Botafogo vive semana de tensão e clima de cobrança antes de duelo decisivo com o Atlético-MG
Tem campeão que carrega a estrela no peito como um troféu e tem campeão que a carrega como um peso. O Botafogo, dono do título brasileiro, chega à reta final da temporada 2026 olhando mais para baixo do que para cima na tabela, e é nesse clima de desconfiança que o elenco se prepara para enfrentar o Atlético-MG, quarta-feira (04), às 21h30, no Estádio Nilton Santos. A equipe carioca soma 39 pontos e ocupa a 11ª colocação do Brasileirão, apenas três pontos acima do Corinthians, primeiro time dentro da zona de rebaixamento — e a quatro dias do confronto, a lista de dores de cabeça no clube é maior do que a de boas notícias.
Um campeão que teme a queda
Pela primeira vez desde que o Botafogo se tornou SAF e passou a receber investimento pesado, o clube enfrenta uma ameaça real de rebaixamento. A distância para a parte de baixo da tabela vem encolhendo a cada rodada, com os concorrentes diretos reagindo, e o time que ostenta a taça de campeão brasileiro corre o risco real de brigar pela permanência até a última rodada. É um contraste que incomoda o vestiário e alimenta a pressão interna.
Danilo fora do grupo, zagueiros também de folga
O técnico Tite não pôde contar com o volante Danilo no treino aberto à imprensa neste sábado. Em recuperação de um problema muscular que já havia tirado o jogador da derrota para o Remo, ele trabalhou separado do restante do elenco. Os zagueiros Arthur Chaves e Kaio Pantaleão também ficaram fora das atividades coletivas, reforçando a lista de desfalques a poucos dias da partida contra os mineiros.
Na parte aberta do treino, a comissão técnica dividiu o grupo em dois times para um coletivo. De um lado, uma formação próxima da titular: Gabriel Batista; Alex Telles, Monzón, Ferraresi e Mateo Ponte; Huguinho, Medina e Edenilson; Kauan Toledo, Montoro e Tiquinho. Do outro, Warleson; Vitinho, Justino, Marçal e Paulinho; Allan, Domingos Andrade e Ziyech; Matheus Martins, Danilo Pereira e Arthur Cabral.
Danilo
Volante treinou separado por problema muscular e desfalcou o time também contra o Remo. Situação é acompanhada de perto pela comissão técnica.
Arthur Chaves e Kaio Pantaleão
Zagueiros também não participaram da parte principal do treino aberto deste sábado.
Medina não convence no posto de camisa 10
Enquanto a lesão de Danilo preocupa, outro nome segue sob holofote por motivo diferente: o rendimento. Cristian Medina, contratado em fevereiro junto ao Estudiantes como principal reforço da janela de início de ano, voltou a ser titular na derrota por 2 a 1 para o Remo — no lugar de Montoro, suspenso — e não conseguiu se impor como articulador do time.
O argentino já passou por quatro treinadores no Botafogo e foi testado em diferentes funções: primeiro volante com Martín Anselmi, sem sucesso pela falta de características de marcação; depois, meia de ligação e opção saindo do banco sob Franclim Carvalho e Rodrigo Bellão. Contra o Remo, com Tite, ele foi deslocado para armar as jogadas, mas os ataques do Botafogo passaram pelas pontas, e Medina teve atuação apagada antes de ser substituído aos 22 minutos do segundo tempo, depois de dar 26 passes sem finalizar nenhuma vez.
Números ofensivos de Medina
2 gols · 1 assistência · 35 finalizações · 12 cartões amarelos provocados em adversários.
Números defensivos de Medina
45 desarmes · 27 faltas cometidas · 47 faltas recebidas.
Com o retorno de Montoro, que cumpriu suspensão, Tite ganha de volta sua opção natural para o setor de criação na partida contra o Atlético-MG.
