Pezzolano diz que Inter vive o pior momento financeiro da história do clube
Tem demissão que dói na hora e tem demissão que dói depois, quando o silêncio vira palavra. Três semanas após deixar o comando técnico do Inter, Paulo Pezzolano finalmente falou sobre o que viveu no Beira-Rio — e escolheu um microfone do Uruguai para fazer o diagnóstico mais duro já dado publicamente sobre as finanças coloradas. Em entrevista à rádio Carve Deportiva, o treinador afirmou que o clube atravessa o ano economicamente mais complicado de sua história, com dívidas elevadas e um elenco que não pôde ser reforçado por falta de recursos.
Pezzolano assumiu a equipe em janeiro e foi demitido depois da derrota por 1 a 0 para o São Paulo, no Morumbis. Desde a saída, o comando passou a Eduardo Baptista, que disputou duas partidas pelo time — uma vitória e um empate.
Gratidão e elogios à torcida
Antes de entrar no mérito financeiro, o uruguaio fez questão de agradecer a oportunidade e destacar o vínculo criado com o ambiente colorado, citando nominalmente a diretoria que o contratou.
"O trabalho no dia a dia foi espetacular e o relacionamento com as pessoas também foi muito bom. Serei sempre grato ao presidente, ao Abel Braga e ao Fabinho Soldado pelo tempo que estive no Inter."
"Não se podia contratar"
O ponto central da entrevista, porém, foi o retrato que Pezzolano fez da saúde financeira do clube. Para ele, a limitação orçamentária impediu reforços durante toda a sua passagem e explica boa parte das dificuldades enfrentadas dentro de campo.
"Saímos de um clube gigante que está passando por um momento muito duro. Na história do clube, é o ano mais complicado economicamente, com muitas dívidas, sem poder contratar. Não se podia contratar."
Resultado abaixo do futebol praticado
Mesmo reconhecendo que os números na tabela não acompanharam as expectativas, o treinador defendeu o trabalho desenvolvido no dia a dia e atribuiu a queda de rendimento a fatores externos ao que via nos treinamentos.
"Não tivemos os resultados que poderíamos ter tido. Estávamos abaixo na tabela, mas sinto que havia um carinho comigo que não é normal. É a felicidade que fica pelo trabalho que fizemos."
Na sequência, Pezzolano foi ainda mais enfático ao comparar o futebol apresentado pela equipe com a posição que ocupava no Brasileirão durante sua gestão.
"É uma lástima que, no futebol, não há merecimento. Pelo dia a dia, pelo futebol, era para o time ter muito mais pontos e para estar em quinto ou sexto na tabela, mas estávamos embaixo."
O que fica da fala
O depoimento chega num momento sensível para o Inter, que segue sob o comando de Eduardo Baptista na tentativa de reverter a sequência irregular no Brasileirão. As declarações de Pezzolano não trazem números oficiais de dívida, mas reforçam um discurso que já circulava nos bastidores: o de que o planejamento financeiro do clube passou a restringir diretamente o mercado de contratações ao longo de 2026.
Para a torcida colorada, a fala do uruguaio funciona como uma espécie de carta aberta — sem rancor, mas sem poupar críticas à estrutura que encontrou. Fica o reconhecimento mútuo entre treinador e torcida, e fica também o alerta sobre um problema que não se resolve com uma simples troca de comando técnico.
O Inter segue na briga pela parte de cima da tabela do Brasileirão sob o comando de Eduardo Baptista, que soma uma vitória e um empate em dois jogos à frente da equipe desde a saída de Pezzolano.