A afirmação de um guri: João Victor surge como o trunfo tático de Pezzolano no Inter
A afirmação de um guri: João Victor surge como o trunfo tático de Pezzolano no Inter
Aos 19 anos, atacante de origem mostrou maturidade defensiva em Chapecó, reconfigurou o esquema colorado e ganhou a bênção de Abel Braga
Há noites em que três pontos na bagagem representam apenas a superfície de um ganho muito maior. Quando o Internacional superou a Chapecoense na Arena Condá, a comemoração extrapolou o placar favorável no Brasileirão. O grande alento que desembarcou em Porto Alegre atende pelo nome de João Victor. Com apenas 19 anos, o jovem atacante entrou no calor do segundo tempo para ocupar a ala direita e atuar com a firmeza de quem ostenta anos de casa.
Ponteiro de formação, acostumado a encarar os defensores de frente, o guri colorado surpreendeu justamente no combate sem a bola. Em pouco mais de trinta minutos em campo sob intensa pressão, respondeu com disciplina tática invejável: recuperou cinco bolas, venceu o duelo aéreo que disputou, levou a melhor em duas de três disputas rasteiras e não cedeu um drible sequer aos atacantes catarinenses. Uma falta tática estratégica, cometida com extrema frieza para matar um contragolpe perigoso, selou a atuação de gala do garoto.
O efeito dominó na engrenagem de Paulo Pezzolano
A entrada de João Victor não foi apenas uma substituição de peças, mas uma verdadeira chave tática virada pelo técnico Paulo Pezzolano. Ao ocupar com autoridade o lado direito, o jovem liberou o treinador para remanejar a estrutura do time: Vitinho pôde ser deslocado para a ala esquerda, enquanto Bernabei ganhou liberdade para avançar com perigo ao ataque. A retaguarda oposta ganhou sustentação e o Colorado passou a sofrer consideravelmente menos nas investidas adversárias.
O caminho do garoto até este momento de afirmação exigiu paciência. Após ser afastado dos gramados por mais de um mês devido a uma lesão muscular, João Victor voltou a figurar no banco de reservas justamente no clássico Gre-Nal de ida pela Copa do Brasil. Seguiu como opção não utilizada contra Bahia e Santos até finalmente receber a oportunidade de estrear no Campeonato Brasileiro diante da Chapecoense.
Raízes no Rio e o afeto de Abel Braga no Beira-Rio
19Anos de idade. Mostrou firmeza na ala direita com 5 recuperações de bola e nenhuma finta sofrida em Chapecó.
Irmão de João Victor, também revelado na base e utilizado na partida contra o Cruzeiro.
A consolidação de João Victor nos profissionais traz também desdobramentos afetivos fora dos gramados. Criado ao lado do irmão Luiz Felipe — lateral-esquerdo do Inter que atuou no confronto recente contra o Cruzeiro —, o jovem teve a formação conduzida pela mãe e pela avó no Rio de Janeiro. Com a ascensão contínua da dupla na capital gaúcha, a família estuda deixar a Cidade Maravilhosa de vez para se estabelecer em Porto Alegre.
"O jovem garoto precisa de respaldo e carinho para que sua transição ao time principal aconteça de forma leve e natural." — Bastidores do Internacional
Dentro do clube, o ambiente é de total proteção à promessa. Paulo Pezzolano e o diretor Abel Braga adotaram uma postura de extrema proximidade no dia a dia do CT, acolhendo o garoto para garantir confiança e maturidade. A intenção da comissão técnica é fazer com que a presença de João Victor na equipe titular se torne um processo cada vez mais orgânico no decorrer do Brasileirão.