O leilão do "quem dá menos": erros individuais empurram Grêmio e Inter para o Z-4
Dois clubes que já ergueram taças de Mundial se entreolham agora no espelho mais desconfortável do futebol brasileiro: o da zona de rebaixamento. Depois da 31ª rodada do Brasileirão, Grêmio e Internacional saíram de campo com a sensação de que os próprios erros, mais do que o adversário, decidiram o resultado. O Inter perdeu por 2 a 0 para o Mirassol, em confronto direto na luta contra a queda, com o goleiro Matheus Cunha expulso ainda no primeiro tempo. Dois dias depois, o Grêmio viu o Cruzeiro aplicar a virada e vencer por 4 a 2 na Arena, com Kannemann também deixando o campo mais cedo. Juntos, os rivais seguem no Z-4: o Colorado em 17º lugar, com 32 pontos; o Tricolor em 18º, com 31.
Inter: expulsão aos 15 minutos decide em Mirassol
O jogo no interior paulista, na sexta-feira (16), começou a desandar cedo para o Inter. Aos 15 minutos, o goleiro Matheus Cunha foi expulso, deixando o time com um jogador a menos por praticamente toda a partida. O Mirassol usou a vantagem numérica para abrir o placar logo na volta do intervalo, com Eduardo, e ampliar aos 87 minutos, com André Luis, fechando o 2 a 0.
Félix Torres entrou durante a partida, no lugar de Alerrandro, e, segundo a leitura do colunista Leonardo Oliveira, também teve participação direta no segundo gol sofrido pelo Colorado. Para o jornalista, escalar e seguir apostando em peças que já demonstraram instabilidade é parte do que colocou o clube na situação atual.
"Quem aposta em Matheus Cunha, um goleiro instável, está sujeito a vê-lo comprometer. Ele comprometeu diretamente contra o Mirassol — assim como Félix Torres, que completou o serviço no 2 a 0." Leonardo Oliveira, colunista do GZH
Grêmio: duas vantagens, uma virada e expulsão de Kannemann
No domingo (18), na Arena, o Grêmio chegou a ficar na frente duas vezes diante do Cruzeiro, com gols de Carlos Vinícius e Pavón. Mas o time mineiro buscou a virada com um hat-trick de Kaio Jorge e o gol de João Marcelo, fechando a goleada por 4 a 2. No meio da segunda etapa, aos 28 minutos, Kannemann recebeu cartão amarelo após uma falta, reclamou da marcação e, ao simular um gesto de "roubo" para o árbitro, foi expulso — um gesto, segundo a coluna de Zé Alberto, dos mais mal vistos pelos juízes.
O "leilão do quem dá menos"
É essa comparação, jogo a jogo, que a coluna de Zé Alberto resume como um leilão às avessas entre Grêmio e Inter: a cada rodada, os rivais parecem disputar quem comete o erro mais decisivo. Depois do Grenal na Arena, coube ao Inter dar o lance seguinte, perdendo em confronto direto em Mirassol. Ao Grêmio sobrou a chance de aproveitar o tropeço colorado e subir na tabela — mas o time também tropeçou, cedendo a virada ao Cruzeiro em casa.
"Há uma disputa inédita entre Grêmio e Inter. Os dois clubes campeões do mundo parecem que, jogo a jogo, tentam provar quem é pior." Zé Alberto, colunista do GZH
"O rebaixamento da dupla Gre-Nal é iminente. Resta saber o quanto mais os dois clubes farão para que haja verdadeiros fiascos neste legítimo 'Quem dá Menos'." Zé Alberto, colunista do GZH
Os personagens do erro
Matheus Cunha
Goleiro do Inter, foi expulso ainda no primeiro tempo contra o Mirassol e deixou o time com um a menos por quase toda a partida.
Félix Torres
Substituiu Alerrandro durante o jogo em Mirassol e, na leitura da coluna de Leonardo Oliveira, teve participação direta no segundo gol sofrido pelo Colorado.
Kannemann
Recebeu amarelo por falta, reclamou da marcação e foi expulso por simular um gesto de "roubo" ao árbitro durante a virada do Cruzeiro.
O calendário não dá trégua para nenhum dos dois. O Inter recebe o Botafogo no Beira-Rio no sábado (24), às 16h30, com transmissão da TV Globo e do Premiere — sem poder contar com o apoio do fator casa como vantagem certa, segundo a coluna de Zé Alberto. Já o Grêmio viaja para enfrentar o Coritiba, no Estádio Couto Pereira, na segunda-feira (26), às 19h30, com transmissão do Premiere, em busca da primeira vitória fora de casa na competição. Para os dois lados, a régua não é mais apenas o resultado: é parar de entregar, dentro de campo, o que o adversário não teria condições de tirar por conta própria.