Chapecoense cai pela terceira vez na era dos pontos corridos: compare as três campanhas de queda
Tem queda que vem gritando, com meses de antecedência escritos no retrospecto, e tem queda que chega batendo à porta em pleno novembro, num jogo em casa que começava a reaproximar o time do sonho de permanência. A Chapecoense conheceu os dois tipos. Na noite dessa terça-feira, na Arena Condá, o Verdão sofreu uma virada para o Mirassol, por 2 a 1, e viu confirmado o rebaixamento para a Série B de 2027 — a terceira vez que o clube cai para a segunda divisão na era dos pontos corridos do Brasileirão, depois de já ter vivido o mesmo roteiro em 2019 e em 2021.
A Chape chegou a sair na frente da partida, mas não resistiu à reação visitante e viu o Mirassol buscar o resultado ainda dentro dos 90 minutos. Com a derrota, o time catarinense se tornou o primeiro rebaixado do Brasileirão 2026, antecipando um desfecho que a torcida já temia desde as rodadas finais do primeiro turno.
Uma história que se repete
Fundado para subir e, mais de uma vez, condenado a descer, o retrospecto recente da Chapecoense na primeira divisão virou um ciclo: acesso, temporada de sobrevivência, queda. Das três vezes em que isso aconteceu desde a criação do formato de pontos corridos, nenhuma campanha se pareceu totalmente com a outra — mas em todas elas o clube trocou de técnico pelo menos uma vez até confirmar o descenso.
2019: a queda "tradicional", confirmada na 35ª rodada
A primeira vez que a Chapecoense sentiu o gosto do rebaixamento na era dos pontos corridos foi em 2019. O descenso veio de forma matemática na 35ª rodada, depois de uma derrota por 1 a 0 para o Botafogo, também na Arena Condá. O Verdão terminou aquela edição do Brasileirão com 32 pontos, na 19ª posição — na frente apenas do Avaí, lanterna da competição com 20 pontos.
A campanha teve sete vitórias, 11 empates e 20 derrotas, com 31 gols marcados e 52 sofridos. No banco, o time passou por uma sequência de trocas ao longo do ano, com Marquinhos Santos no comando no fechamento da temporada, justamente quando o rebaixamento foi decretado.
2021: a pior campanha da história da Chape — e do Brasileirão
Se 2019 doeu, 2021 foi o fundo do poço. Naquela temporada, a Chapecoense teve a confirmação do rebaixamento ainda mais precoce, na 31ª rodada, sem nem precisar entrar em campo — o descenso veio de uma vitória do Santos sobre o Bragantino, por 2 a 0, em outro jogo da rodada.
O Verdão fechou aquele Brasileirão com apenas 15 pontos, na lanterna da tabela, com uma única vitória em toda a competição: 2 a 1 sobre o próprio Bragantino, fora de casa. Foram 27 gols marcados e 67 sofridos, saldo de -40. É, até hoje, a pior campanha da Chapecoense e uma das piores da história da era dos pontos corridos no Brasileirão. Assim como em 2019, o banco catarinense viveu instabilidade: Umberto Louzer deixou o cargo em abril, Mozart foi demitido em maio após a eliminação no Campeonato Catarinense, e o time ainda passou por Jair Ventura antes de a temporada terminar sob o comando de Pintado.
2026: a queda mais recente, com três técnicos na temporada
A campanha de 2026 repetiu o padrão de instabilidade no banco das duas quedas anteriores. A Chapecoense começou o Brasileirão com Gilmar Dal Pozzo, o técnico que havia conduzido o acesso e o vice-campeonato catarinense do clube, mas a sequência de resultados negativos levou à demissão após uma goleada por 4 a 0 para o Atlético-MG, ainda na nona rodada.
Fábio Matias assumiu em seguida, mas durou pouco: em sete jogos no comando, somou apenas um empate e seis derrotas, sendo demitido após a eliminação na 17ª rodada, diante do Cruzeiro. Rafael Lacerda chegou então para tentar o milagre da permanência e ficou no cargo até o desfecho da temporada — estava à beira do campo justamente na derrota para o Mirassol que confirmou o retorno do clube à Série B.
Compare as campanhas
| Temporada | Confirmação | Posição final | Pontos | Aproveitamento | Gols (pró x contra) | Técnico na confirmação |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 2019 | 35ª rodada — derrota para o Botafogo | 19º | 32 | 7V, 11E, 20D | 31 x 52 | Marquinhos Santos |
| 2021 | 31ª rodada — sem jogar | 20º (lanterna) | 15 | 1V em 38 jogos | 27 x 67 | Pintado |
| 2026 | Derrota de virada para o Mirassol, por 2 a 1 | Primeiro rebaixado | Temporada em andamento | — | — | Rafael Lacerda |
A queda "clássica"
Confirmada na 35ª rodada. Penúltima colocada, só na frente do Avaí.
O pior retrospecto
Rebaixamento mais precoce e pior campanha da história do clube: 15 pontos em 38 jogos.
A queda mais recente
Terceiro técnico da temporada, Rafael Lacerda, não resistiu à virada do Mirassol na Arena Condá.
O que esse retrospecto revela
Olhando as três campanhas lado a lado, um fio conecta todas elas: a instabilidade no comando técnico. Nas três vezes em que a Chapecoense caiu para a Série B na era dos pontos corridos, o clube trocou de treinador mais de uma vez na mesma temporada, sem conseguir estabilizar um trabalho de médio prazo em meio à pressão por resultados imediatos.
Em termos de desempenho, 2021 segue isolada como o pior momento da história recente do Verdão, com uma única vitória em 38 rodadas. 2019 teve uma campanha de resistência mais longa, brigando até a 35ª rodada. Já 2026 fica marcada como o ano em que o time passou por três técnicos diferentes antes de confirmar a queda diante da própria torcida, na Arena Condá.
Com o rebaixamento confirmado, a Chapecoense volta a planejar sua terceira reconstrução na era dos pontos corridos, mirando um novo acesso à Série A em 2027. O Verdão volta a campo pelas rodadas finais do Brasileirão 2026 já sem pressão na tabela, mas de olho em minimizar os danos antes de virar a página para a segunda divisão.