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O rombo de R$ 250 milhões: Grêmio e Inter diante do fantasma da Série B

Por: Redação FutebolRS 19/10/2026 Notícias
Depois do 4 a 2 sofrido para o Cruzeiro na Arena, colunistas gaúchos tratam a queda do Tricolor como praticamente certa — e as contas mostram que o prejuízo da segunda divisão pode ultrapassar R$ 250 milhões para a dupla Gre-Nal já em 2027.
Especial
19 de outubro de 2026 · Porto Alegre · Redação

Tem crise que se mede em gols e tem crise que se mede em planilha. O Rio Grande do Sul futebolístico está vivendo as duas ao mesmo tempo. No campo, o Grêmio afundou mais um degrau na zona de rebaixamento depois de perder de 4 a 2 para o Cruzeiro, em casa, no domingo (18). Fora dele, Grêmio e Inter já fazem as contas de um estrago que pode superar R$ 250 milhões nos cofres da dupla, caso a Série B se confirme no horizonte de 2027. A matemática do Brasileirão ainda deixa uma fresta de esperança. A realidade dentro de campo, segundo quem acompanha o dia a dia dos dois clubes, está cada vez mais perto de fechar essa porta.

As contas que assombram o Gre-Nal

O alerta vem de dentro da própria tabela de recebimentos da CBF. Em 2026, Grêmio e Inter recebem cerca de R$ 150 milhões cada um só com a cota de TV da Série A — algo em torno de R$ 12,5 milhões por mês para cada clube. Na segunda divisão, o cenário é bem mais modesto: os clubes da Série B embolsam R$ 15,5 milhões ao longo de todo o ano.

Para 2027, os valores da segunda divisão ainda podem mudar por conta dos acordos das ligas de clubes. O Inter integra o bloco da Futebol Forte União (FFU), que no melhor cenário possível levaria o valor a R$ 24 milhões — depende de quantos clubes do grupo estiverem na Série B no ano que vem. Já pelo lado da Libra, a quantia depende de um novo acordo ainda não fechado, mas não deve alterar muito o que já é pago hoje na segunda divisão.

Na prática, isso significa que a cota mensal que hoje gira em torno de R$ 12,5 milhões para cada lado do Gre-Nal pode despencar para no máximo R$ 2 milhões por mês em 2027. Só nesse item, o rombo projetado passa de R$ 250 milhões — sem contar patrocínios, bilheteria e venda de produtos, que também encolhem fora da elite.

Cota de TV hoje (Série A)2026

~R$ 150 mi/ano

Cota de TV na Série B2026

R$ 15,5 mi/ano
O cálculo do estrago: de ~R$ 12,5 milhões por mês para, no máximo, R$ 2 milhões por mês em cota de TV — uma queda que, somada para os dois clubes, supera R$ 250 milhões em 2027, segundo projeção do colunista Eduardo Gabardo.

O 4 a 2 que encurtou a esperança

Se o rombo financeiro ainda é projeção, o que aconteceu na Arena no domingo já é fato — e pesou como combustível para o pessimismo. O Grêmio até fez uma primeira etapa acima do que vinha apresentando nas rodadas anteriores: abriu 2 a 1 e balançava a torcida com a sensação de que, finalmente, poderia respirar.

A sensação durou até o intervalo. No segundo tempo, o técnico Arthur Jorge inverteu as posições de Gerson e Matheus Pereira no Cruzeiro, e o time mineiro passou a carteiar a partida desde a defesa, comandando as ações. O empate saiu logo nos minutos iniciais da etapa final. Aos 15, Kaio Jorge — autor dos três gols mineiros na tarde — fez o terceiro. Cinco minutos depois, Renato Portaluppi tentou a cartada de tirar Gustavo Krovi para colocar Braithwaite, repetindo uma mudança já vista no último Gre-Nal. Não funcionou.

No mesmo lance, Kannemann recebeu cartão amarelo, insistiu na reclamação, fez gesto de "roubo" para o árbitro e foi expulso direto. Com um jogador a mais, o Cruzeiro fechou a conta em 4 a 2 — e, segundo os colunistas, só não fez mais gols porque não quis.

