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Pizzamiglio revela por que Raí Silva não foi negociado com o Grêmio e Verdão vê tabela mais favorável na Série B

Por: Redação FutebolRS 14/10/2026 Notícias
Presidente alviverde reclama de abordagem "mal-educada" do Tricolor por Raí Silva e cita caso Caique como mancha na relação entre os clubes. Enquanto isso, no campo, o Ju tem pela frente só um confronto direto no returno final da Série B.
Juventude

14 de outubro de 2026 · Caxias do Sul (RS) · Redação

Tem negócio que não anda nem no campo nem fora dele, e no caso de Raí Silva a bola parou antes de rolar. O meia de 24 anos, artilheiro do Juventude na temporada com sete gols, era alvo do Grêmio na última janela de transferências, mas a conversa travou antes de sair do papel. Nesta quarta-feira, o presidente do Verdão, Fábio Pizzamiglio, revelou o motivo: segundo ele, a forma como o Tricolor tentou a negociação — direto com o atleta e seu agente, sem passar pela diretoria caxiense — foi recebida como uma falta de respeito.

A bronca do presidente do Ju

Depois de sondagens de São Paulo e Cruzeiro ao longo do ano, foi a vez do Grêmio tentar a sorte pelo camisa 75. Mas, de acordo com Pizzamiglio, o estilo da abordagem gremista repete um padrão que incomoda a diretoria do Juventude: conversar com o jogador antes de avisar o clube.

Em entrevista ao programa Show dos Esportes, da Rádio Gaúcha Serra, o mandatário alviverde foi direto ao detalhar o episódio.

"Primeiro, não nos avisaram antes da negociação, depois vão sempre direto nos atletas, algo que não é o comum dentro do futebol. E quando a gente tenta conversar sobre o assunto, há sim falta de educação extrema, então acabaram as conversas" — Fábio Pizzamiglio, presidente do Juventude.

O dirigente foi além e contou como recebeu o contato do Tricolor sobre o meia, que tem no contrato uma cláusula de renovação automática caso o Juventude confirme o acesso à Série A nesta temporada — o que, segundo o presidente, tornava a negociação ainda mais precipitada.

"Chegou via Whats uma solicitação bem mal-educada e a resposta foi essa, que o Raí tem a renovação automática em caso de acesso e não deveria ter sido tratado isso antes de saber se vai ter acesso ou não. Até porque, a gente não sabe também onde vai estar o Grêmio. Talvez a gente esteja na A e o Grêmio na B. E aí também fica meio complicado, foi mais uma vez meio atravessado, não desceu muito bem" — Fábio Pizzamiglio.

Mesmo com a cláusula de renovação automática garantida em caso de acesso, o próprio Juventude reconhece que a permanência de Raí Silva para 2027 não está livre de ameaças — afinal, o interesse de outros clubes maiores deve continuar.

O fantasma do caso Caique

A desconfiança do Juventude com o Grêmio não nasceu agora. Pizzamiglio lembrou o episódio do volante Caique, que chegou a deixar a Serra e realizar exames médicos no Tricolor antes de o próprio Grêmio desistir do negócio, deixando o jogador — e o clube caxiense — no meio do caminho. Para o presidente alviverde, esse tipo de conduta tem se repetido e desgastado a relação entre as diretorias.

Na comparação, o dirigente destacou que a relação com o Internacional, o outro gigante gaúcho, costuma ser mais transparente, citando inclusive a saída do técnico Roger Machado como algo natural do mercado.

"Por parte do Inter até não tenho não tanto que reclamar. Quando tem alguma coisa, o Barcellos me liga, a gente conversa. Teve o caso do Roger, é algo que é entendível. Não é legal perder um técnico, mas é do jogo. Mas tem outros casos que é realmente bem complicado, a gente pode citar o caso do Caíque e outros casos aí que não foram encaminhados da melhor forma" — Fábio Pizzamiglio.

