Injúria racial interrompe jogo da semifinal e leva à identificação de quatro menores em Frederico Westphalen - FutebolRS
Carregando...

Injúria racial interrompe jogo da semifinal e leva à identificação de quatro menores em Frederico Westphalen

Por: Redação FutebolRS 19/10/2026 Notícias
Volante Denis Germano, do Brasil de Pelotas, denunciou ofensas racistas durante o empate em 1 a 1 com o União Frederiquense; protocolo antirracismo da FGF foi acionado e os adolescentes foram levados à delegacia
Divisão de Acesso

19 de outubro de 2026 · Frederico Westphalen (RS) · Redação

Faltavam poucos minutos para o fim de um confronto equilibrado quando o futebol parou. Na tarde de domingo (18), na Arena União, em Frederico Westphalen, o jogo de ida da semifinal da Divisão de Acesso entre União Frederiquense e Brasil de Pelotas foi interrompido por seis minutos depois que o volante Denis Germano, do time visitante, denunciou ter sido alvo de ofensas racistas vindas da torcida mandante. A partida, que terminou empatada em 1 a 1, ficou em segundo plano diante da gravidade do episódio: quatro torcedores menores de idade foram identificados e, horas depois, levados à delegacia para o registro de boletim de ocorrência.

Como aconteceu

O lance que mudou o rumo da tarde se deu aos 41 minutos do segundo tempo. Denis Germano, que estava no banco de reservas do Brasil de Pelotas, relatou ao árbitro Wagner Silveira Echevarria ter sido ofendido com insultos racistas partindo do setor coberto do estádio. Diante da denúncia, o árbitro paralisou imediatamente o jogo e aplicou a primeira etapa do Protocolo Antirracismo da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), cruzando os braços para sinalizar oficialmente a ocorrência.

Durante os seis minutos de paralisação, a diretoria e a equipe de segurança do União Frederiquense, com apoio da Brigada Militar, trabalharam na identificação dos responsáveis. Quatro adolescentes foram apontados como autores das ofensas. Um deles chegou a fugir do local, mas acabou identificado pouco depois. Cumpridas as etapas do protocolo, a bola voltou a rolar e a partida seguiu até o apito final, com o 1 a 1 no placar.

O jogador e os quatro adolescentes na delegacia

Encerrada a partida, Denis Germano se dirigiu à delegacia para formalizar a denúncia. Os quatro menores também foram conduzidos ao local, acompanhados pelo Conselho Tutelar e pela Brigada Militar, para o devido registro do boletim de ocorrência. O delegado responsável pelo acompanhamento da partida, Edelar Milani, explicou qual será o próximo passo do caso.

"Nós só vamos entregar os relatórios que vêm aqui do campo e a situação será encaminhada para os responsáveis cabíveis."
Edelar Milani, delegado da partida

A reação do clube mandante

Ainda no estádio, em coletiva após o jogo, o vice-presidente do União Frederiquense, Edison Cantarelli, admitiu que o caso é inédito na história do clube e assumiu a responsabilidade pela segurança do setor onde ocorreram as ofensas.

"Nunca na história do clube tinha acontecido um caso de racismo ou injúria racial. Nós tomamos muito cuidado quanto a isso, infelizmente aconteceu. Nós identificamos que os torcedores estavam muito próximos ao banco. De maneira nenhuma a gente vai se eximir da responsabilidade do clube."
Edison Cantarelli, vice-presidente do União Frederiquense
"Um deles fugiu do local, mas todos foram identificados, na medida do possível. Fizemos todo o protocolo antirracismo. A gente lamenta esse acontecido, porque foi um belo espetáculo, um belo jogo, duas grandes equipes."
Edison Cantarelli, vice-presidente do União Frederiquense

O que disseram os clubes e a Federação

Horas depois do jogo, União Frederiquense, Brasil de Pelotas e a FGF divulgaram notas oficiais repudiando o episódio. O clube mandante reafirmou que colaborou ativamente na identificação dos envolvidos e prometeu adotar medidas administrativas e legais caso os fatos sejam confirmados.

Nota do União Frederiquense: "O União Frederiquense de Futebol vem a público repudiar veementemente o episódio de injúria racial ocorrido na tarde de hoje, em nossa Arena. [...] O combate ao racismo é um compromisso diário e inegociável do nosso clube. [...] Condutas dessa natureza não representam a nossa torcida nem os valores da nossa instituição."

O Brasil de Pelotas, clube de Denis Germano, também se posicionou em defesa do atleta e classificou o episódio como uma conduta que não pode ser confundida com rivalidade esportiva.

Nota do Grêmio Esportivo Brasil (Brasil de Pelotas): "O racismo é inaceitável, não pode ser relativizado e não será tolerado em hipótese alguma, em nenhum estádio, dentro ou fora do futebol. Não se trata de rivalidade, provocação ou manifestação de torcida. [...] O clube presta sua solidariedade ao atleta Germano e reafirma que estará sempre ao lado daqueles que forem vítimas de qualquer forma de discriminação."

A Federação Gaúcha de Futebol confirmou que acompanha o caso e que atua em conjunto com a Odabá – Associação de Afroempreendedorismo, prestando suporte ao atleta.

Protocolo Antirracismo da FGF: ao receber a denúncia, o árbitro interrompe a partida e sinaliza o caso cruzando os braços. Em seguida, clube, segurança e autoridades atuam na identificação dos envolvidos antes de a bola voltar a rolar. O procedimento integra o chamado Protocolo Zero, diretriz da Federação para o combate ao racismo no futebol gaúcho.
Denúncia

Aos 41 min do 2º tempo

Denis Germano relata ofensas racistas ao árbitro Wagner Silveira Echevarria.

Paralisação

6 minutos parados

Protocolo antirracismo é acionado e jogo fica suspenso para identificação.

Identificação

4 menores de idade

Um deles tentou fugir, mas foi localizado logo depois.

Delegacia

B.O. registrado

Jogador e adolescentes foram ouvidos com Conselho Tutelar e Brigada Militar.


O jogo

Apesar de todo o episódio em torno da denúncia, a partida seguiu em campo com o 1 a 1 no placar final, resultado que mantém a decisão da vaga na final da Divisão de Acesso em aberto. As fichas de escalação e os detalhes dos gols da partida não foram divulgados até a publicação desta matéria.

O caso adiciona um capítulo pesado à disputa do acesso ao Gauchão: Brasil de Pelotas e União Frederiquense ainda vão decidir a vaga na final em jogo de volta da semifinal, cuja data não foi confirmada pela organização até esta publicação. Enquanto isso, o episódio em Frederico Westphalen segue sendo tratado pela FGF e pela Odabá, que prometem acompanhar os desdobramentos jurídicos e de proteção ao atleta nas próximas semanas.

Compartilhe:

Notícias Relacionadas