Corinthians desmorona em São Januário, entra no Z-4 e Stabile nega crise com o elenco
Tem derrota que dói pelo placar e tem derrota que dói pela forma. O Corinthians conheceu as duas ao mesmo tempo no sábado, em São Januário. Depois de construir uma virada com categoria na etapa final, o time de Clarence Seedorf viu o próprio esforço virar pó em dois minutos de apagão defensivo, perdeu por 3 a 2 para o Vasco pela 32ª rodada do Brasileirão e, com a vitória do Internacional sobre o Botafogo no mesmo dia, amanheceu dentro da zona de rebaixamento pela primeira vez na temporada.
O resultado empurrou o Timão para a 17ª posição, com 33 pontos, e estendeu para dez a sequência sem vitórias no Brasileiro — um empate e nove derrotas. No Rio Grande do Sul, a notícia tem gosto duplo: o Inter, que goleou o Botafogo por 3 a 0 no Beira-Rio, subiu para a 16ª colocação, com 35 pontos, e escapou justamente da vaga que agora pertence ao clube paulista.
Um jogo, três roteiros diferentes
Em sua primeira partida no banco corintiano, Seedorf promoveu as entradas de Dieguinho e Matheus Bidu no ataque e manteve Fabrizio Angileri na lateral esquerda. A equipe já sabia, antes da bola rolar, que entrava em campo na zona de rebaixamento provisória: o resultado do Inter contra o Botafogo, em Porto Alegre, já estava em andamento e tirava uma posição do Timão na tabela.
O primeiro tempo foi dominado pelo Vasco. Com Cuiabano castigando o lado esquerdo da defesa visitante em cima de Matheuzinho e Dieguinho, a equipe carioca criou o suficiente para abrir o placar aos 35 minutos: Pumita Rodríguez aproveitou confusão entre o goleiro Hugo Souza e Gustavo Henrique na pequena área e, na sobra, empurrou para o gol — seu nono da temporada.
A virada corintiana veio rápido na volta do intervalo. Aos cinco minutos da etapa final, Gustavo Henrique desviou de cabeça cruzamento de Breno Bidon para empatar, aproveitando-se de Puma Rodríguez atrasado na saída e Sosa adiantado demais na marcação. Cinco minutos depois, Fabrizio Angileri finalizou e a bola desviou em Matheus Bidu antes de entrar — Saldivia havia abandonado a cobertura sobre o atacante. O Corinthians virou o jogo e ainda teve pelo menos duas chances claras de ampliar.
O apagão final
Quando a vitória parecia encaminhada, o time de Seedorf voltou a ruir na defesa. Com a entrada do atacante Brenner no lugar do volante Sosa, o Vasco se lançou ao ataque e, em dois minutos de loucura, virou o resultado: Marino Hinestroza, colombiano que não balançava as redes em 32 jogos pelo clube, aproveitou rebatida da defesa para empatar aos 42 minutos e, no lance seguinte, foi paciente em contra-ataque para decretar a virada aos 44.
São Januário, que vivia um clima pesado após a eliminação para o Boca Juniors na Sul-Americana, terminou em festa. Já o Corinthians somou mais uma derrota dolorosa fora de casa e viu a sequência sem vencer chegar a dez jogos.
Corinthians
17º lugar, 33 pontos — entrou na zona de rebaixamento após a 32ª rodadaInternacional
16º lugar, 35 pontos — saiu do Z-4 após goleada sobre o BotafogoStabile minimiza crise e fala em "unidade"
Horas depois da derrota, o presidente Osmar Stabile foi à imprensa negar que o clube viva uma crise de relacionamento com o elenco, mesmo com os jogadores cobrando salários atrasados. O dirigente afirmou que mantém diálogo direto com o grupo e com as lideranças do time.
"Em momento nenhum... O relacionamento é muito bom. O presidente, não. Pode ter sido com outras pessoas, com o presidente, não. Eu estive o tempo todo com eles. Tenho um bom relacionamento com todos eles, com as lideranças. Conversamos todos os dias necessários. Estou sempre no CT e nunca aconteceu isso. O relacionamento é muito bom."
O Corinthians acumula três meses de atraso em direitos de imagem — dívida estimada em R$ 30 milhões —, além de férias e premiação não pagas ao elenco. Stabile deu prazo para começar a resolver parte do problema, mas não cravou data para encerrar o banimento da Fifa que impede o clube de registrar novos reforços.
"Não estamos falando de transfer ban agora. Estamos falando de direito de imagem. Temos processos que estão sendo mudados, busca de novos recursos. Em virtude das bets pararem, temos trabalhado em outras frentes. Temos trabalhado muito em cima disso para tirar dinheiro. Temos previsão, sim, para esta semana, final de semana, semana seguinte... Devemos pagar algum direito de imagem e algum CLT."
O presidente também comentou a saída do executivo de futebol Marcelo Paz, anunciada em meio à turbulência da reta final do Brasileiro.
"O Marcelo Paz ficou muito incomodado por ter vazado o celular dele e da família, recebeu muitas mensagens de torcedores. Me chamou para uma reunião e eu disse que ele não poderia continuar da forma que estava."
Apesar do time dentro do Z-4 e da sequência de dez jogos sem vencer, Stabile insistiu que a permanência na Série A ainda está nas mãos do grupo e pediu união em um momento que classificou como passageiro.
"Nada acabou. Temos que batalhar. Existe a união. A gente pediu a unidade e a união. Existe a unidade e a união entre o elenco e a diretoria. Muita gente fala que não existe, mas existe. Tínhamos virado o jogo e era para ter vencido. No último momento levamos a virada. Vou continuar trabalhando e nada acabou. Vamos virar essa situação."
O que vem agora
O Corinthians volta a campo na próxima sexta-feira, contra o Mirassol, na Neo Química Arena, às 20h, pela 33ª rodada — compromisso que já carrega peso de decisão direta contra o rebaixamento. Do outro lado, o Vasco embala a vitória para encarar o Flamengo na quinta-feira, no Nilton Santos, em confronto que também vale moral na temporada.
No Rio Grande do Sul, o resultado em São Januário interessa diretamente ao Internacional: ao vencer o Botafogo por 3 a 0 no mesmo sábado, o Colorado deixou o Z-4 e só não seguiu na zona de risco porque o Corinthians tropeçou na reta final do jogo. A disputa contra o rebaixamento segue embolada e qualquer passo em falso pode trocar as posições novamente na próxima rodada.