Análise: Inter teve mais personalidade, mas errou na hora certa contra o Flamengo
Inter teve mais personalidade, mas errou na hora certa contra o Flamengo
O 1 a 1 no Beira-Rio mostrou um Colorado competitivo e organizado por quase 80 minutos — até uma sequência de deslizes individuais custar o resultado.
Tem jogo em que o placar mente. O 1 a 1 entre Inter e Flamengo no Beira-Rio foi um desses: por praticamente todo o primeiro tempo e boa parte do segundo, quem jogou melhor foi o time da casa. Não pelo resultado final, mas pela leitura de jogo — e é isso que separa uma boa atuação de um resultado positivo.
Inter: intensidade e coragem, mas sem sustentar até o fim
Pezzolano montou uma equipe corajosa, disposta a jogar de igual para igual com o vice-líder. O time pressionou a saída de bola do Flamengo, teve o meio-campo mais ativo nos primeiros 45 minutos e converteu a única grande falha da defesa carioca no gol de Vitinho. Bruno Gomes, improvisado, cumpriu bem a função híbrida entre lateral e zagueiro, e Alan Patrick foi o jogador que mais concentrou a criação ofensiva — participou direto do lance do gol e seguiu como a principal referência até sair de campo.
O problema apareceu exatamente no momento em que o controle da partida pedia mais cautela. Depois dos 20 minutos do segundo tempo, com o Flamengo já ocupando mais espaço, o Inter permitiu transições rápidas e, na jogada do empate, cometeu dois erros seguidos: a perda de bola de Alan Patrick no meio-campo e o corte mal calculado de Matheus Bahia, que entregou de bico a bola para o ataque carioca. É o tipo de falha que, contra um time do nível do Flamengo, praticamente sempre vira gol.
Flamengo: qualidade individual decidindo sem grande volume de jogo
O time de Leonardo Jardim não teve sua melhor atuação coletiva. Ficou por baixo na intensidade durante o primeiro tempo e sofreu para furar a marcação organizada do Inter. Ainda assim, manteve a paciência, cresceu fisicamente no segundo tempo e teve talento suficiente no banco para mudar o jogo: as entradas de Danilo, Pulgar e Paulinho deram mais volume ofensivo, e a categoria de Arrascaeta e Samuel Lino resolveu no detalhe. Foi um empate construído mais pela capacidade de aproveitar o erro alheio do que por superioridade tática ao longo dos 90 minutos.
Depois do apito final, o próprio comandante colorado reconheceu o desperdício:
"Insatisfeito porque queríamos os três pontos, e acho que podíamos ter os levado. Mas muito satisfeito pelo que os jogadores fizeram dentro de campo." — Paulo Pezzolano, técnico do Inter
No vestiário, o sentimento foi parecido. Bruno Henrique, autor de boa atuação no meio-campo, resumiu o misto de orgulho tático e frustração no resultado:
"A gente sai com o gosto amargo do empate, mas tem muita coisa pela frente para a gente poder melhorar e começar a pontuar." — Bruno Henrique, volante do Inter
Quem se destacou — e quem devia mais
Villagra (Inter)
Dominou o setor de criação e neutralizou a saída de bola do Flamengo — a atuação mais consistente da noite.
Mercado (Inter)
Levou a melhor na maioria dos duelos contra Pedro, um dos artilheiros do Brasileirão.
Matheus Cunha (Inter)
Estreou bem, com defesas importantes até o gol sofrido.
Samuel Lino (Flamengo)
Decisivo no lance do empate, sempre por perto da área.
Matheus Bahia (Inter)
O corte mal calculado que originou o gol do empate — pior nota do time na partida.
Vitão e Léo Pereira (Flamengo)
Zaga vazada com facilidade no gol de Vitinho.
Alan Patrick (Inter)
Ditou o ritmo e quase deixou Carbonero na cara do gol, mas cansou fisicamente e perdeu a bola no lance que nasceu o empate.
No fim, o Inter fez o suficiente pra ganhar e não teve erro suficiente pra merecer perder — mas também não teve consistência pra segurar a vantagem contra um adversário do tamanho do Flamengo. É esse o resumo técnico da noite: um time organizado que precisa aprender a administrar momentos de jogo, e um adversário que, mesmo sem brilhar, tem repertório individual pra decidir no detalhe.
O ponto, aliás, tem peso além do jogo em si: com o Grêmio parado na rodada e a vitória do Mirassol sobre o Remo, o rival entrou na zona de rebaixamento nesta quarta. Inter e Grêmio somam os mesmos 22 pontos, mas o Colorado segue à frente só pelo critério de gols marcados — uma margem mínima. Antes de voltar ao Brasileirão, contra o Palmeiras, em São Paulo, no dia 9 de agosto, o Inter encara o Corinthians pela Copa do Brasil, neste domingo, no Beira-Rio.