O peso do empate: Inter fica no 0 a 0 com o Atlético-MG e chega a oito jogos sem vencer no Brasileirão
O peso do empate: Inter fica no 0 a 0 com o Atlético-MG e chega a oito jogos sem vencer no Brasileirão
Beira-Rio voltou a ser palco de uma noite de frustração. Colorado foi inoperante no ataque e vê o Z-4 bater na porta
Há noites em que o Beira-Rio respira com dificuldade. Sábado foi uma delas. O Inter recebeu o Atlético-MG com a obrigação de vencer, com a necessidade de vencer, com a urgência de quem está a um passo do abismo — e o placar ficou mudo. Mais um 0 a 0 numa noite que poderia ter sido de redenção e virou mais uma tela em branco numa sequência que já assusta: oito rodadas sem vitória no Campeonato Brasileiro.
O palco era o de sempre, o Beira-Rio lotado de esperança colorada. A missão também não era nova: sair de campo com os três pontos para respirar e afastar o espectro do rebaixamento. O que se viu, porém, foi um Inter aprisionado na própria inoperância ofensiva, preso em dinâmica que já se repetia há semanas — posse de bola, transições lentas, e nenhuma conclusão que ameaçasse de verdade o goleiro Everson.
Primeiro tempo: o Galo lambe a ferida, o Colorado só assiste
O jogo começou com o Inter tentando impor ritmo, mas foram os mineiros que rondaram o gol de Matheus Cunha com mais perigo. A primeira chance real do confronto só apareceu aos 23 minutos, num chute de longa distância de Minda. Nada que tirasse o goleiro colorado do sério — mas o que veio em seguida gelou as arquibancadas.
Após cobrança de escanteio, Ruan obrigou Matheus Cunha a fazer boa defesa, e o nervosismo tomou conta do estádio. O Inter respondeu apenas aos 31 minutos, quando Ruan recuou mal e o árbitro assinalou tiro livre indireto dentro da área por toque de mão do goleiro Everson. Bruno Henrique cobrou — e a bola foi direto na barreira.
O lance mais perigoso da etapa inicial, no entanto, foi do Atlético. Aos 37, Minda recebeu pela esquerda, dribblou Mercado, deixou dois colorados para trás e estava livre para marcar o que seria um golaço. Só que Braian Aguirre apareceu como um fantasma e tirou a bola praticamente em cima da linha. Foi a salvação do empate, e talvez a cena mais importante do jogo.
Segundo tempo: mudanças sem efeito e um goleiro no chão
Pezzolano tentou mexer no intervalo. Levou Aguirre para o lado direito, recuou Bernabei na esquerda. Na prática, o ataque colorado continuou anêmico, sem criatividade e sem profundidade. O Atlético-MG, que veio a Porto Alegre sem precisar ganhar — está em oitavo com 32 pontos —, administrou bem o empate sem se expor.
O drama da noite chegou aos 28 minutos da segunda etapa. Matheus Cunha saiu para defender uma cabeçada do Atlético e bateu o rosto na trave. O goleiro foi retirado de maca, substituído por Anthoni. O susto aumentou o nervosismo, e a partida entrou em modo de tensão total.
Nos minutos finais, o Colorado ainda teve a estreia do atacante sueco Niclas Eliasson, anunciado nesta semana, que entrou na vaga de Carbonero. A melhor chance do Inter no segundo tempo foi em um rebote, com Paulinho, mas Everson defendeu. O 0 a 0 foi o desfecho inevitável de uma noite em que o setor ofensivo colorado simplesmente não existiu.
Destaques individuais
A voz do vestiário
"Temos que trabalhar a parte mental. Todos sabemos que fizemos um jogo para ganhar. Mas merecimento no futebol não existe. Sabemos que estamos em um clube grande. Temos que ganhar." — Paulo Pezzolano, técnico do Internacional
Ficha Técnica
⚽ Ficha Técnica
Internacional: Matheus Cunha (Anthoni); Bruno Gomes (Allex), Maripán, Mercado e Aguirre; Villagra, Bruno Henrique (Paulinho), Bernabei e Alan Patrick (Juninho); Vitinho e Carbonero (Eliasson). Técnico: Paulo Pezzolano.
Atlético-MG: Everson; Vitão, Ruan (Vitor Hugo) e Kauã Pescini; Natanael, Tomás Pérez (Castaño), Cissé (Alan Franco) e Renan Lodi (Dudu); Bernard (Fred), Minda e Thiago Borbas. Técnico: Eduardo Domínguez.