E Pedrinho? Vasco define papel do presidente na nova SAF com Marcos Lamacchia
Há dias São Januário discute menos escalação e mais contrato social. O Vasco caminha para fechar a venda da SAF à Almirante Participações S/A, empresa de Marcos Lamacchia, depois que os sócios aprovaram a transação na última sexta-feira (23) com mais de 90% dos votos favoráveis. Falta agora o parecer de dois órgãos, Anresf e Cade, que vão avaliar se existe conflito de interesses envolvendo Leila Pereira antes da assinatura definitiva. E, no meio desse processo burocrático, uma pergunta incomoda a torcida cruz-maltina: o que sobra de poder para o presidente Pedrinho quando tudo estiver assinado?
O que muda na prática
Quando o negócio for concluído, Pedrinho deixa de ter a palavra final sobre contratações de jogadores, assinatura de contratos e decisões comerciais do futebol. Essas atribuições passam a ser de quem comandar a SAF, ou seja, da gestão ligada a Lamacchia. É uma inversão de papéis importante: até aqui, mesmo sem deter formalmente o comando da SAF, o presidente vinha se envolvendo diretamente com as questões do futebol — algo que não acontecia na era 777 Partners, quando o clube social ficava afastado dessas decisões.
Pedrinho mantém influência, mas sem poder de veto
Apesar de perder a última palavra, Pedrinho não sai de cena. Marcos Lamacchia pediu diretamente a presença do presidente no dia a dia da SAF e em discussões sobre o futebol. A relação construída entre os dois, e também com Mário Junqueira — investidor minoritário da Almirante Participações — é descrita como um dos pilares da futura gestão, e deve inclusive embasar a candidatura de Pedrinho à reeleição no comando do clube social.
"Nós temos o Pedrinho como um grande conselheiro e sócio. Porque o Vasco da Gama é sócio da SAF com 10%. E é um homem que entende muito de futebol. Então, ele vai ter uma participação ativa conosco no conselho da SAF, eventualmente, e também como um grande conselheiro para essas definições que vocês hoje me perguntam (contratações e investimentos), que ainda não estão determinadas, mas ele vai ter voz sim para nos ajudar nisso aí."
A fala resume o desenho que vem sendo construído: o Vasco social segue como sócio da SAF, com 10% de participação, e Pedrinho ganha um assento como conselheiro de peso — sem, no entanto, deter o poder de decisão final que caracterizava sua gestão nos últimos tempos.
Da obra de São Januário ao protagonismo no futebol
O caminho até aqui tem uma ironia que não passa despercebida pela torcida. Pedrinho chegou à presidência do clube social afirmando que sua missão era resolver as pendências da obra de São Januário, responsabilidade do clube social, e que não pretendia se meter em assuntos do futebol. O cenário mudou com a instabilidade jurídica e esportiva provocada pela gestão da 777 Partners na SAF: foi justamente Pedrinho quem recorreu à Justiça para afastar a antiga empresa do comando da SAF, assumindo protagonismo que inicialmente não estava nos seus planos.
O que ainda está em aberto
Funções específicas e o organograma da nova gestão ainda estão sendo detalhados entre as partes. Um nome, porém, aparece como favorito à continuidade: a tendência é que Admar Lopes, atual diretor de futebol, permaneça no cargo também para a temporada de 2027, dando sequência ao trabalho iniciado na atual gestão.
Enquanto os bastidores da SAF seguem em negociação, o Vasco tenta manter o foco dentro de campo: o time vem de virada sobre o Corinthians por 3 a 2, resultado que apagou uma má fase recente e injetou moral para o duelo direto contra o Flamengo nas próximas rodadas do Brasileirão. A expectativa em São Januário é que a definição societária se resolva nas próximas semanas, abrindo caminho para um planejamento de longo prazo tanto na gestão quanto no departamento de futebol.