Sombra de goleada e trunfos do passado: o retrospecto indigesto do Inter em Chapecó
Sombra de goleada e trunfos do passado: o retrospecto indigesto do Inter em Chapecó
Asfixiado na zona de rebaixamento e amargando oito rodadas sem vencer, o Colorado visita a Chapecoense pisando em um terreno historicamente traiçoeiro
O futebol não costuma conceder tréguas aos desatentos. Na tarde deste sábado (12), às 17h, o Internacional ingressa no gramado da Chapecoense carregando nos ombros o peso sufocante de oito partidas sem experimentar o gosto da vitória no Campeonato Brasileiro. Com escassos 25 pontos e encravado no 18° posto da tabela, o clube gaúcho sabe que mesmo o somatório de três pontos na 27ª rodada não será suficiente para retirá-lo da incômoda zona de rebaixamento. O embate, portanto, carrega o tom dramático de uma verdadeira decisão.
Além da pressão contundente da tabela, o Colorado terá de encarar um fantasma histórico em solo catarinense. Longe do Beira-Rio, os confrontos diante da Chapecoense costumam impor severos obstáculos aos gaúchos, desenhando um retrospecto em que o orgulho por vezes deu lugar a episódios de pura atipicidade e indigestão.
Estatísticas amargas no Oeste Catarinense
Em toda a história dos duelos oficiais disputados em Chapecó, o Internacional esteve em campo em sete oportunidades. Os números escancaram o domínio do Verdão do Oeste em seus domínios: foram cinco vitórias dos donos da casa — um expressivo aproveitamento de 71% — contra apenas dois triunfos colorados (29%). O saldo de gols reflete esse desequilíbrio, com 12 tentos anotados pela equipe da casa e somente cinco balanços de rede a favor do time porto-alegrense.
Do pesadelo de 2014 à redenção em 2021
Na memória do torcedor colorado, poucas tardes foram tão desconcertantes quanto a vivida no Brasileirão de 2014. Naquela ocasião, a recém-promovida Chapecoense impôs uma goleada avassaladora por 5 a 0. O confronto ganhou contornos pitorescos e dramáticos quando o goleiro Dida acabou expulso de campo, forçando o atacante Rafael Moura a calçar as luvas e assumir a meta vermelha nos minutos finais de um desastre anunciado.
Nem só de pesadelos, contudo, vive a memória alvirrubra na Arena Condá. A gênese do confronto oficial em Santa Catarina ocorreu em 2008, pela segunda fase da Copa do Brasil, quando o Inter triunfou com gols de Alex e Adriano, selando o passaporte rumo às oitavas de final da competição nacional.
Vitória colorada pela Copa do Brasil com tentos decisivos assinados por Alex e Adriano.
Goleada catarinense por 5 a 0. Expulsão de Dida e o atacante Rafael Moura improvisado de goleiro.
Já a visita mais recente a Chapecó deu-se no Campeonato Brasileiro de 2021. Naquela oportunidade, momento em que a Chape amargava a pior campanha da história dos pontos corridos rumo à queda, o Colorado conseguiu sair vitorioso pelo placar de 2 a 1. Os gols de Caio Vidal e Yuri Alberto marcaram com pé direito o retorno do técnico Diego Aguirre ao comando da casamata gaúcha.
Amistosos e o peso da urgência no presente
Fora do âmbito das competições oficiais, as duas agremiações também mediram forças em sete duelos amistosos travados entre os anos de 1980 e 2002. Nesses ensaios, o retrospecto apontou quatro vitórias do Internacional, dois empates e apenas um triunfo do time catarinense.
"O passado serve como bússola e alerta: entrar em Chapecó sem a intensidade máxima é convite aberto ao contratempo." — Análise do Jornalismo Esportivo Esportes RS