Grenal do returno: o que mudou entre Grêmio e Inter desde o último clássico
O Gre-Nal do returno chega como um daqueles clássicos que pesam mais pelo que está em jogo do que pela rivalidade em si. No domingo, dia 11 de outubro, às 17h30min, Grêmio e Inter voltam a se encontrar na Arena, agora pela 30ª rodada do Brasileirão — e dessa vez não é só o orgulho gaúcho que está na mesa, mas a sobrevivência na elite do futebol brasileiro. O Tricolor ocupa a 17ª colocação, com 29 pontos; o Colorado aparece logo atrás, em 18º, com 28. Entre o confronto anterior, em 3 de setembro, quando o Grêmio venceu por 3 a 1 pelas quartas de final da Copa do Brasil, e este novo capítulo, os dois clubes trocaram de técnico, mudaram peças em campo e viveram semanas de reconstrução em meio a uma das maiores crises conjuntas da história do futebol gaúcho.
Duas demissões, duas respostas rápidas
A engrenagem começou a girar pouco depois do último clássico. No Grêmio, a queda de Luís Castro veio em 13 de setembro, no dia seguinte a uma derrota para o Vasco dentro de casa — resultado que coroou uma campanha fraca no Brasileirão e esgotou a paciência da diretoria tricolor. A resposta foi imediata: um dia depois, no dia 14, o clube anunciou a contratação de Renato Portaluppi, trazido de volta para tentar tirar o Grêmio da briga contra o Z-4.
Desde que assumiu, Renato já viveu dois capítulos oficiais: foi auxiliar de Felipão na derrota para o Botafogo, por 3 a 2, e comandou sozinho o empate sem gols com o Palmeiras — sua estreia formal à frente da equipe na reta final da temporada.
No Inter, o roteiro foi parecido, só que com outro personagem. Paulo Pezzolano teve o contrato rescindido em 19 de setembro, após a derrota para o São Paulo, também no auge do momento ruim da equipe no Brasileirão. Quatro dias depois, em 23 de setembro, o Colorado anunciou Eduardo Baptista, que chegava direto do Criciúma. Diferente de Renato, Baptista ainda não estreou oficialmente: a data Fifa, iniciada em 21 de setembro, interrompeu o calendário logo após sua chegada e adiou seu batismo de fogo no comando do time.
Como os times estavam no último Gre-Nal
No Gre-Nal 454, decidido pelas quartas de final da Copa do Brasil, as equipes foram a campo com as seguintes formações:
Grêmio (Luís Castro)
- Weverton
- Diego Caito, Wallace, Kannemann (Gustavo Martins) e Marlon
- Noriega, Villasanti e Krovinovic (Nardoni)
- Pavon (Tetê), Carlos Vinícius e Amuzu (Enamorado)
Inter (Paulo Pezzolano)
- Matheus Cunha
- Bruno Gomes, Maripán, Mercado e Matheus Bahia (Vitinho)
- Villagra, Bruno Henrique (Carbonero), Thiago Maia (Paulinho) e Alan Patrick
- Bernabei e Sanabria (Alerrandro)
O Grêmio testado por Renato: cinco mudanças, mas nem todas vão para o Gre-Nal
Nos testes realizados durante a data Fifa, o Grêmio goleou o Sindicato dos Atletas por 5 a 0 com uma escalação bem diferente daquela usada no último clássico: Weverton; João Pedro, Wallace, Kannemann e Caio Paulista; Danilo Barbosa, Dodi e Nardoni; Pavon, Carlos Vinícius e Amuzu.
Foram cinco alterações em relação ao Gre-Nal 454, concentradas nas laterais e em todo o meio-campo. Mas nem tudo deve se repetir contra o Inter: Villasanti e Noriega, ausentes nesse teste por motivos pontuais — o paraguaio estava a serviço da seleção, o peruano cumpre suspensão no jogo contra o Remo — devem recuperar as vagas de titular assim que estiverem disponíveis.
A nova hierarquia tricolor sob o comando de Renato
Mais do que escalação, o que mudou no Grêmio desde a chegada de Renato foi a ordem de prioridades dentro do elenco. Essas escolhas já apareceram na estreia da nova comissão, no empate sem gols com o Palmeiras.
