A matemática da sobrevivência: as 12 vitórias de Renato Portaluppi bastam para o Grêmio?
A matemática da sobrevivência: as 12 vitórias de Renato Portaluppi bastam para o Grêmio?
O técnico gremista projeta o caminho para a permanência na elite, mas o histórico do Brasileirão impõe um alerta importante sobre os números.
Em sua recente apresentação no comando do Grêmio, o técnico Renato Portaluppi trouxe para a mesa uma projeção que ecoou nos corredores da Arena: a crença de que, com 12 vitórias no Campeonato Brasileiro, o clube estaria livre do fantasma do rebaixamento. Segundo o treinador, a lógica baseia-se no histórico da era dos pontos corridos, onde tal marca, somada a empates estratégicos, seria o passaporte para a manutenção na Série A.
O peso da estatística
Entretanto, ao mergulharmos nos registros desde 2006, quando o certame passou a ser disputado por 20 clubes, a realidade mostra nuances mais complexas. Embora o otimismo de Renato esteja conectado à projeção atual — que indica uma necessidade menor que os tradicionais 45 pontos, dado o aproveitamento de 35% do primeiro time fora do Z-4 —, a história prova que a marca de 12 triunfos não é uma garantia absoluta de salvação.
Precedentes históricos
O próprio Grêmio sentiu na pele essa amarga lição em 2021, quando, mesmo com 12 vitórias e 43 pontos somados, acabou superado pelo Juventude e rebaixado. Antes disso, em 2013, a Portuguesa foi o primeiro caso, caindo com 44 pontos e 12 vitórias, embora o desfecho tenha sido influenciado por questões administrativas. Em 2009, foi a vez do Coritiba, que alcançou 45 pontos com as mesmas 12 vitórias, mas ainda assim terminou na zona de descenso.
Hoje, com sete vitórias acumuladas, o Tricolor projeta que mais cinco triunfos seriam suficientes para atingir os 43 pontos, uma meta que, na configuração atual da tabela, parece desenhar um horizonte de alívio. A conta de Renato, portanto, é um guia de trabalho, mas o futebol, como sempre, exige mais do que apenas projeções matemáticas.