Derrota para o Mirassol reduz a sete rodadas o prazo do Inter para escapar da Série B
O relógio não perdoa quem se atrasa, e o Inter chega a outubro correndo contra o próprio tempo. No Maião, em Mirassol, o time colorado foi derrotado por 2 a 0 na noite de sexta-feira, 16 de outubro, em partida da 31ª rodada do Brasileirão. Os gols de Eduardo, aos 3 minutos do segundo tempo, e André Luis, aos 42, seguiram a expulsão precoce do goleiro Matheus Cunha, ainda aos 14 minutos do primeiro tempo. Com o resultado, restam apenas sete rodadas para o Inter evitar o que os números já sugerem com insistência: a queda para a Série B.
Mais do que uma derrota isolada, o jogo no interior paulista serviu como retrato de uma temporada inteira. O Inter soma 32 pontos em 31 rodadas, com sete vitórias, 11 empates e 13 derrotas, 33 gols marcados e 40 sofridos — aproveitamento que não chega a 35%. É a pior marca do clube nesta altura do Campeonato Brasileiro em toda a sua história recente de lutas contra o rebaixamento.
Um comparativo que assusta
Para entender o tamanho do problema, basta olhar para o espelho do passado. Em 2016, ano em que o Inter foi efetivamente rebaixado, o time somava 36 pontos na 31ª rodada e ocupava a 16ª colocação. Em 2025, quando escapou da degola por pouco, tinha a mesma pontuação — 36 — e aparecia em 15º lugar. Hoje, com 32 pontos e na 17ª posição, dentro do Z4, o Inter está estatisticamente pior do que nos dois piores momentos recentes de sua história no torneio.
2016
2025
2026
Pontuação e posição na 31ª rodada do Brasileirão em cada temporada
Um time marcado pela história — pelos motivos errados
É difícil cravar, de forma definitiva, se este é o pior elenco da história do Inter. A resposta carrega subjetividade, mas os números da campanha atual empurram fortemente para esse lado. Independentemente do que vier a acontecer nas sete rodadas finais, este grupo de jogadores, comandado por Eduardo Baptista, já garantiu um lugar na memória do clube — e não pelo lado bom.
A derrota em Mirassol teve ainda um agravante tático: a expulsão do goleiro Matheus Cunha, ainda no primeiro tempo, obrigou o Inter a jogar a maior parte do jogo com um defensor a menos. O Mirassol, que lutava diretamente contra o rebaixamento, aproveitou a vantagem numérica no segundo tempo para abrir o placar e ampliar, subindo para a 14ª posição, com 36 pontos — justamente a marca que o Inter tinha nos dois piores anos recentes de sua trajetória no Brasileirão.
O que ainda resta de esperança
Matematicamente, a permanência ainda é possível. Restam sete rodadas, e o futebol brasileiro já viu reações de times em situação parecida. Mas a sensação, a cada rodada que passa, é de que o tempo trabalha contra o Colorado. O aproveitamento de menos de 35% ao longo de 31 jogos não é típico de um time que vai embalar uma arrancada súbita — é o retrato de uma equipe que, ao longo da temporada inteira, não conseguiu construir uma identidade capaz de sustentar uma briga de word contra o descenso.
O que vem agora
O Inter volta a campo no dia 24 de outubro, contra o Botafogo, no Beira-Rio, em Porto Alegre, às 16h30. São sete finais decisivas pela frente — e, pelos números que a temporada já deixou escritos, talvez a missão mais dura da história recente do clube para evitar a Série B.