TCE-MG suspende cautelarmente patrocínio de R$ 32 milhões para América, Atlético e Cruzeiro
Antes mesmo de cair a primeira ficha do próximo exercício financeiro, o dinheiro que animava a diretoria de três gigantes mineiros virou alvo de uma caneta burocrática. Nesta terça-feira (3), o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) suspendeu cautelarmente os contratos de patrocínio de empresas estatais mineiras que previam repasse de R$ 32 milhões para América-MG, Atlético-MG e Cruzeiro em 2027, interrompendo um acordo que havia sido anunciado com festa pelo governo do estado pouco mais de um mês atrás.
A decisão e quem a assina
A liminar foi proferida pelo conselheiro em exercício Licurgo Mourão, atendendo a uma representação apresentada pelo governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos). O texto determina que as estatais envolvidas — Cemig, Codemge, Codemig e Invest Minas — se abstenham de assinar qualquer contrato de patrocínio com clubes de futebol mineiros até que o mérito da questão seja julgado ou a medida seja revogada.
Para os casos em que algum contrato já tenha sido formalizado, a ordem é direta: suspensão imediata de pagamentos, transferências e qualquer outro tipo de recebimento. As empresas têm 48 horas para comprovar o cumprimento da decisão, sob risco de multa diária.
Como surgiu o patrocínio
O anúncio original havia sido feito pelo atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), em uma reunião com representantes dos três clubes no final de setembro. Pela proposta, Atlético-MG e Cruzeiro receberiam R$ 15 milhões cada, enquanto o América ficaria com R$ 2 milhões.
O movimento do governo mineiro tinha um motivo concreto: os clubes perderam contratos de patrocínio importantes depois que a atividade das casas de apostas esportivas foi suspensa no Brasil, enxugando uma fonte de receita que havia se tornado central para os orçamentos dos times nos últimos anos. Havia inclusive previsão de o estado abrir conversas para patrocinar também o Athletic, de São João del-Rei (Série B), e o Uberlândia, campeão da Série D.
Os questionamentos da representação
O pedido de suspensão apresentado por Cleitinho Azevedo colocou em xeque a forma como o patrocínio foi definido. Entre os pontos levantados estão a ausência de estudos técnicos que justificassem os valores, a falta de critérios objetivos para a escolha dos montantes, a seleção de apenas três clubes entre tantos times do estado e possíveis irregularidades no uso dos recursos.
Em vídeo divulgado sobre o caso, o governador eleito reforçou o argumento financeiro por trás da contestação, chamando atenção para o momento fiscal do estado.
"Minas Gerais precisou renegociar sua dívida com a União por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). O saldo devedor de R$ 179,3 bilhões foi refinanciado por 30 anos. Além disso, levantamento publicado pela imprensa apontou que o Estado encerrou 2025 com caixa líquido negativo de R$ 11,3 bilhões" — Cleitinho Azevedo, governador eleito de Minas Gerais
O que está em jogo para os três clubes
Para América e Cruzeiro, clubes que vinham tentando reorganizar as finanças depois do fim do boom das casas de apostas, a suspensão reabre uma lacuna orçamentária que o patrocínio estadual ajudaria a fechar já na temporada 2027. O Atlético-MG, maior beneficiário individual da proposta junto com o Cruzeiro, também fica sem a garantia desse aporte enquanto o processo tramita no tribunal.
A expectativa agora é que as diretorias dos três clubes acompanhem de perto o desenrolar da análise de mérito no TCE-MG, já que qualquer planejamento orçamentário para o próximo ano depende diretamente do desfecho desse julgamento.
O caso segue em aberto no Tribunal de Contas de Minas Gerais, sem data definida para o julgamento de mérito. A Redação do futebolrs.com.br acompanha o desdobramento e deve voltar ao assunto assim que houver nova decisão.