Com números de artilheiro mas sem espaço: Carbonero perde lugar no Inter de Eduardo Baptista
Tem números que contam uma história e tem escalação que conta outra. No Inter, as duas histórias não se encontram: Carbonero é o artilheiro colorado no Campeonato Brasileiro, com sete gols e quatro assistências, mas desde a chegada de Eduardo Baptista ao comando técnico, o colombiano virou um nome ausente nas decisões de jogo. A situação, no mínimo curiosa, ganha ainda mais contraste porque, no mesmo período, outro atacante, Vitinho, deixou de ser alternativa para se tornar peça-chave do ataque colorado.
O quadro se desenha às vésperas do duelo contra o Coritiba, nesta terça-feira, no Beira-Rio, pela 34ª rodada do Brasileirão. Mesmo com Alan Patrick praticamente fora de combate e a necessidade de ajustes na frente de ataque, Carbonero não aparece entre os cotados para a vaga. Baptista estuda mudanças, mas o nome do colombiano simplesmente não entra na conta.
A queda de Carbonero
Desde que assumiu o Inter, Eduardo Baptista comandou cinco partidas: Corinthians, Grêmio, Mirassol, Botafogo e Fluminense. Nos três primeiros confrontos, Carbonero ainda teve minutos, sempre entrando no decorrer do segundo tempo. A partir daí, porém, o cenário mudou de forma abrupta: o atacante nem foi utilizado na vitória por 3 a 0 sobre o Botafogo, tampouco na derrota para o Fluminense.
A avaliação da comissão técnica passa, principalmente, pelo rendimento defensivo do colombiano. Na leitura de Baptista, Carbonero contribui pouco na marcação e participa de maneira limitada do jogo nos momentos em que o Inter está sem a posse de bola — um detalhe que pesa bastante no estilo de jogo que o treinador vem implantando no Beira-Rio.
Reforça esse cenário a escolha recorrente por João Victor, atacante formado nas categorias de base do clube, chamado pelo treinador nas duas últimas partidas sempre que houve necessidade de mexer no setor ofensivo. Ou seja: mesmo quando a equipe precisou de mudanças na frente, o nome lembrado não foi o do artilheiro.
Carbonero no Brasileirão Fora do time
- 7 gols marcados
- 4 assistências
- Não jogou nas últimas 2 partidas
- Entrou no 2º tempo nos 3 primeiros jogos de Baptista
Vitinho com Baptista Em ascensão
- 2 gols em 4 jogos do treinador
- Artilheiro do período ao lado de Alan Patrick
- Média de 3 finalizações por jogo
- Pode ser titular contra o Coritiba
Vitinho renasce no ataque colorado
Enquanto Carbonero perde espaço, Vitinho vive o momento inverso. O atacante, que ao longo de 2026 já atuou em praticamente todos os setores do campo — foi ponta de origem, atuou como ala, meia e até lateral-direito sob o comando de Paulo Pezzolano — recuperou liberdade ofensiva com a chegada de Baptista, ainda que também cumpra, em alguns momentos, uma função mais marcadora dentro da nova proposta de jogo.
Dos cinco jogos à frente do Inter, Baptista só não contou com Vitinho na goleada por 3 a 0 sobre o Botafogo, por conta de suspensão. Nas outras quatro partidas, o atacante foi titular e completou os 90 minutos em três delas, além de ter entrado no segundo tempo da derrota para o Fluminense — justamente na partida em que participou da jogada do gol colorado.
Mais avançado no campo, Vitinho passou a alternar entre a função de segundo atacante e de meia mais adiantado, atuando próximo de Alerrandro, referência de área do time. E os números, segundo dados do Sofascore relativos às 38 partidas do Inter contra equipes da Série A em 2026, mostram evolução clara de rendimento.
Antes e depois de Baptista, em números
Sob o comando de Paulo Pezzolano, ao longo de 34 jogos na temporada, Vitinho finalizou 50 vezes, sendo 14 na direção do gol, com três gols marcados — uma média de 1,47 finalizações por partida e a necessidade de 16,6 chutes para balançar as redes.
Já nos quatro jogos sob o comando de Eduardo Baptista, o atacante finalizou 12 vezes, acertando o alvo em sete ocasiões e marcando dois gols — o que representa seis finalizações por gol e uma média que saltou para três finalizações por partida.
Outro dado chama atenção: os dois gols de Vitinho desde a chegada do novo treinador nasceram de roubadas de bola no campo ofensivo, reflexo direto do estilo mais agressivo de marcação na saída de bola adversária que Baptista vem implantando no Beira-Rio.
Sobre o Vitinho, eu enxergo ele como um atacante. Ele trabalha como nove, ele trabalha como lado. Eu sei que eventualmente, se eu precisar de um resultado, eu posso trazer ele mais pra trás um pouquinho, pra ele ser um ala pelos lados. Então, o Vitinho é um jogador bastante versátil.
O que vem pela frente
Com a ausência praticamente confirmada de Alan Patrick, abre-se espaço no setor ofensivo colorado para o duelo contra o Coritiba, nesta terça-feira, às 18h30, no Beira-Rio. As boas atuações recentes de Vitinho podem garantir seu retorno à titularidade, enquanto Carbonero, mesmo sendo o artilheiro da equipe no Brasileirão, segue na fila — um caso raro de artilheiro que não encontra lugar no time que mais precisa dos seus gols.
O Inter chega à 34ª rodada do Brasileirão na 18ª posição, com 35 pontos, a apenas dois pontos do Mirassol, primeiro time fora da zona de rebaixamento. Diante desse cenário, cada escolha de Eduardo Baptista no ataque — incluindo o futuro de Carbonero no time — ganha peso direto na briga por permanência na Série A.