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STJD suspende presidente do Inter, Alessandro Barcellos, por 30 dias e aplica multa de R$ 8 mil

Por: Redação FutebolRS 06/11/2026 Notícias
Dirigente foi apontado em súmula por xingamentos à arbitragem após a derrota para o Fluminense, no Maracanã. Alan Patrick foi absolvido no mesmo julgamento, e o departamento jurídico colorado já se movimenta para buscar efeito suspensivo.
Internacional

Porto Alegre · 6 de novembro de 2026 · Redação

Tribunal não perdoa boca quente. O que começou como um protesto de arquibancada contra a arbitragem terminou em condenação formal: o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) puniu nesta quinta-feira (5) o presidente do Inter, Alessandro Barcellos, com 30 dias de suspensão e multa de R$ 8 mil, por xingamentos dirigidos ao árbitro da partida entre colorados e Fluminense, no Maracanã, pela 33ª rodada do Brasileirão. Agora, faltando poucas semanas para o fim do mandato, o departamento jurídico do clube corre para reverter a punição antes que ela produza efeito.

O julgamento no Rio de Janeiro

A audiência aconteceu na tarde de quinta-feira e reuniu três alvos: o clube, o meia Alan Patrick e o próprio presidente Barcellos. Todos foram enquadrados a partir dos episódios que marcaram o pós-jogo da derrota por 2 a 1 para o Fluminense, resultado que deixou os torcedores revoltados com a arbitragem de Lucas Casagrande.

Alan Patrick e Barcellos responderam pelo artigo 243-F do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que trata de ofensa à honra e prevê suspensão de um a seis jogos, além de multa entre R$ 100 e R$ 100 mil. O resultado, porém, foi bem diferente para cada um: o meia foi absolvido por unanimidade, enquanto o presidente foi condenado.

Entenda o artigo 243-F: a regra do CBJD pune quem "ofende a honra ou a dignidade" de qualquer pessoa presente à partida — jogadores, árbitros, dirigentes ou comissões técnicas. A pena vai de uma a seis partidas de suspensão, combinada com multa de R$ 100 a R$ 100 mil, variando conforme a gravidade da conduta.

Xingamentos registrados em súmula

O que selou a condenação de Barcellos foi o relato oficial do árbitro. Segundo a súmula do jogo, apenas o presidente do Inter foi identificado entre quem gritou ofensas à beira do campo, repetindo frases como acusações de roubo e insultos diretos ao árbitro, exigindo a expulsão do lateral Renê, que não havia recebido o segundo cartão amarelo na jogada mais polêmica da partida.

Em sua defesa perante os auditores do tribunal, Barcellos negou ter sido o autor dos xingamentos descritos no documento. Mas, por se tratar de um registro oficial, os auditores optaram por considerar verdadeiro o relato do árbitro, e a condenação seguiu adiante.

A fala de Alan Patrick que gerou a denúncia

Foi a reclamação do próprio Alan Patrick, dada em entrevista ao vivo na saída do campo, que acendeu o estopim do caso. O meia criticou duramente a atuação da arbitragem logo após o apito final.

"Hoje, no meu ponto de vista, faltou personalidade do árbitro em dar o segundo cartão para o Renê. Nosso jogador ia sair cara a cara. Era uma falta clara para o cartão. Faltou culhão da parte dele em aplicar o segundo cartão. Teve mais alguns lances polêmicos. Mas agora não adianta a gente ficar aqui lamentando."

Apesar da dureza das palavras, o nome de Alan Patrick não constava na súmula do jogo — diferentemente do que ocorreu com o presidente colorado. Essa diferença foi decisiva para o resultado do julgamento: sem registro oficial contra o meia, os auditores não tiveram base documental para condená-lo, e a absolvição saiu por unanimidade.

Clube também foi denunciado — e absolvido

Além dos dois nomes individuais, o próprio Inter respondia ao processo pelo artigo 257 do CBJD, que trata de participação em rixa, conflito ou tumulto. A denúncia surgiu porque, segundo relatos do jogo, torcedores ou pessoas vestindo o uniforme do clube precisaram ser contidas por seguranças nas imediações do campo. Pela regra, quando não é possível identificar individualmente todos os envolvidos em uma confusão, a entidade a que pertencem pode ser multada em até R$ 20 mil. O STJD, no entanto, absolveu o Inter por unanimidade nesse item.

O que muda na prática: a corrida pelo efeito suspensivo

Com a condenação confirmada, o departamento jurídico do Inter já se prepara para protocolar, nos próximos dias, um pedido de efeito suspensivo junto ao STJD. Se o pedido for aceito, Barcellos recupera de imediato todas as suas funções, podendo representar o clube normalmente até o fim do mandato, sem qualquer restrição.

Se o efeito suspensivo não for concedido: a suspensão de 30 dias afasta Barcellos até a última rodada do Brasileirão, em 2 de dezembro. Na prática, ele fica impedido de representar o clube em reuniões oficiais, conceder entrevistas coletivas ou fazer pronunciamentos em nome do Inter durante esse período — justamente nas semanas finais de sua gestão.

A multa de R$ 8 mil, por outro lado, é definitiva e não depende de recurso para ser aplicada: cabe ao presidente — ou ao clube, dependendo de como for formalizado o pagamento — arcar com o valor independentemente do desfecho do pedido de efeito suspensivo.

O caso chega em um momento sensível para a gestão de Alessandro Barcellos, que se aproxima do fim do mandato à frente do Inter. Enquanto o departamento jurídico tenta destravar a situação no STJD, o calendário do clube segue: a última rodada do Brasileirão está marcada para 2 de dezembro, contra o Cruzeiro, em Minas Gerais — data que also marca o limite da suspensão, caso o efeito suspensivo não seja concedido antes disso.

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