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Anresf dá 15 dias para Grêmio e Inter pagarem dívidas sob risco de novo transfer ban

Por: Redação FutebolRS 19/10/2026 Notícias
Órgão de fiscalização financeira da CBF concluiu julgamentos de primeira instância e aplicou advertências à dupla Gre-Nal, que soma prazos distintos para débitos com clubes e com um atleta — tudo isso enquanto o risco de rebaixamento de ambos dispara no Brasileirão.
Fair Play Financeiro

19 de outubro de 2026 · Porto Alegre · Redação

Tem época do ano em que o calendário do futebol gaúcho parece escrito a lápis, pronto para ser apagado e reescrito a qualquer notificação. Nesta segunda-feira, foi a vez de um documento da Anresf — a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol — reacender o alerta sobre as contas de Grêmio e Inter, justamente no momento em que os dois clubes gaúchos afundam na tabela do Campeonato Brasileiro e flertam, cada um à sua maneira, com o fantasma da Série B.

A Anresf, órgão criado pela CBF para fiscalizar o fair play financeiro, concluiu os julgamentos de primeira instância referentes à janela de verificação de solvência de 31 de julho de 2026. Doze clubes da Série A foram analisados. Grêmio, Inter, São Paulo e Atlético-MG receberam advertências públicas e um prazo de 45 dias para quitar débitos relativos a 2026, sob pena de sofrerem transfer ban — a proibição de registrar novos jogadores.

O que pesa contra o Grêmio

No caso específico do Tricolor, a Segunda Turma da Anresf analisou débitos com Capivariano e Votuporanguense. Além do prazo de 45 dias para as pendências gerais de 2026, o clube terá apenas 15 dias úteis para pagar uma dívida com um atleta não identificado no documento divulgado — e, se não cumprir, a multa prevista é de R$ 100 mil.

Por outro lado, o Grêmio conseguiu comprovar pagamentos feitos ao Panathinaikos, da Grécia, e ao Racing, da Argentina, ainda que após a data de corte estabelecida pelo órgão. Um débito com o Cruzeiro também foi reclassificado pela Anresf como anterior a 2026, o que muda a régua de cobrança aplicada ao clube.

O que pesa contra o Inter

O Colorado foi julgado por dívidas com o Athletico Paranaense e com o Juazeiro. Assim como o rival, o Inter também recebeu prazo de 15 dias úteis para regularizar um débito com um atleta, com a mesma multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento.

A Segunda Turma rejeitou os argumentos apresentados pelo clube sobre a existência de planos coletivos na CNRD, mantendo as exigências originais. Ainda assim, concedeu prazo adicional para a regularização de tributos e de débitos internacionais — um respiro parcial em meio ao aperto.

Grêmio

Prazos e débitos

45 dias para dívidas de 2026 (Capivariano e Votuporanguense) + 15 dias úteis para débito com atleta, sob multa de R$ 100 mil.

Inter

Prazos e débitos

45 dias para dívidas de 2026 (Athletico-PR e Juazeiro) + 15 dias úteis para débito com atleta, sob multa de R$ 100 mil.

Outros clubes na mira da Anresf

A dupla gaúcha não está sozinha no radar do órgão. São Paulo e Atlético-MG receberam sanções semelhantes — os paulistas por dívida com o São José e os mineiros por pendências com Bahia e Santos. Corinthians e Santos conseguiram afastar o risco imediato de transfer ban ao quitar obrigações de 2026 logo após serem notificados. Botafogo, Vitória, Remo e Vasco receberam advertências mais brandas, enquanto Athletico-PR e Coritiba tiveram seus processos arquivados após comprovarem a regularização das pendências.

Risco real: se Grêmio e Inter não pagarem as dívidas com os atletas dentro dos 15 dias úteis, ambos ficam impedidos de registrar novas contratações até regularizarem a situação — justamente na reta final de temporada, quando ajustes no elenco costumam ser decisivos na luta contra o rebaixamento.

Na mesma semana, o risco de queda dispara

Se as contas fora de campo já preocupam, dentro dele a situação também piorou. Na 31ª rodada do Brasileirão, Grêmio e Inter perderam para Cruzeiro e Mirassol, respectivamente — o Tricolor caiu na Arena, e o Colorado foi derrotado por 2 a 0 no Maião, com expulsão de Matheus Cunha ainda no primeiro tempo. O resultado disparou as chances de rebaixamento calculadas pelo Departamento de Matemática da UFMG.

