há dois meses, equipes da Polícia Civil do Espírito Santo deflagraram a operação "A Tropa", cumprindo quatro mandados de prisão temporária e 15 de busca e apreensão. As diligências passaram por municípios da Grande Vitória e por Afonso Cláudio, no interior capixaba, além de alvos em cidades do Rio de Janeiro, de Goiás e do Distrito Federal. Na ocasião, cerca de 100 policiais civis, mais de 38 viaturas e dois helicópteros foram mobilizados numa ação de alcance interestadual.

David foi um dos atingidos pelas buscas naquele momento, apontado como alvo de uma apuração sobre tráfico de armas e drogas. Segundo a Polícia Civil do Espírito Santo, a investigação busca esclarecer o possível envolvimento de outros atletas profissionais e de empresários do futebol com a organização criminosa investigada.

Pedidos negados pela Justiça

A defesa do jogador destaca que pedidos de prisão preventiva contra David, assim como tentativas de bloqueio de imóvel e de ativos financeiros, foram negados pela Justiça. Para o advogado Silmar Junior, isso reforça a fragilidade das acusações. Ele também pontua que o recebimento da denúncia não equivale a uma condenação, apenas a um juízo preliminar sobre fatos que ainda serão discutidos ao longo do processo.

"A defesa de David nega integralmente as acusações desde o início das investigações e reafirma sua plena confiança na inocência do atleta. Os pedidos de prisão preventiva, bloqueio de imóvel e de ativos financeiros foram negados pela Justiça, circunstância que reforça a posição da defesa quanto à fragilidade dos elementos apresentados contra o atleta. O recebimento da denúncia não representa condenação, mas apenas um juízo preliminar sobre fatos que serão esclarecidos no curso do processo. David segue colaborando com a Justiça, como sempre fez desde o início. Cumprirá as determinações judiciais e, ao final, restará demonstrada sua total inocência, com a consequente absolvição." Silmar Junior, advogado de David

Enquanto isso, o Vasco corre contra o tempo pelo Maracanã

O noticiário envolvendo David chegou no mesmo dia em que o Vasco recebeu uma resposta rápida — e surpreendente — do Consórcio Fla-Flu. Em nota, a Fla-Flu Serviços informou que coloca o Maracanã à disposição do clube para o jogo de volta da semifinal da Copa do Brasil, contra o Palmeiras, em 8 de novembro. Segundo o comunicado, não há conflito de datas com Flamengo e Fluminense, e o gramado estaria em condições adequadas, com tempo de recuperação após a partida.

A gestão do estádio, porém, destacou que a decisão final cabe ao próprio Vasco e à CBF. E é aí que está o detalhe: mesmo com a oferta na mesa, a cúpula vascaína segue irredutível. O plano é manter o duelo em São Januário, de acordo com o desejo de jogadores, comissão técnica e diretoria.

A situação é parecida com a que o clube viveu antes do jogo contra o Boca Juniors, pela semifinal da Copa Sul-Americana: o Vasco também queria mandar aquela partida em São Januário, mas o estádio não atendia às regras de capacidade mínima exigidas pela Conmebol para aquele torneio continental. Na Copa do Brasil, a exigência é outra, o que abre espaço para a Colina insistir em jogar em casa.

Negociação por mais lugares

Por enquanto, o Vasco nem abriu a venda de ingressos para o confronto. O motivo é uma negociação em andamento com a Polícia Militar e o Ministério Público para ampliar a capacidade de São Januário para cerca de 25 mil lugares, com reforço na divisão entre torcidas mandante e visitante.

O episódio reaproveita uma disputa recente: antes de enfrentar o Boca Juniors em 20 de outubro, Vasco e o Consórcio Fla-Flu já haviam travado uma briga judicial no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro pelo uso do Maracanã, depois que o clube recebeu negativa dos rivais cariocas.

No campo esportivo, o Vasco mira a vaga na final da Copa do Brasil contra o Palmeiras. Fora dele, a diretoria tenta equacionar mando de campo e segurança, enquanto o nome de um dos seus jogadores continua sob holofote judicial em outro estado. São frentes diferentes, mas que caminham juntas no calendário do clube nas próximas semanas — e que devem seguir pautando a cobertura em torno de São Januário até a decisão da Copa do Brasil, em novembro.

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