Atlético-MG tenta evitar sequência inédita na década e Botafogo busca folga do Z-4 no Nilton Santos
Tem noite de quarta-feira em que o calendário aperta mais do que o adversário. É o caso do Atlético-MG, que chega ao Nilton Santos carregando quatro derrotas nas costas e um fantasma de 2019 pela frente, enquanto o Botafogo, três pontos acima do Z-4, tenta usar a própria urgência como combustível. A bola rola às 21h30 desta quarta-feira, pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro, com transmissão da TV Globo e do Premiere.
O fantasma de 2019 que o Galo quer evitar
O Atlético-MG não perde cinco jogos seguidos desde 2019 — e é justamente essa marca que está em jogo no Rio de Janeiro. Naquele ano, sob o comando de Rodrigo Santana, o Galo emendou cinco tropeços em 23 dias de setembro: derrotas para Corinthians (1 a 0), Botafogo (2 a 1), Internacional (3 a 1), Colón, da Argentina, pela Sul-Americana (2 a 1), e Avaí (1 a 0). A sequência só foi interrompida com a vitória sobre o próprio Colón no jogo de volta da semifinal da Sula, por 2 a 1 — ainda assim, a eliminação veio nos pênaltis.
Sete anos depois, o time mineiro vive o momento mais parecido com aquele trauma. As quatro derrotas recentes vieram contra o Montevideo City Torque, do Uruguai, o Flamengo e o Cruzeiro, pelo Brasileirão, e o Grêmio, no jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil. Coincidência ou não, 2025 e 2026 são hoje as piores sequências negativas do Atlético na década — e o duelo com o Botafogo é a chance de estancar a sangria antes que ela complete cinco.
Atlético-MG: reservas em campo, decisão na cabeça
A urgência do calendário fala mais alto do que a tabela. O técnico Eduardo Domínguez deve poupar titulares no Rio de Janeiro, de olho no confronto que realmente pesa na temporada do Galo: o jogo de volta contra o Grêmio, sábado, às 18h, na Arena MRV, pela semifinal da Copa do Brasil. Depois de perder a ida, o Atlético precisa vencer por três gols de diferença para avançar direto à final, ou por dois gols para levar a decisão aos pênaltis.
Há ainda um compromisso maior no horizonte: a final da Copa Sul-Americana, no dia 21 de novembro, em Barranquilla, na Colômbia, contra o Boca Juniors. O Atlético chega lá mesmo após perder do Montevideo City Torque na semifinal, garantido pelo placar agregado. No Brasileirão, a equipe ainda sonha com uma vaga na Libertadores de 2027 e ocupa a 7ª posição, com 50 pontos — motivo suficiente para não descuidar da rodada, mas sem abrir mão do foco nas decisões de mata-mata.
"O Atlético vê nas competições de mata-mata a chance de garantir vaga na Libertadores de 2027" — resumo do compromisso reforçado por Eduardo Domínguez com as copas, segundo o técnico do Atlético-MG.
Botafogo: Montoro de volta e Z-4 na cola
Do outro lado, o Botafogo também não tem margem para relaxar. O time carioca é o 12º colocado, com 39 pontos, e vê a zona de rebaixamento a apenas três pontos de distância — distância curta demais para dormir tranquilo faltando poucas rodadas para o fim da temporada.
A boa notícia para Tite é o retorno de Álvaro Montoro, que cumpriu suspensão automática após o terceiro cartão amarelo recebido contra o Internacional e ficou de fora da derrota por 2 a 1 para o Remo. Na ocasião, o técnico optou por Cristian Medina na vaga do argentino, mas o camisa 6 teve atuação discreta, com poucos passes e nenhuma finalização. Ziyech também foi testado como armador na segunda etapa contra o Remo, saindo da ponta direita, mas também sem efeito prático — o marroquino ainda não marcou nem deu assistências na temporada.
No treino aberto do último sábado, Tite testou justamente Montoro na ponta-esquerda, dentro de um 4-3-3 com o meio-campo formado por Huguinho, Medina e Edenilson — um indício forte de que o argentino reassume a titularidade nesta quarta-feira.
"O clima é de cobrança no Botafogo" — Tiquinho Soares, atacante do Botafogo, ao admitir os jogos ruins recentes da equipe.
Onde assistir
Botafogo e Atlético-MG se enfrentam nesta quarta-feira, às 21h30 (horário de Brasília), no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, com transmissão em TV aberta pela TV Globo e também pelo Premiere, no sistema pay-per-view.
Dois times em situações opostas na tabela, mas igualmente pressionados pelo calendário: o Atlético-MG tenta fugir de uma marca que remonta a 2019 sem comprometer o que considera prioridade absoluta — a volta contra o Grêmio e a final da Sul-Americana diante do Boca Juniors. Já o Botafogo joga para respirar no meio da tabela antes que o Z-4 vire vizinho de verdade. O apito inicial, às 21h30 desta quarta-feira, no Nilton Santos, decide quem sai na frente nessa corrida contra o próprio tempo.