O Grêmio viu o risco de queda saltar de 63,8% para 77,4% depois da derrota para o Cruzeiro. O Inter, por sua vez, passou de 48,6% para 58,4% de chance de rebaixamento após o tropeço em Mirassol. Hoje, os dois clubes aparecem dentro da zona de rebaixamento da Série A.

Top 5 do rebaixamento

Chances de queda (UFMG)

Chapecoense 99,99% · Remo 98,2% · Inter 58,4% · Grêmio 77,4% · Corinthians 38,9%

Próximos jogos

Gre-Nal na rodada seguinte

Grêmio: Coritiba, segunda (26), 19h30, no Couto Pereira.
Inter: Botafogo, sábado (24), 16h30, no Beira-Rio.


Grêmio: pressão também recai sobre o departamento de futebol

Enquanto o julgamento da Anresf expõe as finanças, dentro do Grêmio a crise esportiva reabriu uma discussão interna sobre quem monta o elenco. O vice de futebol Rafael Lima e o executivo Paulo Pelaipe, à frente das contratações desde o início da gestão do presidente Odorico Roman, estão sob forte pressão nos bastidores e podem sofrer mudanças nos próximos dias.

O estopim foi mais uma entrevista coletiva do técnico Renato Portaluppi criticando publicamente a forma como o elenco foi montado para a temporada, logo após a derrota para o Cruzeiro.

"No momento em que monta o grupo, precisa saber quem está trazendo, jogos, gols, lesões, como é a carreira dele. Não pode escutar o nome do jogador e buscar. Vem alguém, lero-lero, e traz. Muitos jogadores. Ninguém tinha ouvido falar. Estão aí. É assim que se faz um grupo? Não se faz um grupo dessa forma. Está chegando a conta. Tem que ter mais noção do currículo do jogador. Tem que passar por gente que entende de futebol e analisa o jogador que estão oferecendo. Botar gente que entenda do babado. Não ir trazendo." — Renato Portaluppi, técnico do Grêmio

Rafael Lima começou como diretor de futebol, enquanto Pelaipe sempre ocupou a função de executivo. A saída de Antônio Dutra Júnior, que era vice de futebol, em junho, deu mais protagonismo aos dois nas decisões de mercado. Com o aval do então técnico Luís Castro, o Tricolor trouxe seis reforços na segunda janela de transferências: Diego Caito, Wallace, Danilo Barbosa, Krovinovic, Jovane Cabral e Matheus Nascimento.

Uma eventual saída de Paulo Pelaipe teria efeito cascata: encerraria a permanência de Rodrigo Pelaipe, filho do executivo contratado há cerca de um mês como analista de mercado do clube, e descartaria a contratação de outros dois nomes de confiança do dirigente que vinham sendo sondados — Eduester Lopes, gerente de Prevenção e Reabilitação de Lesões do Bahia, e Marcos Menezes, gerente do Centro de Inteligência e Análise Desportiva do Coritiba.


A visão de quem cobre o Gauchão

O momento da dupla gaúcha também tem gerado debate entre os colunistas do estado. Em texto publicado nesta segunda, o jornalista Marcelo De Bona, da GZH, foi direto ao apontar as razões estruturais da crise.

"São inúmeros os motivos que fazem Grêmio e Inter estarem à beira do precipício. Os clubes encolheram de tamanho, mas não diminuíram o que chamo de arrogância para gerir o futebol. Gastam muito mais do que arrecadam, contratam mal e não abrem a possibilidade para novas alternativas de gestão. [...] O rebaixamento, se vier, é merecido." — Marcelo De Bona, colunista da GZH

Com os prazos da Anresf correndo em paralelo à corrida contra o rebaixamento, Grêmio e Inter terão dez dias de calendário bem carregados: o Colorado recebe o Botafogo no sábado (24), às 16h30, no Beira-Rio, e o Tricolor visita o Coritiba na segunda-feira (26), às 19h30, no Couto Pereira, em Curitiba. Os resultados dessas partidas — e o desenrolar das negociações para quitar as dívidas com os atletas dentro dos 15 dias úteis — devem definir se a dupla Gre-Nal consegue se afastar da zona da degola antes que as duas crises, a esportiva e a financeira, se tornem uma só.

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