Caxias avança no planejamento para 2027 e mira elenco enxuto após temporada de excessos
Enquanto o gramado do Centenário descansa entre uma temporada e outra, é nos corredores administrativos do clube que o Caxias já trabalha pelo ano que vem. Faltam meses para a bola rolar em 2027, mas a diretoria grená não perde tempo: o departamento de futebol, comandado pelo vice-presidente Ranielli Cechinato e pelo recém-contratado executivo Fernando Leite, já passou o pente-fino em 34 nomes de técnicos, aprofundou a conversa com nove deles e desenhou os três pilares que vão sustentar o projeto — ajuste no orçamento, contratação do comandante e uma reformulação radical no perfil do elenco.
A temporada que vem reserva um calendário puxado: o Caxias vai disputar o Campeonato Gaúcho e uma Série C ainda mais longa e exigente, com 23 rodadas somente na primeira fase. Para dar conta desse desafio sem repetir os erros de 2026 — ano em que o clube gastou acima do planejado e não teve o retorno esportivo correspondente —, a cúpula grená decidiu rever a forma de montar o elenco e escolher o técnico.
Trinta e quatro nomes avaliados até chegar a um plano A
O trabalho de bastidores já rendeu uma triagem extensa. Foram 34 técnicos analisados pelo departamento de futebol, mas só nove avançaram para conversas diretas. O nome preferido da diretoria é Marcelo Fernandes, campeão da Série C no ano passado pela Ponte Preta e que mais recentemente esteve no comando do Botafogo-PB. O problema é financeiro: o treinador e sua comissão têm um patamar salarial bem acima do que o Caxias consegue bancar hoje. Mesmo assim, o clube ainda aguarda uma resposta dele.
Na lista de profissionais sondados ou já ouvidos pela diretoria também apareceram Higo Magalhães, hoje no Brusque, além de três nomes com passagem recente pelo próprio Caxias — Thiago Gomes, Thiago Carvalho e Júnior Rocha. Completam a relação Pintado, ex-Juventude, Ricardo Cobalchini, que já comandou tanto o Ca quanto o Ju, Leston Júnior, do Floresta, e Christian de Souza, do Santa Cruz. Todos os nomes foram confirmados pelo próprio Ranielli Cechinato em entrevista à Rádio Caxias.
"Nós estamos muito aquém do mercado, do que o Paysandu estava pagando na Série C, que o próprio Botafogo-PB com o Marcelo Fernandes. Consultamos o Higo Magalhães, que trabalha no Brusque, mas os valores que estão é muito além do que o Caxias pensa."
— Ranielli Cechinato, vice de futebol do Caxias
Segundo o dirigente, salvo alguma surpresa de última hora, o próximo técnico do Caxias deve sair justamente desse grupo já mapeado.
"A gente tem que ter os pés no chão e a partir dessa triagem em relação a modelo de jogo de cada técnico, mas principalmente também o aspecto de querer vir na nossa condição financeira. Nós não vamos fazer loucura. Mas é possível, mesmo com essa limitação, de a gente criar um bom ambiente de trabalho, um grupo competitivo que tenha entendimento do que é o Gauchão."
— Ranielli Cechinato
Orçamento apertado depois de uma temporada de gastos sem retorno
O primeiro obstáculo da nova gestão é administrar a herança financeira deixada por 2026. O clube fechou o ano com despesas acima do planejado e sem o desempenho esportivo que justificasse esse investimento — e essa conta vai pesar diretamente no orçamento de 2027.
"O ajuste orçamentário terá que ser bem para baixo, infelizmente. Como o ano terminou com gastos acima do planejado e o resultado em campo não aconteceu, a herança permaneceu e precisa ser cumprida. Isso afeta diretamente o nosso orçamento para 2027."
— Ranielli Cechinato
Elenco: menos contratações, mais identidade
Se o orçamento vai encolher, a filosofia de montagem do time também muda. O estopim para essa virada foi o próprio retrospecto de 2026, ano em que o Caxias realizou 52 contratações e ainda assim amargou cinco eliminações — três delas dentro do próprio Centenário. O volume de trocas foi tão grande que praticamente impediu o torcedor de memorizar a escalação titular ao longo da temporada.
"Em 2026 o Caxias teve 52 contratações. É um volume excessivo para uma única temporada, o que torna impossível buscar entrosamento. O Caxias sofreu cinco eliminações no ano — algo completamente fora do normal para a grandeza deste clube. Tradicionalmente, o Caxias sempre foi um time equilibrado, mas marcado pela força e por um futebol aguerrido. O meu maior foco será transmitir aos atletas o verdadeiro peso de vestir essa camisa."
— Ranielli Cechinato
O recado do vice de futebol para os próximos reforços já está dado, e vem sem meias palavras: quem vestir o manto grená vai precisar entender que entrega em campo não é opcional.
"Nós podemos aconselhar e orientar, mas não temos como transmitir vontade. Ou o atleta tem, ou não tem. Vou cobrar isso diariamente. Não se trata apenas de assinar um contrato, mas de construir uma carreira e honrar o compromisso com a torcida. O escudo do Caxias estará acima de qualquer vaidade. O recado é claro: o atleta que produzir fica; o que esmorecer estará fora."
— Ranielli Cechinato
Comissão fixa e prazo até 15 de novembro
Com a chegada do executivo de futebol Fernando Leite já confirmada, o clube concentra energia agora na definição do técnico — peça que, segundo a diretoria, precisa estar resolvida antes de qualquer avanço na montagem do elenco.
"Temos inúmeros nomes em pauta. O Fernando Leite foi contratado justamente por possuir um conhecimento profundo do mercado e dos atletas que disputam a nossa divisão. Contudo, dependemos da definição do treinador para validar as peças. Se pudermos definir o comandante o quanto antes, será melhor para o processo. Projetamos ter o grupo praticamente formado até o dia 15 de novembro para, quem sabe, já dar início aos trabalhos de pré-temporada."
— Ranielli Cechinato
A reformulação também passa pela comissão técnica. Após o desligamento em comum acordo do preparador físico Thiago Cetolin, o clube decidiu que não vai mais contratar uma comissão completa junto com o técnico — a ideia é trazer apenas o treinador e seu auxiliar direto, enquanto a preparação física passa a ser função de um profissional fixo da casa, que dê continuidade ao trabalho independentemente de eventuais trocas de comando.
"A ideia é contratarmos apenas o técnico e o seu auxiliar direto. Em relação à preparação física, estamos buscando um profissional que seja fixo do Caxias. A nossa meta, respeitando as limitações financeiras, é criar uma comissão da casa para dar suporte e continuidade ao trabalho em eventuais trocas de comando."
— Ranielli Cechinato
Orçamento
Ajuste para baixo após gastos de 2026 sem retorno esportivo. Teto salarial ainda sem número fechado.
Técnico
34 nomes analisados, 9 em conversa direta. Marcelo Fernandes é o plano A, mas há distância financeira.
Elenco
Meta de corte nas contratações após as 52 de 2026. Foco em identidade e entrosamento, grupo formado até 15/11.
Com o Gauchão e uma Série C mais longa no horizonte de 2027, o Caxias tenta corrigir em poucos meses o que considera ter sido o principal erro da temporada que passou: a falta de planejamento na montagem do time. A definição do técnico é o próximo passo aguardado pela torcida grená, e deve puxar, na sequência, os primeiros anúncios de reforços rumo à pré-temporada.