Barbieri prega equilíbrio emocional no Juventude após expulsões no Ceará
Tem revolta que grita e revolta que se guarda pro próprio bem. Na tarde desta segunda-feira (19), o Juventude se reapresentou no CT do clube, em Caxias do Sul, tentando fazer exatamente essa segunda escolha. O elenco alviverde ainda carrega a sensação amarga do empate com o Ceará, no Castelão, resultado marcado por três expulsões em sequência depois do apito final. Agora, a cabeça do grupo precisa virar rápido para o próximo desafio: o duelo com o Náutico, agendado para o dia 26, novamente em Caxias do Sul, pela Série B do Brasileirão.
O rastro de cartões vermelhos deixado pelo Ceará
O episódio que motivou a reunião emocional do técnico Maurício Barbieri com o grupo aconteceu depois do fim da partida contra o Ceará. Inconformado com a arbitragem, o zagueiro titular Marcos Paulo foi expulso ao reclamar no pós-jogo. Ele não estava sozinho na insatisfação: o goleiro reserva Pedro Rocha também recebeu cartão vermelho, após contestar a confirmação de um pênalti para o Ceará já nos acréscimos da partida. Completando a lista, o volante reserva Luan Martins foi expulso por igualmente questionar as decisões do árbitro.
O discurso de Barbieri: da injustiça ao equilíbrio
Para o técnico, o sentimento que fica depois do episódio no Ceará é de impotência. Mas ele deixou claro que o caminho escolhido pelo grupo precisa ser o da reação, não o da lamentação.
"É um sentimento de injustiça, é um sentimento de impotência muito grande. Nós temos duas escolhas. Uma é abaixar a cabeça, entender que é isso, e a outra é levantar a cabeça e seguir em frente."
Com a reapresentação feita uma semana antes do duelo com o Náutico, Barbieri falou sobre a necessidade de recuperar os jogadores suspensos para outras competições e disse não ter garantias de que a arbitragem será mais favorável no próximo compromisso.
"Agora a gente vai ter que recuperar os jogadores, trabalhar. Nós não sabemos se vamos jogar contra o Náutico e se vamos ter uma arbitragem correta. Nós não estamos pedindo para sermos favorecidos, nós só estamos pedindo uma arbitragem correta."
O desafio de não perder a cabeça
O trabalho de Barbieri nesta semana de preparação não passa só pelo campo. Ele próprio reconheceu que o maior risco agora é emocional: o grupo sentir que está sendo prejudicado e reagir de um jeito que prejudique ainda mais o próprio time, como já aconteceu contra o Ceará.
"É um desafio, sem dúvida nenhuma, buscar ter um equilíbrio emocional diante daquilo que a gente entende que é uma injustiça muito grande. O sentimento nosso, ao terminar a partida, é de injustiça. E que nós estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance, nós estamos enfrentando os grandes desafios que nós temos, inclusive o adversário, com honestidade, com caráter, com hombridade, com dedicação, e que a gente não está tendo a reciprocidade de justiça do outro lado."
"Conseguir equilibrar para que essa revolta não nos faça perder o equilíbrio emocional e, de repente, perder a cabeça e ser ainda mais prejudicados por uma atitude nossa."
O Juventude tem a semana cheia para reorganizar peças e cabeças antes de receber o Náutico, no dia 26, em Caxias do Sul, em mais uma rodada decisiva das quatro finais da Série B. Pela própria fala de Barbieri, essa também será uma das últimas vezes que a equipe atuará diante do seu torcedor na reta final da competição — motivo extra para o técnico insistir que o foco esteja só no que acontece dentro das quatro linhas.