Vazamento sobre prêmio incomoda Tiquinho
Antes do treino deste sábado, o centroavante Tiquinho Soares foi à zona mista e criticou a repercussão em torno de uma suposta premiação aumentada para o elenco na luta contra o rebaixamento. Para o atacante, o assunto ganhou proporção desnecessária.
"Todo início de temporada é passada uma quantia para os jogadores, se é campeão e se vence jogos. Todos os clubes do Brasil e do mundo têm essa metodologia de prêmio. Acho que estão falando demais sobre prêmio gigantesco e isso é asneira de quem vazou. Todos os clubes do Brasil têm premiação e no Botafogo não é diferente. Estou vendo muita zoada, muito barulho por uma coisa que é minúscula."
— Tiquinho Soares, centroavante do Botafogo
Tiquinho também não escondeu o momento de pressão vivido pelo grupo e assumiu que o time está devendo no Campeonato. Em sua segunda passagem pelo clube, ele se colocou como liderança justamente neste momento mais delicado desde a chegada da SAF.
"O clima está sendo de cobrança. A gente está se cobrando bastante porque sabe que está devendo no Campeonato. Eu nunca vivi essa situação aqui no Botafogo. Desde que cheguei em 2022 a gente sempre esteve no alto da tabela. Então basta nós jogadores nos unirmos cada vez mais para que a gente possa retomar a confiança e as vitórias, que é o mais importante."
— Tiquinho Soares
O atacante ainda fez um apelo direto à torcida para a partida de quarta-feira, lembrando de outros momentos difíceis em que o apoio das arquibancadas ajudou o time a reagir.
"Eu já peguei aqui momentos ruins que a torcida foi lá e fez uma grande festa. A gente sabe o quanto é importante a torcida estar do nosso lado. Não larga nós não. Pode ter certeza que vamos dar a vida para sair dessa situação."
— Tiquinho Soares
Defesa, o calcanhar de Aquiles
Se o nome do Botafogo aparece ao lado da palavra rebaixamento em 2026, a explicação passa em boa parte pelo sistema defensivo. O time soma 53 gols sofridos em 33 rodadas, a segunda pior marca da Série A — só a lanterna Chapecoense sofreu mais. O goleiro Gabriel Batista, reforço desta temporada, tem sido um dos poucos pontos positivos no meio da oscilação, mas reconhece o incômodo com os números.
"Não só time grande, qualquer goleiro odeia levar gol. Mas a gente não pode levar isso para o campo. Temos que trabalhar da melhor forma para diminuir os números. O mais importante é o Botafogo estar vencendo e queremos buscar isso o quanto antes para mudar as coisas."
— Gabriel Batista, goleiro do Botafogo
Do outro lado, o Atlético-MG mira as vagas internacionais
Enquanto o Botafogo luta para se afastar do Z-4, o adversário de quarta-feira vive realidade bem diferente. O Atlético-MG ocupa a 7ª colocação do Brasileirão, com 50 pontos somados em 33 rodadas, resultado de 14 vitórias, 8 empates e 11 derrotas. Fora da briga pelo título, o time mineiro ainda disputa uma vaga nas competições internacionais da próxima temporada, o que torna a visita ao Nilton Santos um compromisso de peso também para o lado alvinegro mineiro.
Onde e quando assistir
Botafogo e Atlético-MG se enfrentam pela 34ª rodada do Brasileirão nesta quarta-feira (04), às 21h30 (de Brasília), no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro. A partida tem transmissão de Premiere, Globoplay, Record e SporTV.
Com o técnico Tite ainda em busca de uma identidade vencedora e o vestiário dividido entre a cobrança externa e a tentativa de se blindar internamente, o Botafogo entra na reta final do Brasileirão precisando reverter uma sequência que incomoda tanto quanto qualquer vazamento de bastidor. O duelo com o Atlético-MG, direto na briga por pontos e por confiança, pode ser o primeiro passo para o atual campeão se afastar de vez da zona de perigo — ou aprofundar a crise que já tira o sono da torcida alvinegra.