Internacional soma R$ 160 milhões de rombo em 2026 e pode ganhar mais cinco transfer bans
Tem clube que sofre dentro de campo e tem clube que sofre nos dois lados da linha. O Internacional descobriu, na noite de segunda-feira (28), que sua crise não cabe só na tabela do Brasileirão. Em reunião do Conselho Deliberativo, a diretoria apresentou um retrato financeiro que soma R$ 117 milhões em dívidas capazes de gerar novos banimentos da Fifa e um déficit de R$ 160,1 milhões só nos sete primeiros meses do ano — R$ 50,8 milhões a mais do que o próprio clube havia projetado. O cenário reforça a sensação de que o Colorado, 18º colocado no Brasileirão e às voltas com a briga contra o rebaixamento pela segunda temporada seguida, vive hoje sua pior crise institucional das últimas décadas.
As dívidas que tiram o sono da diretoria
Segundo os números apresentados aos conselheiros, o Inter carrega uma dívida já vencida de R$ 56 milhões — acumulada desde 2021 — somada a mais R$ 61 milhões que ainda vão vencer nos próximos meses. Juntos, os dois valores chegam aos R$ 117 milhões que preocupam a cúpula colorada. Trata-se de débitos que constam na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), além de processos cíveis e trabalhistas em andamento.
Como funciona o transfer ban
A punição da Fifa impede o clube devedor de registrar novos jogadores — seja por contratação, empréstimo ou retorno de atleta emprestado — enquanto a dívida que originou a sanção não for quitada. O Internacional já cumpriu um banimento pelo caso do zagueiro Juninho, comprado do Midtjylland-DIN, e está proibido de registrar atletas desde 17 de setembro por conta do não pagamento ao Olympiacos-GRE pela contratação do lateral-esquerdo Ramon. Na prática, o clube não pode inscrever reforços nas próximas três janelas de transferências até regularizar a situação.
Um rombo maior do que o previsto
Se as dívidas antigas já preocupam, o balancete do ano corrente não ajuda a acalmar os ânimos. De janeiro a julho, o Inter fechou as contas com déficit de R$ 160,1 milhões, quando o próprio orçamento aprovado pelo clube previa um saldo negativo de, no máximo, R$ 109,3 milhões para o período. A diferença de R$ 50,8 milhões tem dois vilões principais: a queda nas receitas de patrocínio e a frustração nas vendas de atletas.
No campo dos patrocínios, o Inter esperava arrecadar R$ 50,4 milhões até julho, mas embolsou apenas R$ 20,7 milhões — uma perda de R$ 29,7 milhões, atribuída especialmente à falta de um patrocinador master estampado na camisa. Já nas vendas de direitos federativos e econômicos de jogadores, o clube projetava R$ 204,9 milhões para o ano inteiro, mas registrou somente R$ 65,1 milhões até o fim de julho. No total, a receita do período somou R$ 194,2 milhões, ante R$ 222,4 milhões esperados. Do outro lado da conta, os investimentos no departamento de futebol — salários, direitos de imagem, logística e contratações — ficaram próximos do planejado, em R$ 242,5 milhões.
R$ 117 milhões
Débitos na CNRD e em processos cíveis e trabalhistas que podem gerar novos transfer bans.
R$ 160,1 milhões
Resultado negativo entre janeiro e julho, R$ 50,8 milhões pior do que o orçado.
2 ativas + 5 em curso
Transfer bans já aplicados pelos casos Juninho e Ramon, com mais cinco processos correndo.
R$ 140 milhões
Valor que o clube precisa arrecadar para fechar o ano com as contas em dia.
"Uma bola de neve sem fim"
A gravidade do momento chamou a atenção de analistas de mercado. Segundo Amir Somoggi, sócio-diretor da SportsValue, empresa especializada em avaliar balanços de clubes de futebol, a dívida total do Internacional — somando todas as pendências, não apenas as ligadas à Fifa — já ultrapassa R$ 1 bilhão.
"A situação do Inter é muito preocupante, o gasto é bastante excessivo. É uma bola de neve sem fim que levou o Inter a estar em uma situação dramática." — Amir Somoggi, sócio-diretor da SportsValue Marketing Esportivo
O que vem pela frente
O orçamento de 2026, aprovado no fim do ano passado pelo próprio clube, previa um superávit modesto de R$ 283,3 mil ao fim do exercício. Diante do rombo já acumulado, a diretoria colorada precisaria somar uma quantia expressiva de receitas não previstas até dezembro apenas para chegar perto desse número e evitar um prejuízo histórico. Nos bastidores, a estimativa é de que o clube precise de cerca de R$ 140 milhões extras para fechar o ano com as contas em dia.
Enquanto tenta equilibrar o caixa, o Inter também projeta ações para o futuro — como a criação de um Gre-Nal feminino e o planejamento para a temporada 2027 — mesmo em meio à turbulência. A pergunta que fica é se o clube vai conseguir avançar nesses planos antes que a Fifa aplique novas sanções.
A crise financeira se soma à briga contra o rebaixamento no Brasileirão, onde o Inter ocupa a 18ª posição. Com dois transfer bans em vigor e cinco processos que podem resultar em novas punições, o clube corre contra o tempo tanto para regularizar as dívidas junto à Fifa quanto para reverter a situação dentro de campo. A Redação do futebolrs.com.br segue acompanhando os desdobramentos financeiros e esportivos do Colorado.