Vermelho de Matheus Cunha desmonta o Inter, que perde para o Mirassol e segue no Z-4
Tem derrota que dói pelo placar e tem derrota que dói pela forma como ela nasce. A do Inter em Mirassol foi das duas. Antes mesmo de fazer qualquer defesa na partida, o goleiro Matheus Cunha saiu do gol para uma falta evitável, viu o cartão vermelho e condenou o time a jogar o resto da noite com um a menos. O resultado, 2 a 0 para o Mirassol, nesta sexta-feira (16), no estádio Maião, manteve o Colorado na 17ª posição do Brasileirão, dentro da zona de rebaixamento, com 32 pontos e sete rodadas para tentar escapar.
A expulsão que mudou tudo
O começo de jogo até sugeria equilíbrio. O Mirassol ficava com a bola, como de costume em casa, e o Inter se organizava para buscar o contra-ataque. A ideia era crescer aos poucos, sem se expor. Mas, aos 14 minutos, uma trapalhada mudou o roteiro da partida: Matheus Cunha saiu do gol para disputar um lance fora da área, mais pela lateral do que pelo centro, e atropelou o atacante adversário. Falta e cartão vermelho direto.
A partir daí, Eduardo Baptista precisou reorganizar a equipe na marra, sacrificando peças para reforçar a defesa. Ainda assim, o Inter resistiu até o intervalo sem levar gols — um mérito e tanto diante da inferioridade numérica.
Mirassol decide no segundo tempo
A resistência durou pouco depois do retorno do vestiário. Logo aos 2 minutos do segundo tempo, Igor Formiga cruzou na área e encontrou Eduardo completamente livre — nem os oito jogadores que o Inter mantinha dentro da área conseguiram marcar o atacante do Mirassol, que bateu de primeira e não deu chances a Kauan Jesus. 1 a 0.
O time colorado ainda tentou uma reação, mas o segundo gol veio aos 41 minutos: uma falha de Félix Torres na saída de bola abriu espaço para André Luís ampliar e selar o resultado. Nos acréscimos, o Mirassol teve a chance de fazer o terceiro em cobrança de pênalti, mas Reinaldo desperdiçou a cobrança, evitando um placar ainda mais pesado para o Inter.
Destaques da noite
Entre tantas dificuldades, alguns nomes se salvaram. Kauan Jesus começou nervoso no gol, mas cresceu na partida e fez três defesas importantes, evitando um resultado ainda mais elástico. Villagra, mais uma vez, foi o jogador mais regular do Inter em campo, repetindo a boa fase recente. Bruno Gomes também teve atuação de destaque, balançando a rede e ainda acertando a trave em uma cobrança no segundo tempo.
Do outro lado, Matheus Cunha levou a pior nota da noite pela expulsão precoce, e Félix Torres também decepcionou ao falhar no lance do segundo gol adversário.
A reação de Eduardo Baptista
Na entrevista coletiva após a partida, o técnico tentou manter o discurso de otimismo, mesmo reconhecendo os erros individuais que custaram o resultado. Baptista evitou expor publicamente Matheus Cunha e Félix Torres, e garantiu que as cobranças internas vão acontecer longe das câmeras.
"A gente sai triste. A gente cometeu erros pontuais. Mas a entrega e a coragem desse time mostram que faltam sete jogos. Acho que é importante levarmos isso daqui. Houve prejuízo? Claro, houve prejuízos. Mas a gente leva esse espírito daqui."
Sobre os erros individuais que decidiram o jogo, o treinador foi direto ao ponto, sem citar nomes:
"Cometemos erros pontuais, sim. Tivemos o placar comprometido. O que podemos fazer é trabalhar. Hoje, mesmo com um jogador a menos, nos organizamos e conseguimos jogar. Agora, precisamos minimizar os erros."
Questionado sobre apontar responsáveis publicamente, Baptista preferiu manter a postura de proteger o grupo:
"Não é do meu perfil vir aqui e apontar a arma para quem erra. Eu oriento, mas são eles que tomam as decisões dentro do campo. Vai haver cobranças, mas serão internas."
O que vem agora
O Inter volta a campo no próximo sábado (24), às 16h30min, no Beira-Rio, para enfrentar o Botafogo, pela 32ª rodada do Brasileirão. Para o confronto, Eduardo Baptista não vai poder contar com Mercado, Vitinho e Villagra, suspensos por terceiro cartão amarelo — justamente o jogador que foi o melhor em campo em Mirassol. Com a reta final da competição cada vez mais apertada, o Colorado não tem mais margem para tropeços dentro de casa.