Zaga: João Pedro e Balbuena voltam do ostracismo
O setor defensivo é onde as mudanças mais chamam atenção. João Pedro e Balbuena ressurgiram entre os titulares depois de um jejum e tanto. Balbuena não era titular desde o jogo contra o Flamengo, em 10 de maio. Já a última vez que João Pedro havia sido escalado como titular foi ainda no Gauchão, contra o Juventude, na partida de volta das semifinais, em 22 de fevereiro.
Do outro lado dessa equação está Wagner Leonardo, que deve seguir sem espaço. Mesmo sem Kannemann, canhoto, no time contra o Palmeiras, Renato preferiu escalar três zagueiros destros a recorrer ao ex-jogador do Vitória.
Meio-campo: Danilo Barbosa cresce, Nardoni e Tetê recebem aval público
Danilo Barbosa é outro nome cotado a ganhar protagonismo a partir da retomada dos jogos — ele deve ser titular contra o Remo, não só pela ausência de Noriega, suspenso para o duelo em Belém. Nardoni e Tetê, por sua vez, receberam incentivo público do técnico: o volante já treinou entre os titulares nos últimos dias, enquanto o atacante segue na fila aguardando a chance.
"Hoje mesmo tive uma conversa longa com o Tetê, ele me procurou. E foi importante essa conversa, porque não só o Tetê, o Nardoni, ou qualquer outro jogador — agora é hora de juntar todas as forças, é hora de botar todo mundo para cima, é hora de dar um papel para cada um dentro do campo." — Renato Portaluppi, em coletiva de apresentação
Ataque: Enamorado sobe, Jovane Cabral é cobrado
A boa atuação de Enamorado garantiu pontos com a comissão técnica. Já Jovane Cabral recebeu broncas pelo rendimento contra o Palmeiras, especialmente pela demora em fazer a recomposição defensiva — um ponto que Renato já havia cobrado publicamente antes mesmo da derrota para o Botafogo.
"Precisam se entregar. Isso aqui é Grêmio. Todo mundo tem que ter sua responsabilidade. Deixei bem claro o meu recado antes mesmo do jogo do Botafogo e os jogadores estão entendendo. Estão se cobrando na boa entre eles também, e tem que ter a entrega. Corre, dá o máximo dentro da parte tática que o treinador quer. Se não dá mais, levanta o braço e pede pra sair. Aí o companheiro vai lá e entra. Enquanto estiver lá dentro, tem que se entregar." — Renato Portaluppi
Eduardo Baptista também mexe no sistema do Inter
Do outro lado do clássico, a mudança mais visível não é de nome, e sim de desenho tático. Enquanto Pezzolano escalava o Inter num 4-2-3-1, Eduardo Baptista vem testando o time num 3-4-2-1. Nos ensaios recentes, a escalação ficou assim: Matheus Cunha; Bruno Gomes, Mercado e Juninho; Braian Aguirre, Villagra, Thiago Maia e Bernabei; Vitinho e Alan Patrick; Alerrandro.
Nomes que perderam espaço
- Maripán
- Matheus Bahia
- Bruno Henrique
- Sanabria
Nomes que ganharam espaço
- Juninho
- Braian Aguirre
- Vitinho
- Alerrandro
Como ainda não comandou o Inter em nenhuma partida oficial — a data Fifa tomou justamente as primeiras semanas de seu trabalho — Baptista chega ao Gre-Nal com a vantagem de ter podido testar o esquema sem a pressão de um resultado imediato, mas também com a incógnita de uma estreia oficial que será, nada mais, nada menos, que um clássico valendo pontos contra o descenso.
Entre demissões, contratações relâmpago e elencos sendo reorganizados peça por peça, Grêmio e Inter chegam ao Gre-Nal do returno em um momento raro: os dois precisando do clássico mais pela tabela do que pela história. Antes de pensar no rival, o Grêmio ainda tem pela frente o duelo contra o Remo, tratado como termômetro final para Renato decidir sua equipe. Do outro lado, Eduardo Baptista usa o clássico como sua própria estreia oficial à frente do Colorado. No domingo, às 17h30min, na Arena, as novas hierarquias dos dois lados serão testadas sob a pressão mais alta que o Gauchão pode oferecer: a da zona de rebaixamento.