Dentro de campo, a tabela sorri para o Ju

Enquanto a novela do mercado segue dando o que falar, no campo o momento é de outra natureza: faltam cinco rodadas para o fim da Série B, e o calendário reservado ao Juventude é bem mais tranquilo do que o dos principais concorrentes na briga pelo acesso e até pelo título.

Atualmente na terceira posição, o Verdão integra o G-6 da competição junto de Vila Nova (1º), Novorizontino (2º), Fortaleza (4º), Criciúma (5º) e Atlético-GO (6º). CRB (7º) e Sport (8º) também sonham com uma vaga entre os primeiros seis — todos já superaram a marca dos 50 pontos após 33 rodadas disputadas.

Só um confronto direto

Levando em conta o atual G-8, o Juventude terá apenas um duelo direto nas cinco rodadas finais — mas um duelo de peso: justamente contra o líder Vila Nova, fora de casa, no estádio OBA, em Goiânia, no dia 31, pela 36ª rodada. Um jogo que pode colocar o Ju de vez na disputa pelo título da Série B.

Os outros quatro adversários do Verdão — Ceará, Náutico, Cuiabá e Botafogo-SP — vivem realidades bem diferentes das do G-6. Ceará, Náutico e Botafogo-SP ainda lutam contra o risco de rebaixamento, enquanto o Cuiabá já está livre do Z-4, mas também fora da briga pelo acesso.

Fora

Ceará

Adversário briga contra o rebaixamento.

Casa

Náutico

Pernambucano também mira fugir do Z-4.

Fora

Vila Nova

Confronto direto no OBA, pela 36ª rodada, dia 31.

Fora

Cuiabá

Sem risco de queda e fora da briga pelo G-6.

Casa

Botafogo-SP

Também na luta contra o rebaixamento.

O contraste fica claro quando se olha para os rivais mais próximos. Vila Nova, Novorizontino e Fortaleza terão quatro confrontos diretos cada um nas rodadas finais, e o Criciúma, três. O próprio líder Vila Nova jogará três dessas decisões em casa — contra Novorizontino, Juventude e Criciúma — e só visita fora o Fortaleza, na rodada final. Já o Novorizontino, vice-líder, terá o caminho inverso: apenas um duelo direto em casa, diante do Fortaleza, e os outros três fora, contra Vila Nova, Atlético-GO e Criciúma.

O alerta do técnico Barbieri

Para o técnico Maurício Barbieri, o equilíbrio na parte de cima da tabela também passa por decisões de arbitragem que, na visão dele, custaram pontos ao Juventude ao longo da competição.

"Eu acho que essa é uma tendência. A única coisa que eu posso falar é que além do equilíbrio, todas essas decisões (da arbitragem) que a gente está vendo, que eu entendo que se tivessem tomado outra direção, talvez nós, nesse momento, pudéssemos ter uma gordura que eu acho que a gente merecia, porque desempenhamos para ter, porque a gente criou as oportunidades, porque a gente inutilmente fez os gols e eles foram anulados de maneira que não compreendemos" — Maurício Barbieri, técnico do Juventude.

O comandante alviverde pediu cautela para a reta final da competição.

"Vamos ter que apresentar muita serenidade, cabeça fria para enfrentar os últimos cinco jogos e tentar buscar esses objetivos" — Maurício Barbieri.

Dentro e fora de campo, o Juventude vive um momento de afirmação. No mercado, a diretoria sinaliza que não vai abrir mão de Raí Silva sem as condições que considera corretas, nem vai relevar abordagens que julga desrespeitosas — ainda que isso signifique seguir de cabeça erguida mesmo diante do Grêmio. Na tabela da Série B, o caminho relativamente mais ameno nas cinco rodadas finais acende a chama de um sonho que vai além do simples acesso: o título da competição, que passa justamente por aquele duelo direto contra o líder Vila Nova, no fim deste mês, em Goiânia.

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