Autor do pênalti na derrota do Coritiba para o Inter, Moledo revela ameaças à família
Tem lance de futebol que acaba no apito final e tem lance que segue tocando na vida de um jogador muito depois de a bola sair de campo. Foi isso que aconteceu com Rodrigo Moledo. Autor do pênalti que decidiu a vitória do Inter sobre o Coritiba, na última terça-feira, no Beira-Rio, o zagueiro usou as redes sociais nesta sexta-feira para assumir o erro publicamente — e revelar que, desde então, ele e sua família vêm recebendo ameaças.
O lance que mudou o jogo
A confusão aconteceu já nos acréscimos da partida. Moledo acertou, com o pé, a cabeça do zagueiro Juninho, do Inter. No primeiro momento, a arbitragem deixou o jogo seguir. Só depois da revisão no VAR é que o pênalti foi assinalado. Na cobrança, Alerrandro não desperdiçou e converteu o gol que garantiu o triunfo colorado, resultado importante para o Inter na briga para escapar do rebaixamento.
Para o Coritiba, a derrota fora de casa pesou duplo: além do resultado negativo, o nome de Moledo passou a ser cobrado com força pela torcida paranaense — justamente por conta do lance que resultou na penalidade. A simbologia pesou ainda mais porque o zagueiro tem uma longa história com o clube gaúcho: vestiu a camisa do Inter por 11 anos antes de se transferir para o Coritiba, o que fez parte da torcida tratar o episódio como traição.
Moledo assume o erro
Em um texto publicado no Instagram, o zagueiro foi direto ao ponto sobre sua responsabilidade na jogada, sem buscar desculpas ou minimizar o que aconteceu.
"No último jogo, cometi um erro que acabou prejudicando nossa equipe na busca por um resultado importante fora de casa. Naquele lance, não vi a aproximação do adversário e acabei tomando uma decisão equivocada. Entendo a frustração de todos, mas não há ninguém mais frustrado com o que aconteceu do que eu. Sei da importância daquele lance, reconheço que poderia ter tomado uma decisão diferente e assumo integralmente minha responsabilidade pelo ocorrido."
O zagueiro também fez questão de se dirigir aos companheiros de equipe, aos profissionais do clube e à torcida do Coritiba, reafirmando o respeito pela camisa que veste atualmente e o compromisso com a reta final da temporada.
"Nenhum erro justifica ameaças"
A parte mais dura do desabafo, porém, foi sobre o que vem acontecendo fora de campo. Depois da derrota, uma torcida organizada do Coritiba, a Império Alviverde, chegou a pedir a saída do jogador. As críticas, segundo Moledo, ultrapassaram o limite do futebol e passaram a atingir diretamente sua família.
"Também preciso falar sobre algo que ultrapassa os limites do futebol. Minha família vem recebendo ameaças nas redes sociais, uma situação que não pode ser normalizada. Entendo as críticas e a frustração pelo resultado, mas nenhum erro dentro de campo justifica ameaças ou ataques aos familiares de um atleta. Peço respeito e que minha família seja preservada."
O que está em jogo para o Coritiba
O resultado negativo no Beira-Rio manteve o Coritiba na zona de atenção da tabela, ainda que distante do risco imediato de queda. O time paranaense soma 42 pontos e ocupa a 12ª posição, cinco pontos acima do Grêmio, que aparece no 17º lugar — motivo pelo qual o episódio também interessa diretamente ao torcedor gaúcho, de olho em cada resultado que pode influenciar a briga contra o rebaixamento.
O Coxa só volta a campo no dia 18 de novembro, quando recebe o Santos no Couto Pereira. Uma vitória ali pode praticamente encerrar qualquer ameaça de queda para o time. Caso contrário, a sequência seguinte é dura: Bahia fora de casa, Flamengo no Couto Pereira e Palmeiras fora, compromissos que aumentam a pressão sobre o grupo comandado por Moledo e companhia.
Enquanto o Coritiba se prepara para a sequência decisiva da temporada, o episódio reabre um debate recorrente no futebol brasileiro: a linha cada vez mais tênue entre crítica esportiva e ataque pessoal nas redes sociais. Para o Inter, o lance de Moledo já rendeu três pontos valiosos na luta contra o rebaixamento — mas, para o zagueiro, o custo foi bem maior do que uma simples cobrança de pênalti.