Renato cobra ritmo dos garotos e retrospecto contra Baptista aquece a reta final antes do Gre-Nal 455
Faltam seis dias para o Gre-Nal 455, e o relógio da reta final do Brasileirão já corre mais rápido do que a paciência de qualquer torcedor. No meio dessa contagem, duas histórias se cruzam dentro do CT do Grêmio: a de um ídolo que voltou para salvar o time do rebaixamento e que não aceita ver talento perdendo ritmo no banco, e a de um confronto entre treinadores que, por trás das câmeras, já tem um capítulo escrito no passado. Domingo (11), às vésperas da 30ª rodada, Grêmio e Inter se encontram de novo — e desta vez o duelo entre Renato Portaluppi e Eduardo Baptista carrega o peso extra de uma tabela que não perdoa.
Um duelo com apenas dois capítulos — e os dois para o mesmo lado
Renato tem 64 anos e comanda equipes desde 2001. Baptista, 56, está na profissão desde 2014. Em 12 anos de carreiras cruzadas, os dois técnicos só se enfrentaram duas vezes — e nas duas, quem sorriu foi o gremista, sem sequer ser vazado uma vez.
O primeiro encontro aconteceu em 2017, nas quartas de final da Copa do Brasil, com o Grêmio ainda carregando a faixa de campeão da edição anterior. No jogo de ida, na Arena, o Tricolor atropelou o Athletico-PR por 4 a 0. Lucas Barrios abriu o placar com um chute de fora da área e ainda fez o segundo gol. Kannemann, de cabeça, fechou a conta do primeiro tempo em 3 a 0, e Everton Cebolinha cravou o quarto na etapa final. Curiosidade à parte: o goleiro paranaense naquela noite era Weverton — hoje, companheiro de Grêmio.
Grêmio 4 x 0 Athletico-PR
Ida, na Arena. Dois gols de Lucas Barrios, um de Kannemann e um de Everton Cebolinha.
Ponte Preta 0 x 1 Grêmio
Em Campinas. Gol de Ramiro, de cabeça, após cruzamento de Léo Moura.
No mesmo ano, mas já com Baptista comandando a Ponte Preta, o segundo encontro também ficou com o Grêmio. Pela 33ª rodada daquele Brasileirão, o time gaúcho venceu por 1 a 0 em Campinas, no Estádio Moisés Lucarelli, em um gol que fugiu do script: Ramiro, que nunca teve a bola aérea como arma, cabeceou no canto após cruzamento de Léo Moura e decidiu a partida.
Aquele Grêmio de 2017 tratava o Brasileirão como prioridade secundária — a temporada era a da conquista da terceira Libertadores do clube, selada no fim de novembro. Mesmo assim, terminou o campeonato na quarta colocação. Depois de eliminar o Fluminense nas oitavas da Copa do Brasil com um agregado de 5 a 1 e o próprio Athletico-PR nas quartas, o time caiu nas semifinais, batido pelo Cruzeiro nos pênaltis — o time mineiro que terminaria campeão daquela edição.
Agora, quase uma década depois, Eduardo Baptista tenta reverter um retrospecto que o persegue há dois encontros. A diferença é que, desta vez, ele não chega como visitante de passagem: assumiu o Inter em um momento de crise, depois da saída de Paulo Pezzolano, e tenta provar que o trabalho recente — que começou a melhorar a repercussão inicialmente ruim — pode se transformar na primeira vitória sobre o rival histórico.
Renato pede ritmo, não apenas talento
Enquanto a conta do passado roda nos bastidores, o presente do Grêmio tem uma preocupação mais prática. Em entrevista à Grêmio TV no último sábado (3), Renato deixou clara a insatisfação com uma rotina que vinha incomodando: jovens promovidos ao grupo principal ficavam apenas treinando, sem minutos de jogo — e, para o treinador, isso tem um preço.
Para Renato, talento sem ritmo de jogo não serve: jogadores que ainda não se firmaram no time titular não podem passar semanas só treinando, porque é assim que se perde a pegada de competição — e quando a chance aparecer no time principal, é preciso estar pronto.
Foi esse entendimento que levou o técnico a pedir a presença de Luís Eduardo, Roger, Riquelme e Jefinho no Gre-Nal sub-20 da última sexta-feira (2), vencido pelo Tricolor por 3 a 0. Tiaguinho também estava na lista, mas se lesionou e não chegou a entrar em campo.
O destaque daquela tarde, segundo a avaliação interna do clube, foi João Borne. A resposta já apareceu na lista de relacionados: o garoto está confirmado para o compromisso desta quarta-feira, contra o Remo, em Belém, e deve começar no banco de reservas.
Dez rodadas, duas crises, nenhuma certeza
O pano de fundo de tudo isso é a reta final mais tensa do ano para os dois lados do Guaíba. Grêmio e Inter têm, cada um, dez rodadas pela frente carregadas de desconfiança quanto à capacidade técnica dos seus times — e o Gre-Nal 455 cai bem no meio dessa reta.
A contratação de Renato devolveu esperança ao torcedor gremista, mas não apagou as dúvidas: a troca de treinador reduziu o temor do rebaixamento, sem eliminá-lo. Do outro lado, a saída de Pezzolano e a chegada de Baptista tiveram repercussão inicial ruim, que foi melhorando conforme o trabalho avançou — ainda assim, a sombra da degola segue mais presente na cabeça colorada do que na gremista.
A pergunta que fica no ar, repetida entre colunistas e torcedores, é simples: basta trocar de treinador para o time jogar melhor? Até aqui, tanto Grêmio quanto Inter jogaram menos do que precisavam e caminharam perto demais do precipício da Série B. Mas futebol é imprevisível — e não seria surpresa nenhuma se um dos dois, ou os dois, encontrasse na sequência as vitórias que faltaram na temporada.
O que vem a seguir: antes do Gre-Nal 455, o Grêmio tem compromisso nesta quarta-feira (7), contra o Remo, em Belém, pela rodada do Brasileirão. O clássico contra o Inter está marcado para domingo (11), pela 30ª rodada, e será o palco em que Eduardo Baptista buscará, enfim, sua primeira vitória diante de Renato Portaluppi — depois de dois encontros, em 2017, que terminaram só de um jeito.