Do sofrimento ao alívio: gol de falta de Pavon salva o Grêmio e garante vaga nas quartas
Do sofrimento ao alívio: gol de falta de Pavon salva o Grêmio e garante vaga nas quartas
Em noite de vaias e tensão na Arena, Tricolor bate o Mirassol por 1 a 0 e encerra sequência de sete jogos sem vencer, com show de resiliência do herói improvável da classificação.
Tem vitória que chega com festa e tem vitória que chega arrancada a ferro e fogo, entre vaias que viram aplauso só depois do apito final. Foi assim que o Grêmio carimbou, nesta quarta-feira (5), a vaga nas quartas de final da Copa do Brasil: batendo o Mirassol por 1 a 0, na Arena, com um golaço de falta que teve a assinatura de quem menos se esperava aplauso naquela noite. O resultado, mínimo no placar mas enorme no alívio, encerrou uma sequência de sete jogos sem vencer e tirou, por ora, um pouco do peso que castigava o técnico Luís Castro.
Como foi o jogo
A tensão começou antes da bola rolar. Quando o nome de Pavon foi anunciado na escalação, a torcida reagiu com um misto de descrença e resignação — o argentino vinha sendo um dos alvos preferidos das vaias recentes. A torcida organizada, inclusive, protestou deixando vazio o setor reservado a ela nas arquibancadas.
Em campo, o Grêmio criou as primeiras chances logo nos minutos iniciais. Pavon invadiu a área, mas preferiu cruzar em vez de finalizar. Pouco depois, Wallace lançou para Carlos Vinícius, que driblou o goleiro Alex Muralha, mas viu o zagueiro João Victor salvar em cima da linha. Aos 27 minutos, mais um momento de perigo: Villasanti acertou a trave e, na sequência do lance, levou uma entrada dura do zagueiro Gabriel Knesowitsch dentro da pequena área — o árbitro Davi Lacerda mandou seguir, e o VAR não chamou para revisão, decisão que dividiu opiniões entre comentaristas de arbitragem.
A resposta gremista veio aos 36 minutos. Em cobrança de falta próxima da área, com o ângulo favorecendo um canhoto, quem assumiu a bola foi o destro Pavon. Ele driblou a barreira e tirou do alcance de Muralha: 1 a 0. Um misto de alívio e comemoração tomou conta da Arena, enquanto Luís Castro, de mãos na cintura, via os jogadores se abraçarem no gramado.
O segundo tempo teve os papéis invertidos. O Mirassol se lançou ao ataque em busca do empate, e o Grêmio recuou as linhas para se defender. Jovane Cabral, que havia entrado no intervalo, ainda acertou o travessão em nova investida gremista. Do outro lado, o Mirassol chegou a balançar as redes com Bruno Santos aos 27 minutos da etapa final, mas o gol foi anulado por toque de mão. Nos minutos finais, a defesa gaúcha segurou a pressão paulista e confirmou a classificação.
Destaques individuais
Pavon foi o nome da noite. Criticado na semana anterior, o argentino atuou improvisado como uma espécie de ponta-direita com função de marcação, ideia de Luís Castro para neutralizar o lateral Reinaldo — e foi recompensado com o gol que valeu a vaga. Wallace, zagueiro que estreou como titular, também chamou atenção pela segurança demonstrada diante da pressão paulista. Diego Caito, remanejado para a lateral-direita, teve atuação segura tanto na marcação quanto na construção de jogadas. Marlon, em apenas seu terceiro jogo depois de quatro meses afastado por lesão, também teve papel importante na união do grupo, mesmo reconhecendo dificuldades físicas após a cirurgia.
"É um jogador fantástico na entrega." — Luís Castro, técnico do Grêmio, sobre Pavon
"Já vi o Pavon chorar, sorrir, mas nunca desistir." — Marlon, lateral do Grêmio
"De braços dados meus jogadores conseguiram essa classificação." — Luís Castro, técnico do Grêmio
Ficha técnica
Grêmio nas quartas
Time se junta a Santos, Atlético-MG e Cruzeiro entre os classificados já confirmados.
Terça (11), às 11h
CBF define os confrontos das quartas de final, que acontecem na última semana de agosto e primeira de setembro.
A folga na Copa do Brasil dura pouco. Antes de saber o adversário das quartas, o Grêmio volta a campo já neste sábado (8), às 16h, contra o São Paulo, na Arena, pela 22ª rodada do Brasileirão. E ali o desafio muda de figura: hoje na zona de rebaixamento, com 22 pontos, o Tricolor precisa transformar o alívio de quarta-feira em resultado dentro do campeonato nacional, onde o sinal de alerta segue ligado.