A derrota para o Cruzeiro escancarou o tamanho da encrenca do Grêmio no Brasileirão. Com 31 pontos e aproveitamento de 33%, ainda é matematicamente possível escapar da Série B, mas o caminho até os 45 pontos é longo. Dentro de campo, tudo indica que o rebaixamento é o destino. Luciano Périco, colunista de GZH

Personagens de uma tarde para esquecer

Para os colunistas, a derrota não foi acidente de percurso — foi retrato de um problema estrutural que se arrasta há mais de três anos. O elenco é apontado como caro e desproporcional ao futebol apresentado, com Gustavo Martins destacado como autor do pior jogo pelo clube e Kaio Jorge como o algoz particular do setor onde o lateral atuou. Kannemann, que deveria ser referência de liderança na zaga, levou a expulsão descrita como irresponsável no momento mais sensível da partida.

É mais um vexame do Grêmio, de jogadores de pouca qualidade e salários muito maiores do que o futebol que apresentam. É um trabalho terrível que já passa de três anos lutando contra o rebaixamento — e desta vez está muito perto de consumá-lo. O quarto rebaixamento da história está a caminho. Só um milagre salva. Pedro Ernesto Denardin, colunista de GZH

A sequência de adversários não ajuda o otimismo: Bahia, Athletico-PR e Flamengo aparecem no radar como times de nível superior ao que o Grêmio tem mostrado em campo. Na avaliação dos colunistas, do jeito que a equipe está, perderia os três confrontos.

O emocional por baixo do técnico

Mais do que ajustes táticos, parte da análise sobre o momento do Grêmio aponta para um problema de cabeça. O primeiro tempo contra o Cruzeiro, com o time abrindo vantagem e competindo de igual para igual, é citado como prova de que o grupo tem futebol para sustentar melhores resultados. O colapso do segundo tempo, porém, é visto como sintoma de um time already abatido mentalmente antes mesmo de entrar em campo na etapa final.

O Grêmio acelerou ladeira abaixo no Z-4. A tabela ainda permite sonhar, mas o campo parece pesadelo. O emocional do time já caiu — será preciso, nesta semana, resgatar o ânimo de um grupo nocauteado antes mesmo de pensar em ajustar o que acontece dentro das quatro linhas. Leonardo Oliveira, colunista de GZH

O Inter também sente o aperto

O rombo financeiro projetado para 2027 não é exclusividade do Grêmio. O Inter também está na zona de rebaixamento do Brasileirão e enfrenta críticas à sua própria gestão esportiva. Um dos alvos recentes é o goleiro Matheus Cunha, que em Mirassol provocou uma expulsão considerada estranha e deixou o time com dez jogadores ainda nos primeiros 14 minutos de jogo — resultado: mais uma derrota colorada.

O goleiro contratado pelo Inter está tendo boa dose de participação nos fracassos colorados neste Brasileirão. É uma situação de incompetência parecida com a do Grêmio, só que o Inter tem pela frente adversários menos qualificados — o que, paradoxalmente, torna o momento ainda mais decisivo. É também uma gestão desqualificada. Pobre Colorado, pobre futebol gaúcho. Pedro Ernesto Denardin, colunista de GZH

A combinação dos dois cenários — Grêmio tecnicamente mais perto da queda, Inter em situação também delicada na tabela — é o que sustenta o alerta financeiro feito pelos colunistas: não é hipótese remota, é risco real e iminente para as duas maiores folhas salariais do futebol gaúcho.

E agora?

No papel, o Grêmio ainda tem chance. Com 31 pontos e aproveitamento de 33% na 18ª colocação, dentro da zona de rebaixamento ao lado de Internacional, Remo e Chapecoense, o time precisaria embalar uma reação para se aproximar dos 45 pontos considerados zona de segurança. Na prática, os próximos compromissos contra Athletico-PR, Flamengo e Bahia são tratados pelos colunistas como testes quase impossíveis para a equipe de Renato Portaluppi no estado atual.

Enquanto o campo não dá resposta, a diretoria de ambos os clubes já sabe: cada rodada perdida é também uma rodada mais perto de uma conta que ultrapassa R$ 250 milhões. O drama esportivo e o drama financeiro, neste momento, caminham juntos — e o relógio não para.

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