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Cinco segundos que doeram: por dentro da eliminação turbulenta do Juventude na Copa do Brasil

Por: Redação FutebolRS 06/08/2026 Notícias
O Juventude foi eliminado da Copa do Brasil pelo Atlético-MG em gol nos acréscimos, protestou formalmente contra a arbitragem e viveu confusão com a imprensa no Alfredo Jaconi. Agora o foco vira totalmente para a Série B.
Cinco segundos que doeram: por dentro da eliminação turbulenta do Juventude na Copa do Brasil
Bastidores · Copa do Brasil

Cinco segundos que doeram: por dentro da eliminação turbulenta do Juventude na Copa do Brasil

Gol nos acréscimos, nota oficial contra a arbitragem, expulsão de auxiliar técnico e diretor que xingou um repórter no estacionamento resumem a pior noite recente do Alfredo Jaconi. Agora o Verdão vira a chave para a Série B.

📍 Caxias do Sul, RS 🗓️ 6 de agosto de 2026 ✍️ Redação futebolrs.com.br

Tem derrota que dói só pelo placar, e tem derrota que dói pela forma. A do Juventude na terça-feira foi das segundas. Faltavam cinco segundos — cinco, não cinquenta — para o Alfredo Jaconi respirar aliviado rumo aos pênaltis diante do Atlético-MG. O árbitro já tinha o apito na boca. Aí a zaga alviverde bateu cabeça, a bola sobrou limpa para o equatoriano Minda, e o gol que fechou a eliminação nas oitavas de final da Copa do Brasil transformou uma noite de resistência em uma noite de revolta. O que veio depois — protesto oficial do clube, expulsão de um auxiliar técnico e um diretor xingando um repórter no estacionamento — fez o caso ultrapassar os 90 minutos de jogo.

O jogo que quase não acabou em derrota

Por mais de 10 mil torcedores lotaram o Jaconi para acompanhar o jogo de volta das oitavas, com o Juventude precisando reverter a igualdade da ida. E por 93 minutos e 55 segundos, o time de Maurício Barbieri fez exatamente o que precisava: segurou o investimento pesado do Galo mineiro com organização e um trio defensivo improvisado, formado por Gabriel Pinheiro, Titi e Marcos Paulo, montado às pressas pelas ausências de Rodrigo Sam e Messias.

O primeiro tempo foi de estudo tático, com a trave salvando o Verdão em cabeçada de Cuello e o goleiro Everson brilhando para negar Marcos Paulo e Gabriel Pinheiro na etapa final. A disputa por pênaltis parecia inevitável. Só que, no lance derradeiro, um erro de comunicação entre Gabriel Pinheiro e Nathan Santos deixou a bola livre para Minda bater sem marcação e decretar o 1 a 0 que classificou o Atlético-MG às quartas de final.

Perda financeira

R$ 4 milhões a menos

Foi o valor que o Juventude deixou de receber em premiação ao cair nas oitavas. Mesmo assim, o clube fatura R$ 9,6 milhões líquidos com a campanha na Copa do Brasil 2026.

Campanha até aqui

De Guaporé ao susto no Galo

O caminho passou por Guaporé, Tuna Luso, Águia de Marabá e a classificação heroica sobre o São Paulo nas oitavas, que sozinha rendeu R$ 3 milhões aos cofres alviverdes.

A fúria do clube com a arbitragem

Ainda na noite de terça, no estacionamento do Jaconi, o executivo de futebol Lucas Andrino foi até a van que levaria a equipe de arbitragem ao hotel para cobrar explicações do árbitro paulista Flávio Rodrigues de Souza. Um dia depois, o Juventude formalizou o desconforto em nota oficial, questionando os critérios usados nos acréscimos dos dois tempos — inclusive no momento em que a etapa inicial foi encerrada com o time alviverde em posse de bola no ataque adversário.

"O clube entende que houve clara falta de critério na condução dos acréscimos. É imprescindível que critérios sejam aplicados de forma uniforme durante toda a partida, garantindo isonomia e segurança às equipes envolvidas."
— Nota oficial do Juventude

A tensão também custou uma expulsão. Diego de Almeida Favarin, auxiliar técnico de Maurício Barbieri e especialista em bolas paradas, foi expulso após protestar de forma exaltada contra o árbitro já no fim do jogo. Segundo a súmula, o profissional dirigiu palavras duras ao juiz da partida.

"Isso é uma vergonha, você roubou a gente hoje, vai tomar no..."
— Diego Favarin, auxiliar técnico, segundo relato do árbitro na súmula
Também no estacionamento: o diretor do comitê gestor Adão Marques tentou impedir o registro de imagens da cobrança feita por Lucas Andrino ao árbitro e, na sequência, dirigiu palavrões à reportagem presente no local — episódio que ampliou a repercussão negativa da noite fora de campo.

A dor de Barbieri e o discurso da reconstrução

Dentro de campo, o técnico Maurício Barbieri evitou entrar no discurso de injustiça e preferiu falar em aprendizado, mesmo reconhecendo o tamanho do golpe. Para ele, o desempenho da equipe diante de um adversário com orçamento muito superior já era, em si, um dado positivo a ser guardado para o resto da temporada.

"Pagamos caro por um erro bobo no final. Mas tivemos dois bons desempenhos, merecíamos mais do que obtivemos. São coisas do futebol. Não vou falar de justiça e injustiça, a vida nem sempre é justa. É levantar a cabeça, pois o principal objetivo do ano segue em pé: buscar o acesso à Série A."
— Maurício Barbieri, técnico do Juventude

O treinador ainda recorreu a uma metáfora para explicar a diferença de forças entre os dois clubes, um na Série A milionária, outro brigando pelo acesso na Série B.

"O leão, se entrar dentro do lago para enfrentar o crocodilo, vai ter problema. Com muito esforço, com muita organização, com muita dedicação, conseguimos encurtar e chegar próximo. Uma boa campanha que termina antes do que nós gostaríamos."
— Maurício Barbieri

Personagens que saem fortalecidos da queda

Mesmo na eliminação, Barbieri encontrou motivos para elogiar peças que ganharam minutos raros nas duas partidas contra o Atlético-MG. O paraguaio Amarilla estreou com a camisa alviverde, Pablo Roberto voltou a atuar após lesão muscular e o zagueiro Titi, que tinha apenas quatro jogos pelo clube antes do mata-mata, aproveitou a chance para se firmar entre os titulares.

"Demonstramos que podemos contar com outras peças que entregaram, que têm condições de dar um rendimento positivo pra gente. É olhar pra essa história, que não teve o final que nós gostaríamos, mas que foi uma história bonita."
— Maurício Barbieri

O que vem agora

Com a eliminação, o Juventude encerra oficialmente sua participação na Copa do Brasil 2026 e concentra 100% da energia na briga pelo acesso à Série A. Na vice-liderança da Série B com 35 pontos, o time volta a campo no domingo (9), às 16h, diante do Novorizontino, no interior paulista — separado do rival por apenas dois pontos na tabela. A boa notícia é o entrosamento ganho pelas peças reservas nas últimas semanas; a má é a lista de desfalques, com Mandaca fora por lesão muscular e Messias ainda em recuperação. Fica, também, a expectativa sobre eventual punição da CBF ao diretor Adão Marques pela confusão com a imprensa — caso que o clube ainda não se manifestou oficialmente sobre resolver.

Tags: Juventude

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