Sem Kannemann, Renato ajusta defesa e recupera Wallace para a decisão contra o Coritiba
Curitiba vai virar, outra vez, território de decisão para o Grêmio. Na segunda-feira (26), às 19h30, o Tricolor entra no Couto Pereira para enfrentar o Coritiba pela 32ª rodada do Brasileirão precisando vencer para se afastar do Z-4 e tentar apagar a imagem da goleada sofrida para o Cruzeiro. Sem Kannemann, suspenso por cartões amarelos, Renato Portaluppi terá de volta o zagueiro Wallace, que retorna usando máscara de proteção após cirurgia no nariz — mas ainda não bateu o martelo sobre quem vai formar a zaga ao lado dele.
Uma rivalidade que também é amizade
O que poderia ser só mais um confronto do calendário ganha um tempero particular quando o assunto é Grêmio e Coritiba. Dentro de campo, a disputa é séria — os dois times vivem momentos de pressão na tabela. Fora dele, as torcidas organizadas Jovem (Grêmio) e Garra (Coritiba) constroem há anos uma relação de respeito que atravessou décadas e se fortaleceu em dois momentos específicos.
O primeiro foi em 2009, quando o Coxa caiu na semifinal da Copa do Brasil diante do Inter — que seria vice-campeão naquele ano. Pela rivalidade compartilhada com o Colorado, Geral do Grêmio e Império se uniram para torcer pelo Coritiba nas arquibancadas, selando uma amizade que se mantém firme.
O segundo, mais recente, veio em 2024, quando a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul deixou a Arena submersa e obrigou o Grêmio a buscar casa emprestada. O Coritiba abriu as portas do Couto Pereira, recebendo seis jogos do Tricolor naquele período. Torcedores curitibanos chegaram a ajudar gremistas com estrutura e abrigo durante as viagens.
Uma relação que já era muito boa, ficou ainda melhor por tudo que eles fizeram.
A frase é de Ariel Dinis, integrante da Geral, que lembra o acolhimento recebido na capital paranaense. O torcedor gremista Vitor Maia guarda lembrança parecida.
Foi uma das melhores experiências que eu tive na minha vida. Toda a torcida gremista se sentiu abraçada num estádio que não era nosso. Lembrava o nosso antigo Estádio Olímpico, então já dava uma sensação de nostalgia.
O Coritiba voltou à Série A em 2026 depois de disputar a segunda divisão no ano anterior, e o primeiro encontro das torcidas em 2026 aconteceu na Arena, com vitória do Tricolor por 1 a 0. Para o confronto de segunda-feira, o Grêmio comprou as quatro mil entradas do setor visitante do Couto Pereira para distribuir de graça aos torcedores, enquanto o Coxa lançou promoção para que sócios levem um acompanhante sem custo.
Com a torcida do Grêmio é só amizade mesmo.
Resume Renan Sanlorenzi, torcedor coxa-branca que acompanha o clube por todo o Brasil.
Zaga em reconstrução
Depois de sofrer seis gols nas últimas três rodadas — incluindo os quatro tomados diante do Cruzeiro — o Grêmio precisa de resposta defensiva imediata. A primeira mudança já está definida: Kannemann cumpre suspensão e abre vaga para o retorno de Wallace, que ficou de fora justamente contra o Cruzeiro para cumprir pena por cartões amarelos e também para seguir a recuperação da cirurgia no nariz.
A dúvida gremista está em quem acompanha Wallace na zaga. No jogo-treino desta quinta-feira (22), vitória por 3 a 0 sobre o Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio Grande do Sul no CT Luiz Carvalho, os gols saíram justamente dos pés de dois zagueiros — Wallace e Balbuena — além de Roger. O resultado reforça o paraguaio como favorito para começar ao lado de Wallace.
Após a derrota para o Cruzeiro, Renato Portaluppi foi direto ao apontar o motivo dos gols sofridos.
O que faltou foi atenção. Você não pode tomar quatro gols com quatro falhas nossas. É muita coisa. Já é difícil fazer gol. Você tem que estar focado, concentrado no trabalho dos 90 minutos, porque no momento que o juiz apita, a coisa vai acontecer, a favor e contra. No momento que a gente se desligou, não concentrou do jeito que nós deveríamos concentrar na partida, nós tomamos os gols.
Os números, porém, mostram que o problema do Grêmio na temporada não é exatamente a defesa fora de casa. O time é a nona melhor defesa visitante do Brasileirão, com 23 gols sofridos em jogos fora da Arena. O entrave está no ataque: apenas nove gols marcados em 15 partidas como visitante.
Coxa tenta voltar a vencer
Do outro lado, o Coritiba também busca reação. O time paranaense ocupa a 12ª posição, com 37 pontos, mas acumula seis jogos seguidos sem vencer no Brasileirão. A boa notícia para o Coxa é a mobilização da torcida: além da promoção de ingressos para sócios, o clube espera casa cheia para tentar encerrar o jejum diante de um rival direto na tabela.
Equilíbrio é a palavra de ordem
Para analisar o momento gremista, o ex-zagueiro e hoje técnico Luciano Dias destacou a importância de encontrar estabilidade entre os setores antes de fechar a escalação para Curitiba.
Nesses momentos, o dia a dia é o que nos dá uma condição de realizar uma avaliação mais criteriosa. Independente da zaga, toda equipe tem seus detalhes individuais, mas precisa encontrar o equilíbrio ofensivo e defensivo. Vejo dessa forma o momento do Grêmio: ter o foco na partida, virar a página do último jogo e olhar para frente. Não adianta lamentar. Não tenho como especificar se jogaria A ou B — a comissão, no dia a dia, fará a escolha ideal dentro da estratégia para o jogo.
A fala resume o momento da comissão técnica: resolver a defesa sem perder de vista o problema maior, que é fazer o time balançar as redes fora de casa.
Quando e onde
Grêmio e Coritiba se enfrentam na segunda-feira (26), às 19h30, no Estádio Couto Pereira, em Curitiba, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro.
O Grêmio chega à rodada na 18ª posição, com 31 pontos, dentro do Z-4 e ainda sem vencer como visitante no Brasileirão. Uma vitória em Curitiba seria o primeiro passo para o time se afastar do risco de queda antes da reta final da competição — e, de quebra, reforçar uma amizade que, segundo as próprias torcidas, está acima do resultado dentro de campo.