Grêmio recebeu adiantamento da Pitaco antes da proibição das bets; entenda a situação
Tem contrato assinado, dinheiro na conta e uma novela jurídica só começando. O Grêmio anunciou a bet Pitaco como sua nova patrocinadora master e, na sequência, recebeu o adiantamento referente ao primeiro mês do acordo. Foi rápido — rápido o suficiente para o clube embolsar essa primeira parcela antes de o Governo Federal decretar, no dia 25 de setembro, a proibição das casas de apostas em todo o país. De patrocínio milionário a caso pendente de Justiça, a história virou de figura da noite para o dia.
O acordo e o valor em jogo
O contrato entre Grêmio e Pitaco foi assinado por três temporadas, com valor total estimado em cerca de R$ 140 milhões. A bet assumiu a posição de patrocinadora master do clube, a mais valiosa dentro do modelo comercial do futebol brasileiro — geralmente estampada no centro da camisa.
Logo depois do anúncio oficial, veio o primeiro repasse: o adiantamento do primeiro mês de contrato caiu no caixa do Grêmio. Até aqui, tudo dentro do combinado. O problema é o que veio na sequência.
A proibição muda tudo
Cinco dias após o clube confirmar a nova parceria, o Governo Federal anunciou a proibição das bets no Brasil. Com a medida em vigor, as casas de apostas ficaram impedidas de operar no país — e, na prática, de cumprir contratos de patrocínio como o firmado com o Grêmio.
Isso significa que as próximas parcelas do acordo, previstas para os meses seguintes, não serão pagas enquanto durar a proibição. O primeiro adiantamento, recebido antes da medida entrar em vigor, não precisa ser devolvido por ora — mas o motivo não é jurídico, e sim uma aposta (com o perdão do trocadilho) das próprias bets em uma reversão do cenário.
Duas frentes de batalha
As empresas de apostas não estão de braços cruzados. O setor trabalha em duas frentes simultâneas para tentar reverter a proibição e destravar os pagamentos que ficaram represados.
Ação no STF
As bets protocolaram uma ação no Supremo Tribunal Federal pedindo a volta do funcionamento das casas de apostas no país.
Congresso Nacional
Existe expectativa de que uma votação no Congresso possa alterar o texto da Medida Provisória do Governo Federal responsável pela proibição.
Enquanto essas duas disputas não se resolvem, o Grêmio segue com um patrocinador master no papel, mas sem garantia de receber o restante dos R$ 140 milhões combinados. O clube não se pronunciou publicamente sobre um plano B para a manchete de patrocínio caso a proibição das bets se mantenha em definitivo.
O caso do Grêmio se soma a uma lista crescente de clubes brasileiros que fecharam contratos milionários com bets nos últimos anos e agora dependem do desfecho da disputa entre o setor e o Governo Federal. Enquanto STF e Congresso não decidem o rumo da Medida Provisória, o clube segue de olho no caixa — e na possibilidade de ter que sair atrás de um novo patrocinador master, caso a proibição vire regra permanente.