O Raio-X da Crise e a Sobrevida Colorada: Os Números da Queda do Inter Pós-Copa
O Raio-X da Crise e a Sobrevida Colorada: Os Números da Queda do Inter Pós-Copa
Com aproveitamento despencando para 25,9% na retomada e a sombra da Z-4 rondando o Beira-Rio, clube aposta no alívio de Chapecó e em fôlego financeiro para reagir no Morumbi
O futebol costuma ser implacável quando confrontado pela frieza dos números. No Beira-Rio, o período de paralisação para a Copa do Mundo, que deveria servir como um porto seguro para ajustes táticos e integração de reforços, transformou-se no marco zero de um declínio preocupante. A vitória aliviadora por 2 a 1 sobre a Chapecoense, na Arena Condá, não apenas evitou a demissão do técnico Paulo Pezzolano, como expôs as entranhas de uma campanha que exige reação imediata nesta reta derradeira de Brasileirão.
O Abismo dos Números: A Queda na Retomada
Antes da interrupção do calendário, ao final de maio, o ambiente no Internacional transitava em águas infinitamente mais calmas. O Colorado havia somado 21 pontos em 18 partidas disputadas, ostentando um aproveitamento de 38,8% — um rendimento modesto, mas suficiente para manter a equipe longe do fantasma do rebaixamento, ocupando virtualmente o meio da tabela.
Contudo, as seis semanas de preparação sem jogos oficiais não surtiram o efeito desejado. Nos nove confrontos que se seguiram após a retomada, o desempenho colorado desabou verticalmente. Com apenas um triunfo conquistado justamente na rodada passada, o índice despencou para escassos 25,9%, patamar que empurrou o clube para a zona de rebaixamento e deixou o rendimento pós-Copa ligeiramente superior apenas ao da própria Chapecoense, atual lanterna do campeonato.
O Pragmatismo de Pezzolano e o Alívio nos Bastidores
Pressionado pelo risco real de demissão antes do duelo em Chapecó, Paulo Pezzolano ganhou sobrevida com o resultado positivo. Consciente das limitações e da urgência que o momento impõe, o comandante uruguaio deixou de lado qualquer preciosismo estético, adotando o pragmatismo como lema para a sequência da competição.
"A evolução vai aparecer com os resultados. Primeira coisa: precisamos ganhar para ficar em uma situação melhor. Mas temos que trabalhar para conseguir seguir somando pontos. Se for da mesma forma que foi hoje, não tem problema, desde que a gente vença."— Paulo Pezzolano, técnico do Internacional
Fora das quatro linhas, a diretoria também encontrou um sopro de alívio financeiro. A doação de R$ 20 milhões efetuada pelo investidor Delcir Sonda foi devidamente depositada nas contas do clube. A verba permitiu à gestão quitar os direitos de imagem que estavam em atraso com o elenco, amenizando o ambiente interno, ainda que não resolva em definitivo a delicada crise financeira da instituição.
Decisão à Vista no Morumbi
Para deixar a zona de rebaixamento já na próxima rodada, o Internacional projeta uma verdadeira batalha no próximo sábado à noite. O adversário será o São Paulo, no Estádio do Morumbi. O Colorado tenta se aproveitar do momento instável do rival paulista, que desembarca para o confronto abalado por uma eliminação recente e turbulências em seus bastidores.
O jogador foi preservado das atividades mais intensas no treino do Inter ao longo da semana, mas a comissão técnica projeta sua presença normal entre os relacionados para o duelo na capital paulista.
O São Paulo chega para o confronto no Morumbi sob forte pressão externa e clima de crise interna após cair em competição mata-mata.