Grêmio mira volta à Libertadores: os cenários da Copa do Brasil e a mão de Renato por trás da arrancada
Tem um tipo de vitória que não cabe só no placar. O 2 a 0 sobre o Atlético-MG, no domingo, na Arena, foi disso: um resultado que carrega dentro de si um caminho inteiro de volta à Libertadores. O Grêmio sai na frente na semifinal da Copa do Brasil, mas o que mais chama atenção é como chegou lá — com uma equipe que joga menos, corre mais nos contra-ataques e aprendeu a sofrer o mínimo possível. A cada rodada, Renato Portaluppi vai moldando um time mais pragmático, e os números começam a contar essa história com clareza.
A vantagem construída na Arena
O triunfo por 2 a 0 na ida da semifinal deixou o Tricolor em posição confortável para a volta, marcada para o próximo sábado (7), na Arena do Galo, em Belo Horizonte. Pela vantagem construída, o Grêmio garante vaga na finalíssima da Copa do Brasil mesmo que perca por um gol de diferença em Minas Gerais. Só um revés mais elástico tiraria o time gaúcho da decisão.
E é essa decisão que pode reabrir as portas da competição continental mais importante da América do Sul para o clube gaúcho. A classificação para a Libertadores 2027, porém, não depende só do que acontecer dentro de campo na final — depende também de quem estiver do outro lado.
Os cenários que decidem a vaga continental
Chegar à final da Copa do Brasil garante, em tese, presença na Libertadores do ano seguinte. Mas o regulamento da competição reserva nuances conforme o adversário da decisão. Veja como cada cenário se desenha para o Grêmio:
Final contra o Vasco
Se a decisão for entre tricolores e cruzmaltinos, o time campeão garante vaga direta na fase de grupos da Libertadores. Já o vice cai para a segunda fase da Pré-Libertadores, etapa eliminatória antes do torneio principal.
Final contra o Palmeiras
Como o Alviverde Paulista já está classificado à Libertadores via Brasileirão, o regulamento garante ao Grêmio vaga direta na fase de grupos mesmo em caso de vice-campeonato nessa chave.
Rebaixamento no Brasileirão
Mesmo campeão da Copa do Brasil, o Grêmio só joga a Libertadores se estiver na Série A em 2027. É regra da Conmebol: clubes da competição continental precisam estar na primeira divisão nacional.
O time que Renato está construindo
Enquanto a Copa do Brasil escreve o capítulo mais visível da temporada, é dentro do Brasileirão que Renato Portaluppi vem lapidando a identidade da equipe. Desde que assumiu o comando, o treinador promoveu uma mudança de estilo nítida: menos posse de bola, mais solidez defensiva e protagonismo redobrado para as jogadas de bola parada.
Menos bola, mais resultado
Os números comprovam a virada de chave. Considerando apenas Brasileirão e Copa do Brasil, a média de posse de bola do Grêmio era de 50,2% na gestão de Luís Castro. Com Renato, esse índice caiu para 40,86%. No próprio jogo de ida contra o Atlético-MG, o Tricolor ficou com a bola em apenas 24% do tempo — e isso foi suficiente para fechar o confronto com dois gols de vantagem.
O 3-4-3 e o contra-ataque como arma
Taticamente, o esquema 3-4-3 foi consolidado como base do time, e o contra-ataque passou a ser usado com muito mais frequência como principal via de gol. A receita vem funcionando: o Grêmio embalou três vitórias seguidas e completou três jogos consecutivos sem sofrer gols.
A bola parada como principal fonte de gols
Outro traço marcante da nova fase é a bola parada. Desde a chegada de Renato, sete dos oito gols marcados pelo Grêmio saíram desse tipo de jogada — escanteios, faltas e cobranças ensaiadas passaram a ser prioridade nos treinamentos e se tornaram a principal arma ofensiva do time.
A estratégia para a semana decisiva
A dupla de jogos que vem agora vai testar justamente esse modelo mais retrancado. Na quarta-feira (4), o Grêmio visita o Flamengo pelo Brasileirão, diante de um adversário que ainda disputa o título da competição e deve impor intensidade desde o início. No sábado (7), a equipe volta a campo para a volta da semifinal da Copa do Brasil, em Belo Horizonte, precisando administrar a vantagem de 2 a 0 contra um Atlético-MG que deve jogar para cima desde os primeiros minutos.
Para os dois compromissos, a leitura de Renato é a mesma: manter a postura defensiva, ceder a bola quando necessário e explorar os espaços no contra-ataque. É a estratégia que vem funcionando desde que o treinador remodelou a equipe, e que o Grêmio tenta repetir justamente na semana que pode definir boa parte do destino da temporada — tanto na briga por um título quanto na corrida por uma vaga de volta à Libertadores.
Entre o jogo de volta em Belo Horizonte e o duelo direto contra o Flamengo, o Grêmio tem a chance de, numa única semana, encaminhar uma final de Copa do Brasil e confirmar que o time mais fechado de Renato Portaluppi é também o mais eficiente do ano. A Libertadores de 2027 observa de perto cada resultado.